Você sabe fazer um bom título?
Você sabe fazer um bom título?
Atualizado em 15/07/2010 às 15:07, por
Silvia Dutra.
A Sociedade Americana de Editores - American Copy Editors Society - promove, anualmente, um concurso para escolher os melhores títulos e manchetes publicadas pela Imprensa americana. Divididos em categorias de acordo com os números da tiragem, o concurso premia os jornais cujos repórteres e editores demonstram técnica e arte no desafio que é colocar um título apropriado numa matéria.
Um bom título não é coisa fácil de ser feita, como pode atestar qualquer editor ou repórter com essa espinhosa responsabilidade. Sintetizar correta e elegantemente a essência da matéria em poucas palavras já era difícil na época em que jornais e revistas eram apenas impressos e havia mais tempo para preparar uma edição.
Atualmente, com a revolução digital e o excesso de informação disponível, o criador de títulos tem que ser super veloz, criativo, conciso, preciso e ainda saber usar palavras chaves que possam direcionar leitores para o website através de sites de buscas. E tem que fazer isso tudo mantendo no texto um certo mistério, para capturar o interesse do leitor e fazê-lo ter vontade de continuar lendo.
O título não pode ser simplesmente o resumo sucinto da história. Não deve entregar todos os fatos numa única linha, ser algo monótono ou excessivamente explícito. Deve ser simples, mas intrigante. Deve funcionar como uma tentação, uma promessa de que o leitor vai se beneficiar de alguma maneira se dedicar tempo para continuar lendo. E a matéria deve cumprir essa promessa: nada mais irritante do que ao final de um texto perceber que o título foi um engodo.
Ser cuidadoso e responsável no levantamento das informações, achar o tom certo na hora de redigir, caprichar no estilo, não escorregar na gramática ou exagerar no tamanho do texto são desafios diários enfrentados por todos os que escrevem. Entrentanto um título desastrado -- mesmo não sendo intencional -- pode jogar no lixo todo esse trabalho e causar situações embaraçosas e desagradáveis para o repórter, o jornal e as pessoas retratadas na matéria.
E isso acontece diariamente, no mundo inteiro.
Meses atrás, durante o escândalo sexual que quase acabou com a carreira do jogador de golfe Tiger Woods, um jornal de San Francisco publicou matéria sobre uma das empresas patrocinadoras do atleta com o infeliz e ambíguo título: Nike diz que Tiger joga com suas próprias bolas. Pegou mal.
Pior ainda foi o título que uma coluna do cronista Jay Cronley recebeu no jornal Tulsa World , em Oklahoma: "Homem com um braço só aplaude a gentileza de estranhos". Como alguém com um único braço pode aplaudir alguma coisa? Uma total impossibilidade física, exemplo de um título que pode causar risos, mas também ser interpretado como ofensivo desrespeito.
Às vezes a realidade também não colabora. Por exemplo: essa semana mesmo muita gente no Canadá achou que algum editor do The Globe and Mail, de Toronto, tinha cometido um erro grosseiro. O jornal trouxe uma matéria com o título "Homem participando de churrasco contra a violência é atingido por bala perdida".
A manchete com cara de piada ganhou destaque na página de Comédia do respeitado blog de notícias "The Huffington Post". Mas pelo menos nesse episódio os editores do jornal canadense saíram limpos: a história é irônica, mas completamente verdadeira. Toronto, como o Rio, também organiza movimentos pedindo paz em meio a balas perdidas.
Quando tomei conhecimento desse interessante concurso anual promovido pela entidade americana fui pesquisar e achei um site específico só sobre esse assunto, que acredito pode ser uma fonte importante de informação e apoio para os colegas que diariamente enfrentam esse desafio.
O site se chama www.editteach.org e foi criado pela repórter, editora e professora de técnicas de edição Deborah Gump, com mais de 20 anos de experiência nessa seara. Ela disponibiliza gratuitamente artigos, exemplos e até exercícios para afiar as habilidades de repórteres e editores em criar bons títulos.
Outra fonte de informação e formação sobre o assunto é o curso "Títulos que funcionam", oferecido pelo Instituto Poynter de Jornalismo durante todo o mês de julho até o dia 6 de agosto. Esse não é grátis. Uma vez no site do Poynter clique em Journalism Education e depois em Webinars, no lado esquerdo e inferior da página.
Um bom título não é coisa fácil de ser feita, como pode atestar qualquer editor ou repórter com essa espinhosa responsabilidade. Sintetizar correta e elegantemente a essência da matéria em poucas palavras já era difícil na época em que jornais e revistas eram apenas impressos e havia mais tempo para preparar uma edição.
Atualmente, com a revolução digital e o excesso de informação disponível, o criador de títulos tem que ser super veloz, criativo, conciso, preciso e ainda saber usar palavras chaves que possam direcionar leitores para o website através de sites de buscas. E tem que fazer isso tudo mantendo no texto um certo mistério, para capturar o interesse do leitor e fazê-lo ter vontade de continuar lendo.
O título não pode ser simplesmente o resumo sucinto da história. Não deve entregar todos os fatos numa única linha, ser algo monótono ou excessivamente explícito. Deve ser simples, mas intrigante. Deve funcionar como uma tentação, uma promessa de que o leitor vai se beneficiar de alguma maneira se dedicar tempo para continuar lendo. E a matéria deve cumprir essa promessa: nada mais irritante do que ao final de um texto perceber que o título foi um engodo.
Ser cuidadoso e responsável no levantamento das informações, achar o tom certo na hora de redigir, caprichar no estilo, não escorregar na gramática ou exagerar no tamanho do texto são desafios diários enfrentados por todos os que escrevem. Entrentanto um título desastrado -- mesmo não sendo intencional -- pode jogar no lixo todo esse trabalho e causar situações embaraçosas e desagradáveis para o repórter, o jornal e as pessoas retratadas na matéria.
E isso acontece diariamente, no mundo inteiro.
| Reprodução |
| Título com referência a Tiger Woods |
Meses atrás, durante o escândalo sexual que quase acabou com a carreira do jogador de golfe Tiger Woods, um jornal de San Francisco publicou matéria sobre uma das empresas patrocinadoras do atleta com o infeliz e ambíguo título: Nike diz que Tiger joga com suas próprias bolas. Pegou mal.
Pior ainda foi o título que uma coluna do cronista Jay Cronley recebeu no jornal Tulsa World , em Oklahoma: "Homem com um braço só aplaude a gentileza de estranhos". Como alguém com um único braço pode aplaudir alguma coisa? Uma total impossibilidade física, exemplo de um título que pode causar risos, mas também ser interpretado como ofensivo desrespeito.
| Divulgação |
| Título sobre homem sem braço |
Às vezes a realidade também não colabora. Por exemplo: essa semana mesmo muita gente no Canadá achou que algum editor do The Globe and Mail, de Toronto, tinha cometido um erro grosseiro. O jornal trouxe uma matéria com o título "Homem participando de churrasco contra a violência é atingido por bala perdida".
A manchete com cara de piada ganhou destaque na página de Comédia do respeitado blog de notícias "The Huffington Post". Mas pelo menos nesse episódio os editores do jornal canadense saíram limpos: a história é irônica, mas completamente verdadeira. Toronto, como o Rio, também organiza movimentos pedindo paz em meio a balas perdidas.
Quando tomei conhecimento desse interessante concurso anual promovido pela entidade americana fui pesquisar e achei um site específico só sobre esse assunto, que acredito pode ser uma fonte importante de informação e apoio para os colegas que diariamente enfrentam esse desafio.
O site se chama www.editteach.org e foi criado pela repórter, editora e professora de técnicas de edição Deborah Gump, com mais de 20 anos de experiência nessa seara. Ela disponibiliza gratuitamente artigos, exemplos e até exercícios para afiar as habilidades de repórteres e editores em criar bons títulos.
Outra fonte de informação e formação sobre o assunto é o curso "Títulos que funcionam", oferecido pelo Instituto Poynter de Jornalismo durante todo o mês de julho até o dia 6 de agosto. Esse não é grátis. Uma vez no site do Poynter clique em Journalism Education e depois em Webinars, no lado esquerdo e inferior da página.





