Visão do "Correiro" - Que se abram os arquivos
Visão do "Correiro" - Que se abram os arquivos
Atualizado em 30/10/2004 às 04:10, por
Fonte: jornal Correio Braziliense.
Nas recentes reportagens sobre a repressão política durante o regime militar (1964-1985), este jornal publicou três fotografias de um homem nu, humilhado, sentado no estrado de uma cama. As fotos, que estavam com documentos confidenciais do Doi-Codi do II Exército, foram entregues à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados (CDHU) pelo cabo reformado do Exército José Firmino. Por sete anos, o material permaneceu praticamente intocado na comissão.
Desde logo, houve suspeita de que o personagem das fotografias era o jornalista Vladimir Herzog. Em cumprimento a intimação pessoal, Herzog compareceu ao Doi-Codi no dia 24 de outubro de 1975. A versão dos carcereiros de que ele havia se enforcado com o próprio cinto caiu por terra ante evidências irreplicáveis. Na verdade, foi torturado e morto.
Antes da publicação, o Correio Braziliense tomou a precaução de mostrar as fotos à mulher do jornalista, Clarice Herzog. Ela fez identificação positiva de que, pelo menos, um dos retratos era do marido. E, por diversas vezes, reiterou sua convicção. Ontem, o secretário especial de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, exibiu a Clarice as fotos publicadas por este jornal junto com outras seqüenciais. Ela voltou atrás. Afirmou que nenhuma delas retratava Herzog.
O Correio cumpre o dever de informar seus leitores sobre a nova versão de Clarice. Está consciente, todavia, de que os fatos decorrentes do assunto, como a primeira nota oficial divulgada pelo Exército Brasileiro, mostram que é imperativa a abertura dos arquivos do regime militar, conforme exige a consciência civilizada do país.






