Verdades e mentiras da comunicação

Verdades e mentiras da comunicação

Atualizado em 04/12/2009 às 16:12, por Lucia Faria.

Verdades e mentiras da comunicação

Quem sou eu para ditar regras e dizer o que é certo ou errado na comunicação? Pensando bem, até que não sou assim de se jogar fora, tenho algumas qualidades....e me arrisco a palpitar, sim. Vamos a algumas questões polêmicas da área e minha opinião sobre elas. Copiando o que as revistas fazem muito (principalmente as femininas), vou falar sobre as verdades e mentiras da nossa esfera profissional.

1) Cliente sempre tem razão.
Depende . Essa história de que ele paga, ele manda, não é bem assim. Cliente não pode achar que somos pagos para substituir atividades inerentes à agência de propaganda, por exemplo. Ainda há muita confusão em relação à mídia espontânea e os limites de nossas ações. Com bom jeito e educação é possível mostrar a eles que contrataram especialistas na área, por isso precisam ouvir e seguir nossas orientações.

2) Jornalista é arrogante.
Depende . Como em qualquer profissão, tem de tudo. O arrogante, aquele que se acha acima do bem e do mal, mas também o que tem bom senso e elegância para tirar do entrevistado as confissões mais profundas. Esta semana uma jornalista me enviou cartão de Natal com uma mensagem linda. Nunca tinha recebido algo parecido de uma colega de imprensa. Ela admira nosso trabalho e fez o registro. Quer coisa mais legal do que isso?

3) Assessorias de imprensa emperram o trabalho das redações.
Depende . Essa ainda é a visão de alguns colegas de redação, que têm na trajetória profissional algumas experiências ruins com assessorias. Quero ver sair uma edição de jornal sem o envolvimento de agências de comunicação, seja para uma ideia de pauta, uma sugestão de fonte, uma intermediação. Enfim, colaboração é a palavra-chave. Só que cada um tem de entender os limites do outro.

4) O que sai na internet é mal apurado.
Depende . Temos enfrentado alguns problemas de colegas da redação que sobem a notícia sem apuração, apenas para correr na frente dos demais e dizer que deu o furo. Depois checam melhor e mexem no texto, corrigem dados. Isso causa problemas, incomoda. Mas é preciso admitir que isso já foi mais comum tempos atrás e que tem mudado bastante com contratação de profissionais bem legais para tocar projetos online.

5) Donos de assessorias somem do cliente após fechar contrato
Depende . Quem conduz seu negócio assim está fadado ao insucesso. Cada vez mais os clientes querem agências nas quais os donos capitaneiem o processo, se envolvam na estratégia, coloquem a mão na massa. Aqueles que delegam todo o processo para a equipe e só aparecem para renovação de contrato podem ter certeza que estão na contramão do que os clientes desejam.

6) Para ser bom assessor é preciso ter trabalhado em redação
Depende . Nem todo mundo que conhece os meandros das redações se torna um bom gestor de comunicação. Facilita muito entender como funciona a imprensa, que tipo de informação interessa ou não, o mecanismo dos veículos de comunicação, a hierarquização da notícia etc. No entanto, mudar de lado do balcão significa também entender como é o processo de uma agência de comunicação, a atuação de um profissional especializado na comunicação corporativa, as atividades de relações públicas etc.

7) Assessor ganha mais do que jornalistas de redação
Depende . Tem gente que ganha bem nas redações, sim. E tem gente que ganha mal nas agências, claro. Não há regras, há competências. Em qualquer ambiente corporativo é assim.

Ué, mas até agora eu não coloquei aqui nenhuma verdade ou mentira. Todas as respostas foram em cima do muro. Será que estou tucanando? Acho que não, só estou tentando dizer que não há verdades nem mentiras. Só pontos de vistas diferenciados e que não podemos ter certezas absolutas. Tristes daqueles que ainda não entenderam a necessidade de um olhar flexível sobre as questões que envolvem nosso setor a fim de apontar os melhores caminhos.