Zélio Alves Pinto reclama: "A mídia impressa é muito sovina com o espaço dedicado para a charge"
Zélio Alves Pinto reclama: "A mídia impressa é muito sovina com o espaço dedicado para a charge"
Atualizado em 03/09/2007 às 16:09, por
Karina Padial.
Zélio Alves Pinto reclama: "A mídia impressa é muito sovina com o espaço dedicado para a charge"
Por Eles não são tão parecidos como a dupla Paulo e Chico Caruso, mas desenham juntos desde a infância. As carreiras de Zélio Alves Pinto e de seu irmão Ziraldo, entretanto, se cruzaram em poucos momentos: na primeira versão do Pasquim, nos anos 60, na revista Palavras, na revista Bundas e, mais recentemente, no "Pasquim 21".Na reestréia da seção "Traço", IMPRENSA visitou o ateliê de Zélio, no bairro de Higienópolis, em São Paulo, e pediu que ele fizesse uma seleção de charges e quadrinhos. Enquanto tirava os desenhos das gavetas e os colocava sobre a mesa, ia contando histórias suas e das ilustrações.
Considerado o precursor dos salões de humor no Brasil, Zélio recorda que na época em que batia cartão na redação, a imprensa era muito mais generosa e tinha por hábito dar grandes espaços aos chargistas. " A mídia impressa é muito sovina com o espaço dedicado para a charge, que é muito restrito ao humor crítico, engajado política e socialmente. Na televisão se faz um humor de consumo doméstico, de qualidade bastante chula e os textos de humor morreram. Podemos citar o Veríssimo, talvez o Mário Prata. Na minha época, tinha Sérgio Porto, Otelo Caçador e Millôr Fernandes, que é o Picasso do humor brasileiro".
Para ele, as charges, os quadrinhos e as ilustrações têm o poder de retratarem o momento de forma muito mais dinâmica e colaboram com a compreensão, mesmo que, por um ponto de vista irônico, da situação política do país. "Chargistas e humoristas têm muito de arauto."
A grande família Z
Zizinha e Geraldo são os pais de Zélio, o terceiro de uma família de sete filhos. Ele escapou por pouco de se chamar Ziralzizi, que seria a junção de quatro nomes: da mãe, do pai e dos dois irmãos mais velhos, Ziraldo e Ziralzi.
No final das contas, optou-se por Zélio mesmo, depois da consulta a um livro de santos. Ainda bem. "Meu pai encontrou Santa Zélia, como não tinha São Zélio, acho que no fundo ele queria que eu ocupasse esse lugar". Os outros quatro irmãos escaparam da saga da letra "z": Maria Elisa, Maria Helena, Maria Elisabete e Geraldo.
Mas não foram só os nomes que os irmãos herdaram dos pais. O gosto pela arte acompanhou o crescimento da família que vivia em Caratinga, no sertão mineiro. "Minha mãe e meus avós tinham vocação artística. Não tinham formação acadêmica, mas um tio era músico, o outro teatrólogo, tinha escultor, pintor, ator", relembra Zélio.
Já na infância essa influência era percebida: "O Ziraldo nasceu desenhando. Rabiscava muito e gostava de histórias em quadrinhos. Eu não era nem alfabetizado e ele já colecionava gibis". Confira alguns dos trabalhos de Zélio. Essa matéria você lê (e vê) na edição de setembro de IMPRENSA.






