Villas Boas Corrêa comenta a crise do mensalão

Villas Boas Corrêa comenta a crise do mensalão

Atualizado em 27/06/2005 às 12:06, por Gabriel Kwak.

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Em entrevista exclusiva à Imprensa, o colunista do Jornal do Brasil e do site No Mínimo, Villas Boas Corrêa, comentou a crise do "mensalão" e sua repercussão nos meios de comunicação. Confira o que pensa o decano dos jornalistas políticos brasileiros:

"A entrevista do Roberto Jefferson está evidentemente provocando um enorme escândalo e já começam a aparecer indícios de provas e documentos. Algumas declarações começam a ficar mais veementes, como o ACM dizer que se a CPI apurar, um terço da Câmara vai ser cassada. Está faltando o motorista que se bote em brios cívicos, a secretária que apareça com recibos. Isto é inevitável e probabilíssimo que apareça.
Pelo menos, há dois anos que eu ouço falar em "mensalão", não exatamente assim. Os lobbies estavam comprando deputados para ter uma tropa que defendesse seus interesses.
É muito cedo para fazer conjeturas. Onde vão chegar essas CPIs?
Como a imprensa pode deixar de repercutir que um deputado, presidente do PTB, que recepcionou em sua casa o presidente da República e sua côrte e faz uma denúncia dessas? Os partidos são todos vinhos da mesma pipa, uns mais azedos e outros mais doces.
Não há uma semelhança tão nítida entre o escândalo do "mensalão" e o da compra de votos para aprovar a emenda da reeleição. O Fernando Henrique estaria consagrado se tivesse feito só o primeiro governo. Naquele tempo, não apareceu o PC, o Delúbio...Foi um lance lamentável que maculou a biografia do Fernando Henrique.
Os três poderes estão fragilizados, inclusive o Judiciário. Não estavam assim no tempo do Collor nem do Fernando Henrique. Este é o pior Congresso da história. Qual é a diferença entre "mensalão" e a verba indenizatória? A verba indenizatória é um saque ao cofre da viúva camuflado de uma verba para pagar o fim de semana de deputado. Isso é a uva mais suculenta de todo o acho de mordomias. Um deputado custa mais de 100 mil para o país, somando os 15 subsídios. Esse "exemplo dignificante" está sendo copiado por Assembléias Legislativas e Câmaras de Vereadores, com a corda acima do pescoço da Lei de Responsabilidade Fiscal."