WikiLeaks possui dados sobre o Brasil que influenciariam eleições, diz fundador

WikiLeaks possui dados sobre o Brasil que influenciariam eleições, diz fundador

Atualizado em 08/11/2010 às 11:11, por Redação Portal IMPRENSA.

O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, declarou que um material sobre o Brasil pode ser publicado pelo veículo. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Assange disse que as informações poderiam "ter abalado as pretensões eleitorais de algumas pessoas", porém declarou que não pode "dizer de quem se trata": "Sabemos que parte da informação que temos sobre o Brasil poderia ter abalado as pretensões eleitorais de algumas pessoas", disse.

Mesmo tendo informações que poderiam modificar o resultado das eleições, Assange declarou que não as publicou por falta de tempo e pelo fato de os dados sobre a Guerra do Iraque terem gerado grande repercussão. Em outubro, o WikiLeaks anunciou que divulgaria mais de 400 mil documentos secretos sobre táticas e estratégias militares utilizadas durante a invasão iraquiana, em 2003.

Sobre a repercussão dos dados vazados pelo WikiLeaks, o fundador - que se autodenomina jornalista e ativista - afirmou que a "censura está muito mais generalizada e profunda do que a sociedade imagina": "Nesta semana, uma pessoa que estava ligada ao vazamento dos dados militares americanos foi detida na fronteira entre o México e os EUA. Seu computador foi confiscado. Ele havia visitado uma de nossas fontes. O Pentágono também criou uma lista de pessoas que trabalham dentro do próprio serviço americano que poderiam ser nossas fontes. [...] Basicamente, o que os EUA fazem é banir a liberdade de imprensa", disse.

Atualmente, Assange não possui residência fixa e anda com uma escolta armada. O ativista declarou ter sofrido ameaças e que, após a divulgação dos documentos sobre o Iraque, a empresa que captava verba de doadores suspendeu o contrato. Mesmo com as dificuldades, ele diz que não o site continuará operando: "Vamos continuar a publicar os documentos da forma mais rápida possível. Espero que as pessoas julguem alguém não pelo calibre dos amigos, mas de seus inimigos".

Em julho deste ano, o WikiLeaks virou notícia depois que divulgou mais de 90 mil documentos militares sobre a Guerra do Afeganistão, produzidos entre 2004 e 2009, e que revelavam número de mortes de civis superior ao anunciado oficialmente pelo governo dos EUA. Com o título de "Afghan War Diary", os dados informavam, ainda, sobre a existência de um destacamento militar especial para capturar ou matar insurgentes sem direito a julgamento.

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