Voto de Discórdia
Além das críticas ácidas em seus artigos de opinião e seu lado mais brando como escritor de obras de não ficção, o jornalista Guilherme Fiuza expõe uma nova faceta profissional em sua estreia como roteirista de série da Globo Após prestar uma consultoria para o governo federal, o advogado Paulo Ventura descobre uma série de irregularidades na presidência.
Atualizado em 01/11/2011 às 17:11, por
Ana Ignacio e enviada ao Rio de Janeiro.
No afã de revelar os desvios de verba pública, leva suas informações para um ministro na esperança de fazer justiça. Como resultado, perde seu emprego - mas não o idealismo. Cria o blog "Brado Retumbante" para combater a corrupção. Diante do sucesso de seu site, é convidado para se candidatar a deputado. Eleito com o maior número de votos do país, ele torna-se um político carismático e sincero. Em pouco tempo assume a Câmara dos Deputados e acaba se tornando presidente da República.
O jornalista Guilherme Fiuza não hesita ao declarar que votaria nele. O empecilho é que Ventura não passa de ficção. "A gente fez um personagem que tem falhas, mas criamos o que a gente gostaria de ser se tivesse aquele poder todo na mão. Uma pessoa objetiva, capaz e honesta. Votaria nele certamente", diz. Na vida real, Fiuza votou em José Serra "sem achar o Serra um grande candidato. Se o Palocci fosse o candidato, eu teria votado no PT", conta.
Crédito:Leonardo Rozario
Conhecido do público após lançar o livro "Meu Nome não É Johnny", em 2004, Fiuza tem em seu currículo as obras "3.000 Dias no Bunker", "Amazônia, 20º Andar: de Ipanema para o Topo do Mundo, uma Jornada na Trilha de Chico Mendes" e o mais recente "Bussunda - a Vida do Casseta". Além de sua experiência como escritor, o jornalista mantém abrasadas colunas de opinião em Época (em que também atualiza um blog) e em O Globo e se dedica agora a uma nova faceta de sua carreira, como roteirista da série "Brado Retumbante", da Rede Globo, prevista para o primeiro semestre de 2012. Idealizada por Euclydes Marinho, a série é escrita em parceria com Nelson Motta e Denise Bandeira e tem como personagem central um presidente fictício. O tema não poderia ser melhor para Fiuza.
IMPRENSA - UMA SÉRIE SOBRE UM PRESIDENTE ENVOLVIDO EM CASOS DE CORRUPÇÃO. O QUANTO DE REALIDADE HÁ NO ROTEIRO?
Guilherme Fiuza - É um Brasil fictício com elementos contemporâneos. Não datamos, mas é claro que a realidade se inspira em vários momentos. A questão da corrupção e da segurança pública associada, esses braços paralelos que vão se aninhando no Estado, no Congresso, no Judiciário, quer dizer, esses males bem contemporâneos que manipulam eleitores, são inspiradores. Tem um pouco de paródia. Em alguns momentos, o telespectador vai identificar fatos e o seriado é realista. Mesmo o que não é paródia, são acontecimentos que têm a ver com o que a gente vive, com os rolos da política. Tem muita superação e desilusão. Eles sofreram, pagaram preço alto no âmbito pessoal, foram perdidos no meio político, sofreram processos judiciais complicadíssimos, tiveram a projeção da passagem pelo governo, mas carregam um pouco da amargura de quanto é desumano esse exercício do poder para quem quer fazer direitinho, quem quer se arriscar, para quem não compactua com certas coisas. O "Brado Retumbante" tem essa coisa... Consegue fazer algumas faxinas verdadeiras, não como essas que estão aí. Mas pagam preços.
FALANDO EM FAXINA, COMO VO CÊ AVALIA A ATUÇÃO DA IMPRENSA NOS CASOS DE CORRUPÇÃO "VERDADEIROS" QUE TÊM OCORRIDO?
A imprensa está carregando as instituições brasileiras nas costas. O que tivemos nos últimos tempos, não só nos últimos meses, foi revelado pela imprensa. Acho que a imprensa está fazendo um papel essencial para o país, mas que me preocupa porque não tem uma correspondência nas instituições que deveriam estar zelando por isso. A imprensa não pode ser a polícia, a Justiça. A imprensa não cuida de processo. Acho que a mídia, sem nenhum cabotinismo empresarial, está sendo o farol do que há de saudável e moderno, mas é preocupante porque fica quase sozinha. Tanto que a Dilma dizendo que não é pautada pelo noticiário, pelas manchetes, é uma coisa pra morrer de rir. Só as manchetes fizeram com que ela se movesse para trocar pessoas que faziam parte de quadrilhas, uma série de questões colocadas pela imprensa, convênios piratas, ONGs de fachada, coisas que você bota no seriado e acham que é exagero, mas não é. E aparece graças à imprensa. A sociedade tem reagido bem à mídia, mas não dá pra baixar a guarda.
Leia a matéria completa na edição 273 de IMPRENSA.
Assinantes da Revista IMPRENSA podem ler a revista na íntegra na web. Clique para acessar.

O jornalista Guilherme Fiuza não hesita ao declarar que votaria nele. O empecilho é que Ventura não passa de ficção. "A gente fez um personagem que tem falhas, mas criamos o que a gente gostaria de ser se tivesse aquele poder todo na mão. Uma pessoa objetiva, capaz e honesta. Votaria nele certamente", diz. Na vida real, Fiuza votou em José Serra "sem achar o Serra um grande candidato. Se o Palocci fosse o candidato, eu teria votado no PT", conta.
Crédito:Leonardo Rozario
Conhecido do público após lançar o livro "Meu Nome não É Johnny", em 2004, Fiuza tem em seu currículo as obras "3.000 Dias no Bunker", "Amazônia, 20º Andar: de Ipanema para o Topo do Mundo, uma Jornada na Trilha de Chico Mendes" e o mais recente "Bussunda - a Vida do Casseta". Além de sua experiência como escritor, o jornalista mantém abrasadas colunas de opinião em Época (em que também atualiza um blog) e em O Globo e se dedica agora a uma nova faceta de sua carreira, como roteirista da série "Brado Retumbante", da Rede Globo, prevista para o primeiro semestre de 2012. Idealizada por Euclydes Marinho, a série é escrita em parceria com Nelson Motta e Denise Bandeira e tem como personagem central um presidente fictício. O tema não poderia ser melhor para Fiuza.
IMPRENSA - UMA SÉRIE SOBRE UM PRESIDENTE ENVOLVIDO EM CASOS DE CORRUPÇÃO. O QUANTO DE REALIDADE HÁ NO ROTEIRO?
Guilherme Fiuza - É um Brasil fictício com elementos contemporâneos. Não datamos, mas é claro que a realidade se inspira em vários momentos. A questão da corrupção e da segurança pública associada, esses braços paralelos que vão se aninhando no Estado, no Congresso, no Judiciário, quer dizer, esses males bem contemporâneos que manipulam eleitores, são inspiradores. Tem um pouco de paródia. Em alguns momentos, o telespectador vai identificar fatos e o seriado é realista. Mesmo o que não é paródia, são acontecimentos que têm a ver com o que a gente vive, com os rolos da política. Tem muita superação e desilusão. Eles sofreram, pagaram preço alto no âmbito pessoal, foram perdidos no meio político, sofreram processos judiciais complicadíssimos, tiveram a projeção da passagem pelo governo, mas carregam um pouco da amargura de quanto é desumano esse exercício do poder para quem quer fazer direitinho, quem quer se arriscar, para quem não compactua com certas coisas. O "Brado Retumbante" tem essa coisa... Consegue fazer algumas faxinas verdadeiras, não como essas que estão aí. Mas pagam preços.
FALANDO EM FAXINA, COMO VO CÊ AVALIA A ATUÇÃO DA IMPRENSA NOS CASOS DE CORRUPÇÃO "VERDADEIROS" QUE TÊM OCORRIDO?
A imprensa está carregando as instituições brasileiras nas costas. O que tivemos nos últimos tempos, não só nos últimos meses, foi revelado pela imprensa. Acho que a imprensa está fazendo um papel essencial para o país, mas que me preocupa porque não tem uma correspondência nas instituições que deveriam estar zelando por isso. A imprensa não pode ser a polícia, a Justiça. A imprensa não cuida de processo. Acho que a mídia, sem nenhum cabotinismo empresarial, está sendo o farol do que há de saudável e moderno, mas é preocupante porque fica quase sozinha. Tanto que a Dilma dizendo que não é pautada pelo noticiário, pelas manchetes, é uma coisa pra morrer de rir. Só as manchetes fizeram com que ela se movesse para trocar pessoas que faziam parte de quadrilhas, uma série de questões colocadas pela imprensa, convênios piratas, ONGs de fachada, coisas que você bota no seriado e acham que é exagero, mas não é. E aparece graças à imprensa. A sociedade tem reagido bem à mídia, mas não dá pra baixar a guarda.
Leia a matéria completa na edição 273 de IMPRENSA.
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