Zeitgeist: "A mídia brasileira é burra...e pobre"
Zeitgeist: "A mídia brasileira é burra...e pobre"
de Berlim, Alemanha
O brasileiro poderia saber muito mais do que as estórias clichês na Alemanha
Queria escrever sobre os jornalistas brasileiros que já estão por aqui para cobrir a Copa. Mesmo que a minha função não seja propriamente a de uma repórter, queria perguntar, entrevistar gente. Fui à caça dos caçadores para falar do que eles vão falar.
No meio do caminho não tinha uma pedra, mas uma jornalista-menina, com a qual, sem mais nem menos, me identifiquei.
Enquanto eu procurava pelo repórter da Globo e pelo "frila" da Band, até então os únicos na redondeza, ela me rodeava. Não sei como me encontrou.
Diante de tanta avidez, decidi ouví-la.
A caminho de casa, voltando do Volkspark Friedrichshain, onde também conversei com os outros dois jornalistas, as duras palavras da moça de unhas roídas se mesclavam com o perfume e o colorido das flores que a primavera traz e confundiam a minha percepção das coisas.
- A mídia brasileira é burra e pobre - disse ela repetidas vezes. Logo na primeira, perguntei o porquê. A resposta longa, cheia de dor e desilusão, veio rápida como uma bala:
- Estou aqui há um ano. Um dos impulsos que tive nasceu de uma troca de e-mails informal com um dos articulistas - que não é jornalista - da revista Carta Capital . Percebi que só o investimento de algo em torno de 40 mil reais em uma universidade não seria o suficiente para me garantir uma vaga no mercado diante do comentário: "Uma viagem para fora do Brasil seria o ideal".
Ela foi. A experiência dessa jornalista na Alemanha daria um livro. No momento, isso não vem ao caso. A carioca de 27 anos mandou e-mails , se apresentou, propôs diversas pautas. Nada funcionou. Ninguém a conhecia. Tampouco ela conhecia alguém (para dar um "empurrãozinho").
Exatamente ao mesmo tempo em que essa história se desenrola, em maio do ano passado, a Globo envia o seu correspondente, Renato Ribeiro, com toda a família para Berlim. Parece novela, mas não é. Ele, também carioca, é o único repórter brasileiro contratado para passar um ano na Alemanha a fim de conhecer o país e fazer reportagens.
Ainda que especializado em esportes, Ribeiro cobriu desde política até comportamento. Foram mais de 200 reportagens produzidas durante 12 meses; número que, para o global, significa a certeza de um filão a ser explorado. Enquanto ele falava, eu lembrava da moça que foi ignorada.
"Talvez, concatenava eu, a Alemanha não seja tão relevante assim. Ou seja, ainda preciso de muito dinheiro".
Como se pudesse adivinhar, o repórter contradisse meus pensamentos:
- Todas as pautas que eu sugeri foram aceitas. Antigamente, o custo e o tempo empreendidos com um profissional no exterior era muito alto e demorado. Hoje, a tecnologia disponível torna completamente viável, mesmo financeiramente, manter um correspondente internacional.
E então foi a vez dele de pensar alto:
"Uma das maiores economias do mundo, com tantos negócios no Brasil, podia ser bem mais discutida pela imprensa. Mas parece que a França, com o seu glamour, e a Itália, com o Papa, chamam muito mais atenção".
Pelo menos a Band, depois da oferta de vídeo-reportagem do freelancer Dennis Barbosa, aproveitou a oportunidade para levar ao telespectador uma informação diferenciada, o que vem fazendo desde janeiro deste ano.
Um mês antes do apito inicial para o campeonato, tanto a Globo quanto o Bandsports, entre outros representantes da mídia nacional, aportam no coração da Europa.
A Copa do mundo está no ar. Fato é que o brasileiro poderia saber muito mais do que as estórias clichês que sempre ouviu contar sobre Hitler e futebol no país da cerveja. Propostas boas não faltaram. Ao fim da última partida do Mundial, no dia 09 de julho, a mídia verde e amarela tira seu time de campo, retorna ao Brasil. E as notícias na Alemanha?






