Visões de negócio

Visões de negócio

Atualizado em 08/12/2008 às 10:12, por Redação Revista Imprensa.

Alguns depoimentos de executivos, publicitários e estudiosos sobre o crescimento tecnológico no Brasil e seu impacto. CGCom da TV Globo e a Microsoft contam sua participação no incentivo à inclusão digital.

Computador Sociável

A Click é hoje uma das agências de publicidade mais representativas no mercado brasileiro atual trabalha as contas de seus clientes em bases de interatividade e tecnologia. Os avanços tecnológicos do mercado do mundo todo são atentamente observados pela direção do grupo e seu presidente, Abel Reis, é considerado umas das 77 pessoas mais criativas do mundo, segundo o badalado consultor Ralf Langwost, em seu livro "How To Cath a Big Idea". Sobre o crescimento expressivo da internet no Brasil, avalia: "É curioso observar o movimento da sociedade, principalmente na questão de lan houses: o computador sempre sugeriu uma atividade solitária, individual. Com as lans observa-se justamente o contrário, uma sociabilização do ambiente do computador, com pessoas que criaram laços pessoais reais e virtuais entre si. Isso aliado ao baixo custo para estar conectado vem se mostrado ser um sucesso no país inteiro". Para ele o crescimento dessas lan houses fica bem evidente quando se observa as periferias. Essas casas passaram a ser opção de lazer, como um bar ou um restaurante: "as pessoas vão para se divertir, jogar on line, ver e-mail e redes de relacionamento e também encontrar amigos que conheceram ali e que têm interesses em comum".

A sede da agência em São Paulo está localizada no Real Parque, zona sul. Está ao lado do bairro do Morumbi e da favela de Paraisópolis. E é numa ONG dessa favela que a Agência Click investe em tecnologia. Eles têm uma parceria com o Projeto Casulo de doar equipamentos de informática que estejam em bom estado mas que não atendem mais as necessidades da agência. Assim, freqüentemente computadores, monitores, impressoras são destinado aos projetos de inclusão social e digital dos meninos da favela de Paraisópolis.

Fora isso, a agência entra no terceiro ano de uma ação especial. "Em vez de darmos presentes diretos aos nossos clientes, pegamos esses recursos e doamos para que o Casulo invista nos projetos de inclusão digital. Assim presenteamos os meninos assistidos pelo projeto e os clientes com novos usuários de seus serviços on line", explica Abel.

Informática e concorrência

Fernando Meirelles, professor titular de tecnologia da informática Informática da Fundação Getúlio Vargas, é uma das fontes mais consultadas quando o assunto é tecnologia no país. Faz parte da equipe de consultores do CGI.BR, analisando os números consolidados dos estudos e pesquisas. Para ele, o crescimento dos números da internet no Brasil trata-se do famoso jeitinho brasileiro na inclusão digital. Como o governo demora para dar respostas e em geral a faz de modo insatisfatório, a própria sociedade se mobiliza e realiza suas ações. Isso explica o fenômeno das lan houses cada vez mais presentes nas periferias. "Lan houses em bairros nobres existem, mas não tanto quanto nos bairros periféricos e afastados do centro e isso acontece por iniciativa dos próprios moradores que não querem ficar de fora do que o mundo está fazendo", analisa. Segundo seus pontos de vista, o custo da conexão é apenas mais um atrativo para o sucesso das casas de acesso. "Há conexões muito baratas, por cerca de 50 centavos a hora, e isso ajuda, mas mesmo se fosse mais cara, ainda assim teriam movimento: isso é parte da inclusão social que passa pela inclusão digital", resume.

Quando perguntado sobre se inclusão digital é inclusão social é firme na resposta: "São coisas distintas mas que se complementam. Se você chegar numa escola hoje vai perceber que para as crianças e adolescentes não ter um e-mail é muito mais grave do que não ter um RG, por exemplo. E quanto menor a renda dos analisados, maior a importância que vão dar à informática". Para Meireles o que está acontecendo com a internet hoje no Brasil tem muito a ver com o que aconteceu com as empresas de telefonia há dois anos quando começaram a popularizar seus serviços para que o maior número de pessoas possíveis passassem a ser clientes de seus serviços.

O milagre da portabilidade

Faz um ano Cristina Moretti - ou Kiki, como é conhecida - é usuária de um smartphone modelo BlackBerry. O que mudou em sua vida? "Tudo", responde enfaticamente a diretora presidente da In Press Porter Novelli, uma das maiores assessorias de imprensa do país. Executiva de negócios, Kiki divide seu tempo entre os escritórios da empresa em São Paulo, Rio e Brasília. É grande o número de pessoas que dependem de suas decisões diariamente. Como dificilmente conseguia dar conta de todas suas atividades ao longo do dia, acessava seus e-mails por volta de 23:30, depois que seus filhos pequenos já iam para cama ou quando estava tranqüila num hotel. Com isso ficava pilhada e não conseguia dormir antes das 2 ou 3 da manhã. "Com o Blackberry eu resolvo muitas coisas no trânsito, a caminho do escritório, na espera de um almoço ou jantar. Não sei como seria minha vida hoje sem ele". Para ilustrar ela dá o exemplo do que acontece em suas manhãs: "Levanto muito cedo e já da cama disparo os e-mails emergenciais. Levanto, faço meus exercícios físicos e depois, a caminho do escritório, já vou respondendo os e-mails que recebi. Quando chego para trabalhar, quase todos os e-mails da parte da manhã foram trocados".

Sobre o que muitos dizem à respeito da dependência dessas tecnologias, ela rebate: "Eu me via como escrava antes, porque sempre que estava em casa ou em hotel me sentia na obrigação de ligar um notebook ou desktop para trabalhar. Agora, pela portabilidade, faço isso de qualquer lugar com uma rapidez e agilidade incríveis", finaliza.

Apoio corporativo

Por meio de e-mail, a assessoria da CGCom da TV Globo informa que a empresa, há dois anos, apóia as ações ligadas a Semana da Inclusão Digital, uma iniciativa do Comitê para a Democratização da Informática (CDI). Neste semana, todas as unidades do CDI abrem suas portam para oferecerem noções de informática e navegação para todos os interessados.

A Rede Globo e suas Afiliadas abrem espaço na programação, veiculando os filmes da Campanha, através de matérias jornalísticas, além de ações de cross mídia na grade TV Globo com histórias de sucesso que foram transformadas pelo CDI, através da inclusão digital. O apoio teve início em 2007 e se repetiu agora em 2008 novamente. Nesse tempo, foram veiculadas 8494 inserções sobre a Semana na programação de todas as emissoras Globo e afiliadas e foram realizadas 34 matérias especificas sobre essa ação do CDI.

Também durante esses dois anos, o CDI foi apoiado pela Campanha Criança Esperança em seus Espaços de Informática e Cidadania, em todo o país, com o objetivo de favorecer o acesso às tecnologias da informação e comunicação, realizar capacitação para o seu uso e instrumentalizar adolescentes e jovens na apropriação dos recursos tecnológicos.

A Microsoft também é parceira do CDI. A empresa está presente no Brasil desde 1985 e desde sempre manteve programas de apoio à democratização da informática. Esses programas se baseiam em três vertentes básicas: programas destinados à escolas públicas de ensino fundamental, programas destinados à jovens prestes a terminar seus cursos superiores e ingresso no mercado de trabalho e programas destinados à formação de cidadania e inclusão digital.

Nessa terceira vertente, está o apoio a programas de entidades não governamentais, como o CDI, o Instituto Ayrton Senna, o Instituto Crescer para a Cidadania e o Instituto Comunitas. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Microsoft informa que o apoio a esses projetos está basicamente ligado à distribuição de softwares como o Windows e o Office para uso sem restrição e doação de equipamentos remodelados e recondicionados. A parceria com o CDI é uma das mais antigas ações sociais que a empresa promove na América Latina, desde 1999, incentivando suas mais de mil escolas de TI e cidadania voltados para jovens carentes. O apoio da Microsoft vai ajudar o CDI a atender mais de 600 mil pessoas (incluindo pessoas com necessidades especiais, crianças desalojadas e população indígena), segundo o planejamento das duas entidades.

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