Vozes silenciadas: 60 jornalistas investigam assassinato de colega mexicana

Ocorrido em 28 de abril de 2012, o assassinato da jornalista mexicana Regina Martínez foi objeto de uma investigação realizada por mais de 6

Atualizado em 07/12/2020 às 18:12, por Redação Portal IMPRENSA.

0 colegas, de 25 veículos de imprensa de diferentes países, cujos resultados começaram a ser publicados nesta segunda (7).
Coordenada pela Forbidden Stories, organização com sede em Paris dedicada a continuar o trabalho de jornalistas silenciados, a investigação foca na corrupção e crimes cometidos por dois ex-governadores do estado mexicano de Veracruz que Regina denunciou em suas reportagens: Fidel Herrera (2004-2010) e Javier Duarte (2010-2016).
Aos 71 anos, Herrera hoje está na mira de serviços secretos por suas conexões com o crime organizado e aumento vertiginoso de patrimônio. Na justiça mexicana, porém, nada tramita contra ele. O mesmo ocorre com Duarte, que foi seu sucessor no governo de Veracruz. Crédito:Félix Márquez/Cuartoescuro Fidel Herrera (esquerda) e Javier Duarte, ex-governadores do estado de Veracruz: denúncias e negócios com o crime
O estado de Veracruz supera zonas de guerra e é considerado o lugar mais perigoso do mundo para a imprensa: 26 jornalistas foram assassinados lá desde 2005 e outros oito estão desaparecidos.
Cartel sanguinário
Em suas reportagens, Regina também abordou a corrupção do PRI, tradicional partido político de Veracruz, e a entrada do sanguinário cartel dos Zetas na região, com a consequente adoção da prática de massacres, desaparecimentos e sequestros.
O trabalho jornalístico para elucidar o assassinato da jornalista teve como base o processo judicial do caso e entrevistas com dezenas de pessoas ligadas à vítima, incluindo amigos, colegas e promotores.
Regina também incomodou os políticos corruptos de Veracruz ao denunciar a extorsão de prefeitos do estado pelo cartel dos Zetas. Ela denunciava que tais acordos eram devidamente avalizados por Herrera e Duarte, acusando o primeiro de ter gerenciado a entrada do cartel em Veracruz. Crédito:Octavio Gómez - Proceso A jornalista mexicana Regina Martínez, semanas antes de ser assassinada no estado de Veracruz
Uma das fontes ouvidas pelos jornalistas da Forbidden Stories foi o agente do FBI Arturo Fontes. Com 28 anos apurando casos de lavagem de dinheiro e drogas no México e na Colômbia, ele contou que, em um único acordo, Herrera arrecadou milhões de dólares com os cartéis, concedendo em troca uma espécie de permissão para que eles operassem. Regina fez uma reportagem justamente sobre esse acordo. Quatro meses após sua publicação, ela foi assassinada.