Viúvo da história
Viúvo da história
Atualizado em 12/01/2009 às 15:01, por
Igor Ribeiro.
Por Hélio Fernandes deu um baile na reportagem de imprensa, que o procurava para escrever um artigo sobre o veterano jornalista, meses antes de A Tribuna da Imprensa fechar
Agendar uma entrevista com Hélio Fernandes não é uma tarefa das mais fáceis. Pelas vias normais e sem intermediações, a dificuldade é ainda maior. Se o assunto em pauta ainda tiver o aroma amargo do contragosto, a missão se torna praticamente impossível. Ficou bastante notória, por exemplo, a dificuldade do chefe da Casa Militar durante o governo Geisel (1974-1979), o general Hugo Abreu, em contatar Fernandes para conseguir controlar de forma mais efetiva o conteúdo de seu jornal, a Tribuna da Imprensa. "Me procure daqui a cinco anos", teria sugerido o jornalista ao general. Dizem que parte da longevidade do diário, inclusive durante o pior período da ditadura militar, deveu-se a essa personalidade intransigente de Fernandes. Mas não foi o suficiente. No dia 1º de dezembro de 2008, uma segunda-feira, o jornal foi às bancas anunciando que interrompia "momentaneamente" sua circulação.
Dias depois, o jornal voltou a publicar edições esparsas, sem regularidade, para manter acesa alguma luz no fim do túnel. Mas o "recesso", pouco antes de o jornal comemorar seus 60 anos, em dezembro deste 2009, não me impressionou. Como disse, enfrentava uma saga hercúlea para falar com o dono da Tribuna, desde fins de setembro. Motivos não faltavam para levar a pauta a cabo. Além da efeméride, já mereciam um artigo a vida e a carreira do decano Hélio Fernandes: 88 anos de idade; mais de 70 de profissão; preso político inúmeras vezes; outras tantas autoexilado em cantos recônditos do Brasil; fundador da Frente Ampla ao lado de Carlos Lacerda, em 1966; irmão de Millôr Fernandes, outro veterano do jornalismo (e do humor) brasileiro.
Os contatos telefônicos foram constantes, sempre com figuras próximas, na redação, no departamento comercial e na casa dele. Principalmente José Coelho, diretor de publicidade de um periódico, não tem um anúncio sequer. Foi um pingue-pongue interminável e nauseante, com muitas solicitações inundadas de simpatia protocolar, daquelas que no fim das contas viram uma antipatia velada, num clima estranho de respeitosa má-vontade. Perdi a paciência ao ter que deliberar, por mais de uma vez, com um sujeito chulo, da portaria do jornal, que me acusou de esquizofrênico e aparentava ter maior controle sobre as idiossincrasias da redação do que o cargo deixava transparecer.
Leia matéria completa na edição 242 de IMPRENSA
Agendar uma entrevista com Hélio Fernandes não é uma tarefa das mais fáceis. Pelas vias normais e sem intermediações, a dificuldade é ainda maior. Se o assunto em pauta ainda tiver o aroma amargo do contragosto, a missão se torna praticamente impossível. Ficou bastante notória, por exemplo, a dificuldade do chefe da Casa Militar durante o governo Geisel (1974-1979), o general Hugo Abreu, em contatar Fernandes para conseguir controlar de forma mais efetiva o conteúdo de seu jornal, a Tribuna da Imprensa. "Me procure daqui a cinco anos", teria sugerido o jornalista ao general. Dizem que parte da longevidade do diário, inclusive durante o pior período da ditadura militar, deveu-se a essa personalidade intransigente de Fernandes. Mas não foi o suficiente. No dia 1º de dezembro de 2008, uma segunda-feira, o jornal foi às bancas anunciando que interrompia "momentaneamente" sua circulação.
Dias depois, o jornal voltou a publicar edições esparsas, sem regularidade, para manter acesa alguma luz no fim do túnel. Mas o "recesso", pouco antes de o jornal comemorar seus 60 anos, em dezembro deste 2009, não me impressionou. Como disse, enfrentava uma saga hercúlea para falar com o dono da Tribuna, desde fins de setembro. Motivos não faltavam para levar a pauta a cabo. Além da efeméride, já mereciam um artigo a vida e a carreira do decano Hélio Fernandes: 88 anos de idade; mais de 70 de profissão; preso político inúmeras vezes; outras tantas autoexilado em cantos recônditos do Brasil; fundador da Frente Ampla ao lado de Carlos Lacerda, em 1966; irmão de Millôr Fernandes, outro veterano do jornalismo (e do humor) brasileiro.
Os contatos telefônicos foram constantes, sempre com figuras próximas, na redação, no departamento comercial e na casa dele. Principalmente José Coelho, diretor de publicidade de um periódico, não tem um anúncio sequer. Foi um pingue-pongue interminável e nauseante, com muitas solicitações inundadas de simpatia protocolar, daquelas que no fim das contas viram uma antipatia velada, num clima estranho de respeitosa má-vontade. Perdi a paciência ao ter que deliberar, por mais de uma vez, com um sujeito chulo, da portaria do jornal, que me acusou de esquizofrênico e aparentava ter maior controle sobre as idiossincrasias da redação do que o cargo deixava transparecer.
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