"Vivemos a crise do jornalismo declaratório", declara Laura Zommer do argentino Chequeado

Se a imprensa mundial vive um momento de crise com cortes deprofissionais ocasionada pela redução na arrecadação de verbas publicitárias,tam

Atualizado em 17/11/2014 às 09:11, por Vanessa Gonçalves.

Se a imprensa mundial vive um momento de crise com cortes de profissionais ocasionada pela redução na arrecadação de verbas publicitárias, também enfrenta o dilema entre informações rápidas e poucas matérias de profundidade.


Crédito: Laura Zommer participou do Festival Piauí de Jornalismo

Para alguns especialistas, essa equação rapidez mais quantidade de matérias tem relação direta com o afastamento dos leitores e, consequentemente, dos consumidores de informação. Sendo assim, os veículos passaram a dar prioridade às declarações de políticos, especialistas e personalidades, muitas vezes sem contestar o conteúdos dessas frases. Esse foi o tema da conversa de Laura Zommer no Festival Piauí de Jornalismo, no último sábado (15/11).


Observando esta tendência, a jornalista argentina percebeu que para ampliar a democracia em seu país era precisoapresentar aos leitores uma apuração mais concreta das declarações daqueles que estão no comando. Inspirando-se no portal , criado em 2003 pelo jornalista Brooks Jackson, ela criou o .


Desde 2009, uma pequena equipe com apenas cinco jornalistas analisa e verifica declarações de relevância de políticos e formadores de opinião na Argentina. Segundo ela, a decisão de criar um projeto do gênero foi motivado pela "crise do jornalismo declaratório", onde pouco ou nenhuma apuração é produzida para checar essas frases de impacto, que motivamos cidadãos a tomar suas decisões nas urnas.


"Vivemos a crise do jornalismo declaratório. Então, o objetivo do Chequeado é fornecer dados para que as pessoas analisem as falas dos políticos", diz Laura. Para ela, esse tipo de trabalho aumenta o 'custo da mentira', pois as pessoas podem "contestar os dados, reduzindo a impunidade intelectual dos políticos", garante a jornalista.


A líder do Chequeado acredita que essa checagem das falas dos políticos, empresários e jornalistas "fortalece a democracia, para que o povo possa ter discussões decentes e não levianas sobre política". "A checagem faz o jornalismo voltar às suas origens, questionando fontes e analisando dados", afirma a jornalista.


Para Laura Zommer, as características da produção jornalística atuais não permitem mais espaço para tantas checagens, transformando as matérias em jornalismo declaratório. Ou seja, "o jornalismo deixou de fazer sua função, por isso projetos como esses são importantes", diz.


Retorno


A jornalista afirma que o chequeado tem uma importante função, pois "as pessoas não são burras. As checagens fazem o jornalismo a falar sobre algo mais".


Afinal, as análises das declarações contam com diversos hiperlinks que mostram o quanto a apuração foi aprofundada, trazendo para o leitor a informação completa.


Embora não agrade por completo aos "checados", o portal não tem problemas com ações judiciais, uma vez que utilizam dados públicos e fontes apartidárias.


Outra característica importante é que o projeto, viabilizadocom dinheiro dos fundadores, de eventos, doações e apoio de alguns patrocinadores, tem liberdade para checar seus fin anciadores, tornando-se uma ferramenta isenta. Como exemplo, já inspirou quatro iniciativas na América Latina, sendo duas no Brasil.

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