Vidas em pauta

Vidas em pauta

Atualizado em 05/12/2008 às 19:12, por Redação Revista Imprensa.

A prefeitura de Osasco em parceria com a Unicepan/Sampa.org coloca em prática o projeto Osasco Digital. O município possuiu hoje 12 telecentros sendo 10 comunitários. Um dos principais objetivos do projeto é a implementação nos telecentros localizados em comunidades de Osasco, de oficinas de texto focadas na produção de conteúdo. "A vida deles está excluída do noticiário. A cultura deles, o modo de vida deles, as demandas deles. Ali tem gente, ali tem vida e isso é absolutamente desprezado quando você pensa na grande mídia", explica Mauricio Falavigna - Coordenador do projeto por parte da sociedade civil. Depois de desenvolver o texto, Falavigna pretende trabalhar com rádio web, vídeos e fotografia, para transformar os telecentros em um espaço multimídia de fato.


Mauricio Falavigna

A equipe de IMPRENSA visitou um dos telecentros de Osasco. Inaugurado em julho de 2008, as instalações são improvisadas em um barracão construído pela Prefeitura. A previsão era de que os computadores fossem instalados no centro cultural que está sendo construído na região. "Quando os aparelhos chegaram eles não tiveram dúvida. 'Nós queremos que instale já'. Conseguimos puxar eletricidade e eles estavam usando o banheiro da obra, mas agora construíram banheiros, mas é totalmente improvisado ainda". O telecentro ganhou importância para a comunidade. A idéia agora é que, mesmo depois de pronto o centro cultural, que este local seja mantido. A concorrência é grande. Normalmente há fila para usar os 12 computadores disponíveis. Há inclusive alunos com quatro anos de idade usando o computador com certa destreza.

Veja abaixo alguns depoimentos de quem freqüenta - alguns diariamente - o telecentro.

Rose, 35 anos:
Fez duas semanas de aula de informática básica. Queria aprender a mexer no computador. No computador de casa ela grava CD, baixa foto. Vai quase todo dia no telecentro. "Entro na internet mas ainda estou meio embaralhada". Adora mexer no computador. A primeira vez que teve contato com computador foi no telecentro "Mas eu tinha vontade de aprender, pra fazer um curso, pra ver se eu conseguia entrar no mercado de trabalho, porque por enquanto sou dona de casa. Eu não sabia do telecentro, fiquei sabendo por amigos e vim e tive aula. Moro com meu esposo e meu filho de 13 anos. Ele sabe mexer em computador, mas não tem paciência para me ensinar"

Tatiana, monitora: "uso muito as letras com os menores. A de amor, G de gato. Aí falo: www e eles repetem, é muito legal. Eu faço parte da comunidade. Aqui tem o projeto PAC que fez a urbanização do local. Fiz uma capacitação, passei e estou hoje aqui trabalhando na comunidade. "Gosto muito de lidar com as crianças, adolescentes, gente de qualquer idade. Eles gostam do ambiente, se sentem bem, se sentem como se estivessem na casa deles. O barracão foi feito pela prefeitura e a gente deu uma incrementardinha, eu trouxe as caixas de som, uns fones e a gente vai organizando".

Gilmar, 25:
não vai todos os dias. Usa mais pra conversar com parentes distantes do interior da cidade. "A gente vem aqui pra falar pelo orkut pelo msn. Minha mulher vem pra fazer os trabalhos dela e minha filha vem e fica brincando". Já mexia no computador de casa. "Mas não temos condições de pagar internet, então só fazia o básico no computador, algum trabalhinho. Internet não tínhamos acesso, só agora com essa implantação. Achei muito bom o que fizeram aqui. A Tati ensina, quando minha filha (de 5 anos) vem brincar aqui, ela ensina tudo bonitinho, ensina as letras, muito bom aqui. Gostei muito. É bom também porque não deixa a criançada na rua, aprendendo o que é errado. Ao invés de ficar fazendo coisa errada, pegando mau exemplo, vem aqui fica brincando e aprende melhor. Quem sabe pode até ter uma carreira, fazer um curso. Achei muito bom o que fizeram aqui, pra mim foi ótimo".

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