Vocês querem bacalhau?

Vocês querem bacalhau?

Atualizado em 09/12/2009 às 10:12, por Silvia Dutra.

Tem um programa de televisão aqui nos Estados Unidos chamado Maury Povich Show que basicamente traz sempre a mesma atração: mulheres que tiveram filhos e não sabem exatamente quem é o pai.

Algumas até desconfiam quem seja o autor da ocorrência, outras nem isso. Elas vão ao programa, contam a história da sedução, que é sempre a mesma (ele disse que me amava, que eu era a mulher da vida dele e etc, etc) e a produção submete o "provável" pai ao teste de DNA. As vezes são só dois ou três suspeitos. Outras vezes chega a ter uma fila dos prováveis autores da gravidez.

Quando o George Orwell escreveu"1984" e previu que haveria um "Big Brother", um estado totalitário em que os cidadãos seriam constantemente vigiados, tenho certeza que nunca imaginou que a coisa chegaria ao ponto a que chega no programa do Maury.

Vejam só: o cidadão acabou de nascer, ainda nas fraldas, e o mundo inteiro já sabe que a genitora dele num é flor que se cheire e que já passou pelas mãos de inúmeros jardineiros. Coisa triste demais. Se é verdade que dentro da barriga os bebês já percebem as coisas esses pobrezinhos já nascem traumatizados, com um baita problema de autoestima e complexo de inferioridade. Freud deve se revirar no túmulo.

Mas não se preocupem, que tem shows na TV americana para tratar de traumas de todos os tipos. No futuro, o bastardinho vai poder resolver os conflitos psicológicos que resultaram da mãe tê-lo levado, em tão tenra idade, para participar do show do Maury Povich. E, no final, ele a mãe vão se abraçar e a plateia chorará emocionada. E viverão felizes para sempre.


Mas voltando ao que interessa, o Maury faz todo um carnaval para divulgar o resultado do teste de DNA. Só falta perguntar para a platéia se alguém quer bacalhau. Lembra um pouco o "Programa do Chacrinha", só que ao invés de ter as chacretes rebolando com pouca roupa, tem uns leões de chácara, uns seguranças enormes vestidos todos de preto. Juro que a primeira vez que vi aquilo achei que era show de luta livre, porque a atmosfera é de confronto, a gente sente que a coisa vai ferver.

Dá de tudo lá: choro, ranger de dentes, sorrisos de alívio dos que passam pelo teste do DNA, homens inconformados com a pouca sorte, troca de elogios à honra das mães dos envolvidos, as vezes acaba tudo degenerando em pancadaria, com o auditório aplaudindo. E os seguranças tentando proteger a mulher e o bebê. Se o Inferno existe, aquele ambiente deve ser a sala de recepção.

Acho que nem preciso dizer que não assisto ao programa do Maury, acho tudo muito vulgar e deprimente. Mas dia desses não pude deixar de gargalhar com uma piada que fizeram com o programa. E o trocadilho com o nome dele e a data do Natal, que se aproxima.

Sem querer ofender os que acreditam, só pelo humor do cartão, vou traduzir os dizeres:

Reprodução
Cartão de Natal do programa

"De acordo com os resultados do teste de DNA, José você não é o pai. Maury Christmas" ao invés de Merry Christmas, ou seja, Feliz Natal. Ok, concordo, é politicamente super incorreta, mas que é engraçada isso é, que me perdoem os que sofrem de falta de humor. Lembrem-se do que ensinou Jesus: "Pai, perdoai a , ela não sabe o que faz". Amém.