“Você tem que prestar atenção na música”, diz Zuza Homem de Mello

A trilha sonora de sua vida poderia ser embalada facilmente por uma das melodias mais famosas do cinema americano, “As time goes by”. Como já pedia Ilsa Lund, em “Casablanca”: “Toque outra vez, Sam.

Atualizado em 20/07/2015 às 13:07, por Gabriela Ferigato.

Pelos velhos bons tempos”. Passaria também pelos versos das silenciosas rosas de Cartola e pela inesquecível “Fascinação”, interpretada e eternizada pelo furacão Elis.
As sete notas musicais e suas incontáveis combinações e arranjos sempre sorriram para José Eduardo Homem de Mello. Zuza, então, decidiu sorrir de volta. Dono de um sobrenome que dispensa mais apresentações, poderia ter seguido o caminho de seu pai como fazendeiro. Ou ter sido engenheiro como seus tios – curso que chegou a iniciar – e garantido a sucessão na empresa da família. Mas a música tocou e falou mais alto para ele.
Seu primeiro contato foi com a gaita de boca, que aprendeu a tocar sozinho ainda criança. Junto com uma prima que o acompanhava no piano, passavam horas a fio interpretando canções populares. Mais tarde, já introduzido ao piano, trocava os recreios no Arquidiocesano, tradicional escola paulista, pelas saletas onde tinham o instrumento. Era quase um universo paralelo que o fazia perder a noção do tempo. A atração pelo contrabaixo apenas deu sequência a esse amor de fases.
Era necessário, de uma vez por todas, deixar a engenharia. “Mas você não quer apenas trancar?”, certificou-se a responsável pela secretaria da graduação. “Não quero nunca mais pisar nesse lugar”, brincou Zuza, sem mentir. Em uma época em que medicina, engenharia ou direito eram escolhas mandatórias, muitos julgaram sua atitude impensada. Mas o apoio da família veio como um conforto.
“Naquele tempo, isso em 1954, se dedicar à música era algo inconcebível, a não ser que você fosse um pianista clássico ou de uma classe social diferente da minha. Dos meus amigos, ninguém se aventurou ou teve um lampejo sequer.” Se a decisão estava tomada, deveria ser levada a sério. Após dois anos de estudo no Brasil, embarcou para os Estados Unidos e frequentou a célebre School of Jazz. Entre seus professores destaca-se, nada mais, nada menos, do que Ray Brown.

Veja o Ensaio de Zuza Homem de Mello por Alf Ribeiro

Confira o Perfil completo de Zuza Homem de Mello na edição 313 de IMPRENSA