Viva a "Mídia Golpista"
Viva a "Mídia Golpista"
Atualizado em 22/11/2010 às 15:11, por
Nelson Varón Cadena.
Eu não tenho a menor idéia do que é "mídia golpista", não sei o que isso significa, leio tópicos sobre o assunto na imprensa e na internet, mas simpatizo muito com a idéia embutida no conceito. Eu não sei o que representa a "mídia golpista", mas deve ser relevante já que o assunto toma o tempo de parlamentares no Congresso e ao que parece até autoridades, gente que tem o que fazer, referem-se ao tema com propriedade. "Mídia golpista", se eu entendi direito, é a imprensa que discorda dos governantes de plantão, o que de por sim já é um contra-senso; significa que a "mídia golpista" de hoje pode ser elevada à "nobre" categoria de mídia alinhada amanhã. E se tudo é questão de conveniência e ponto de vista, a "mídia golpista" no sentido de ser alguma coisa, não é coisa nenhuma.
Contradições aparte, simpatizo muito com essa idéia de "mídia golpista". Imprensa e Governo, pelo que eu sei e me consta desde o tempo em que aprendi a soletrar o alfabeto e repetir dois mais dois são quatro, com a professora Inês, são corpos que não se misturam. Um é água e o outro e azeite. Imprensa e Governo são antagônicos e se são antagônicos nada mais lógico que a imprensa seja contra o governo. O contrário sugere suspeição. O papel do Governo é prover as necessidades da população e zelar pela sua qualidade de vida; o papel da imprensa é provar à população que isso está sendo feito e a maneira como está sendo feito. Ora, nenhum governo do mundo é tão competente assim que não mereça alguns bufetes da mídia na cara, senão uns tapas na bunda.
Bons e maus negócios
Mas como ia dizendo, babei a camisa com a idéia de uma "mídia golpista" que ao que me parece traz embutido o conceito de que discordando do governo se derruba o governo, o que significa admitir que a mídia não é mais o quarto poder, mas "O Poder". Uma idéia tão abstrata que só posso interpretar como uma metáfora, nestes tempos de símbolos perenes. A possibilidade de uma mídia derrubando governantes seria a redenção da classe jornalística, de repente guinada à condição de protagonista principal do processo político. Pena que as metáforas brigam com os fatos. E nesse caso devemos nos contentar com o nosso papel histórico de mídia simplesmente sem a estrela de golpista, ninguém é perfeito. A propósito: nunca a imprensa em lugar nenhum do mundo derrubou o Governo, em compensação muitos governos aqui no Brasil e por este mundo afora já derrubaram a imprensa.
Admito que a imprensa possa ter vocação para fazer bons e maus negócios, mas não para "mídia golpista". Quando a imprensa é "simpática" ao Governo isso significa duas coisas: Ou ela se beneficia do Governo, através dos subsídios da publicidade, ou então é favorecida em outros negócios de seu interesse. Pelo contrário quando a imprensa é "radicalmente" contrária ao governo, isso significa também duas coisas: Ou ela não foi favorecida com as verbas publicitárias da "cota" esperada, ou sugerida, ou o Governo atrapalha os seus negócios, por desentendimento entre as partes; ou porque não se dispõe a atender certos pleitos, por escrúpulo, ou porque não vale o risco.
Na história da imprensa brasileira raríssimas vezes, contam-se com os dedos, um Governo perseguiu de fato um veículo de comunicação por capricho, ou por discordância de opiniões. Desde o Correio Braziliense de Hipólito da Costa, passando pelo glorioso Correio da Manhã e muitos outros que não cito porque ainda circulam, o que houve sempre foi desentendimento entre as partes, os bons e maus negócios a que me referia no parágrafo anterior.
O script segue uma dinâmica definida: O governante de plantão não atende as reivindicações do veículo, ou o veículo não aceita as condições propostas pelo governante e nesse conflito de interesses há um estranhamento. Que começa como pirraça, conotação pessoal. E acaba em guerra de bastidores e depois em praça pública, alimentada pelas entidades de classe, os defensores da sociedade e da democracia, os políticos interessados em bajular, ou atrapalhar o governo e a própria mídia que zela pela sua áurea romântica. A idéia de uma imprensa à serviço da sociedade.
A mídia pode ser qualquer coisa, menos golpista. Admitir esse conceito é dar asas e pernas à imaginação, ou à falta dela.

Contradições aparte, simpatizo muito com essa idéia de "mídia golpista". Imprensa e Governo, pelo que eu sei e me consta desde o tempo em que aprendi a soletrar o alfabeto e repetir dois mais dois são quatro, com a professora Inês, são corpos que não se misturam. Um é água e o outro e azeite. Imprensa e Governo são antagônicos e se são antagônicos nada mais lógico que a imprensa seja contra o governo. O contrário sugere suspeição. O papel do Governo é prover as necessidades da população e zelar pela sua qualidade de vida; o papel da imprensa é provar à população que isso está sendo feito e a maneira como está sendo feito. Ora, nenhum governo do mundo é tão competente assim que não mereça alguns bufetes da mídia na cara, senão uns tapas na bunda.
Bons e maus negócios
Mas como ia dizendo, babei a camisa com a idéia de uma "mídia golpista" que ao que me parece traz embutido o conceito de que discordando do governo se derruba o governo, o que significa admitir que a mídia não é mais o quarto poder, mas "O Poder". Uma idéia tão abstrata que só posso interpretar como uma metáfora, nestes tempos de símbolos perenes. A possibilidade de uma mídia derrubando governantes seria a redenção da classe jornalística, de repente guinada à condição de protagonista principal do processo político. Pena que as metáforas brigam com os fatos. E nesse caso devemos nos contentar com o nosso papel histórico de mídia simplesmente sem a estrela de golpista, ninguém é perfeito. A propósito: nunca a imprensa em lugar nenhum do mundo derrubou o Governo, em compensação muitos governos aqui no Brasil e por este mundo afora já derrubaram a imprensa.
Admito que a imprensa possa ter vocação para fazer bons e maus negócios, mas não para "mídia golpista". Quando a imprensa é "simpática" ao Governo isso significa duas coisas: Ou ela se beneficia do Governo, através dos subsídios da publicidade, ou então é favorecida em outros negócios de seu interesse. Pelo contrário quando a imprensa é "radicalmente" contrária ao governo, isso significa também duas coisas: Ou ela não foi favorecida com as verbas publicitárias da "cota" esperada, ou sugerida, ou o Governo atrapalha os seus negócios, por desentendimento entre as partes; ou porque não se dispõe a atender certos pleitos, por escrúpulo, ou porque não vale o risco.
Na história da imprensa brasileira raríssimas vezes, contam-se com os dedos, um Governo perseguiu de fato um veículo de comunicação por capricho, ou por discordância de opiniões. Desde o Correio Braziliense de Hipólito da Costa, passando pelo glorioso Correio da Manhã e muitos outros que não cito porque ainda circulam, o que houve sempre foi desentendimento entre as partes, os bons e maus negócios a que me referia no parágrafo anterior.
O script segue uma dinâmica definida: O governante de plantão não atende as reivindicações do veículo, ou o veículo não aceita as condições propostas pelo governante e nesse conflito de interesses há um estranhamento. Que começa como pirraça, conotação pessoal. E acaba em guerra de bastidores e depois em praça pública, alimentada pelas entidades de classe, os defensores da sociedade e da democracia, os políticos interessados em bajular, ou atrapalhar o governo e a própria mídia que zela pela sua áurea romântica. A idéia de uma imprensa à serviço da sociedade.
A mídia pode ser qualquer coisa, menos golpista. Admitir esse conceito é dar asas e pernas à imaginação, ou à falta dela.
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