"Verdade" ou não "verdade", eis a questão/Por Josias Cruz - UNIP/SP
"Verdade" ou não "verdade", eis a questão/Por Josias Cruz - UNIP/SP
Atualizado em 31/05/2005 às 14:05, por
Josias Cruz, Universidade Paulista (UNIP) e São Paulo - SP.
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O desejo de aprender e de conhecer leva-me, dia após dia, a mergulhar de fato nos livros para adquirir um pouco mais de conhecimento. E foi num desses dias que, folheando um livro em uma biblioteca de São Paulo, li algo que me deixou sinceramente muito pensativo. Eu só estou apenas iniciando essa nova caminhada, a do jornalismo, e amo o que faço, eu quero levar informações precisas às pessoas, fazê-las formar suas opiniões, mas sei também que nessa caminhada vão tentar me refrear, não vai ser fácil, aliás, não está sendo fácil. Há alguns meses, aqui mesmo no "palavra do foca", nosso amigo Diego Antonelli citou "Ilusões Perdidas" de Honoré de Balzac, em que quase se diz que ser jornalista é tudo uma "ilusão", estou de acordo, tudo isso por causa das manipulações e empecilhos que muitos acabam sofrendo no caminho, onde é que está a liberdade de expressão? Bem, voltando ao assunto, o que eu lia era um texto de Carlos Drummond de Andrade intitulado: Verdade. Nele, uma polêmica, a de saber quem têm a total "verdade"?
"... Chegaram ao lugar luminoso onde a verdade esplendia seus fogos. Era dividida em metades, diferentes uma da outra. Chegou-se a discutir qual a metade mais bela. Nenhuma das duas era totalmente bela. Carecia optar. Cada um optou conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia". (Carlos Drummond de Andrade).
Ninguém tem a verdade por inteiro, mas o bom jornalista tem a "metade" que incomoda muita gente, e a "metade" que está em nossas mãos é suficiente para fazer despertar interesses nas pessoas ou, pelo menos, fazer com que elas analisem os fatos.
Mais difícil ainda é existir alguém que queira escutar essa "metade" da "verdade", ou ainda "permitirem" que as pessoas ouçam essa "metade", aí entra a manipulação de informação e, José Arbex Jr. relata isso de uma forma muito crítica em seu livro "O jornalismo Canalha" onde é mencionado a invasão do Iraque pelos Estados Unidos e o surgimento da figura do embedded, ou "acamado", "é aquele jornalista que aceita submeter-se a uma série de cinqüenta normas estabelecidas pelo exército dos Estados Unidos e, aceitando-a, ele passa a não ter a menor independência, nem sequer para observar os fatos". Muita coisa aconteceu ali, e devido a esse controle de informações, o que então foi mostrado para nós aqui? Exatamente aquilo que só interessava a "eles", os Estados Unidos como o "mocinho" e os Iraquianos, coitados, como os "bandidos".
A outra "metade" da "verdade" não foi mostrada, mas ela existe. Mas cadê? Você soube de alguma coisa? Ninguém soube. É uma pena que muitos de nossos "amigos" de trabalho se vendam por tão pouco.
É nosso dever, de jornalistas, descobrirmos essa "metade" da "verdade", aquela que realmente interessa e deve ser passada para as pessoas e que, infelizmente, muitas vezes acaba sendo inibida por "gentes" que não querem ouvi-la ou deixar que outros ouçam essa "metade". Será medo de que essa "verdade" as faça mudar? Mudar os seus conceitos, pensamentos, atitudes e decisões?
Em uma cena do filme "Paixão de Cristo", de Mel Gibson, Pilatos, depois de ter tido um diálogo com Jesus e de ter ouvido do próprio Cristo a palavra "verdade", perguntou para sua esposa: "O que é a verdade?", e ela lhe respondeu: "Se não queres ouvir a verdade, ninguém pode te dizer".
É por aí, há quem queira dizer a "verdade", ou parte dela, porém há aqueles que não a querem ouvir e nem deixam que essa "verdade", ou parte dela, seja dita.
Que fique bem claro, existem duas "metades" da "verdade", "Chegou-se a discutir qual a metade mais bela". Será que a "metade" que eu (jornalista) tenho é a verdadeira ou a "deles"? "Nenhuma das duas era totalmente bela", tudo bem, ninguém é o dono da "verdade", mas é necessário que aprendam a ouvir as duas "metades", a minha (jornalista) e a "deles". Talvez a minha (jornalista) incomode mais que a "deles", essa ninguém quer ouvir e ainda a tacham como mentira, e a "metade" deles é a que mais aparece.
Que seja permitido que as duas "metades" da "verdade", tanto as minhas (jornalista) quanto as "deles", sejam apresentadas às pessoas e que cada uma dessas pessoas decida "... conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia".

O desejo de aprender e de conhecer leva-me, dia após dia, a mergulhar de fato nos livros para adquirir um pouco mais de conhecimento. E foi num desses dias que, folheando um livro em uma biblioteca de São Paulo, li algo que me deixou sinceramente muito pensativo. Eu só estou apenas iniciando essa nova caminhada, a do jornalismo, e amo o que faço, eu quero levar informações precisas às pessoas, fazê-las formar suas opiniões, mas sei também que nessa caminhada vão tentar me refrear, não vai ser fácil, aliás, não está sendo fácil. Há alguns meses, aqui mesmo no "palavra do foca", nosso amigo Diego Antonelli citou "Ilusões Perdidas" de Honoré de Balzac, em que quase se diz que ser jornalista é tudo uma "ilusão", estou de acordo, tudo isso por causa das manipulações e empecilhos que muitos acabam sofrendo no caminho, onde é que está a liberdade de expressão? Bem, voltando ao assunto, o que eu lia era um texto de Carlos Drummond de Andrade intitulado: Verdade. Nele, uma polêmica, a de saber quem têm a total "verdade"?
"... Chegaram ao lugar luminoso onde a verdade esplendia seus fogos. Era dividida em metades, diferentes uma da outra. Chegou-se a discutir qual a metade mais bela. Nenhuma das duas era totalmente bela. Carecia optar. Cada um optou conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia". (Carlos Drummond de Andrade).
Ninguém tem a verdade por inteiro, mas o bom jornalista tem a "metade" que incomoda muita gente, e a "metade" que está em nossas mãos é suficiente para fazer despertar interesses nas pessoas ou, pelo menos, fazer com que elas analisem os fatos.
Mais difícil ainda é existir alguém que queira escutar essa "metade" da "verdade", ou ainda "permitirem" que as pessoas ouçam essa "metade", aí entra a manipulação de informação e, José Arbex Jr. relata isso de uma forma muito crítica em seu livro "O jornalismo Canalha" onde é mencionado a invasão do Iraque pelos Estados Unidos e o surgimento da figura do embedded, ou "acamado", "é aquele jornalista que aceita submeter-se a uma série de cinqüenta normas estabelecidas pelo exército dos Estados Unidos e, aceitando-a, ele passa a não ter a menor independência, nem sequer para observar os fatos". Muita coisa aconteceu ali, e devido a esse controle de informações, o que então foi mostrado para nós aqui? Exatamente aquilo que só interessava a "eles", os Estados Unidos como o "mocinho" e os Iraquianos, coitados, como os "bandidos".
A outra "metade" da "verdade" não foi mostrada, mas ela existe. Mas cadê? Você soube de alguma coisa? Ninguém soube. É uma pena que muitos de nossos "amigos" de trabalho se vendam por tão pouco.
É nosso dever, de jornalistas, descobrirmos essa "metade" da "verdade", aquela que realmente interessa e deve ser passada para as pessoas e que, infelizmente, muitas vezes acaba sendo inibida por "gentes" que não querem ouvi-la ou deixar que outros ouçam essa "metade". Será medo de que essa "verdade" as faça mudar? Mudar os seus conceitos, pensamentos, atitudes e decisões?
Em uma cena do filme "Paixão de Cristo", de Mel Gibson, Pilatos, depois de ter tido um diálogo com Jesus e de ter ouvido do próprio Cristo a palavra "verdade", perguntou para sua esposa: "O que é a verdade?", e ela lhe respondeu: "Se não queres ouvir a verdade, ninguém pode te dizer".
É por aí, há quem queira dizer a "verdade", ou parte dela, porém há aqueles que não a querem ouvir e nem deixam que essa "verdade", ou parte dela, seja dita.
Que fique bem claro, existem duas "metades" da "verdade", "Chegou-se a discutir qual a metade mais bela". Será que a "metade" que eu (jornalista) tenho é a verdadeira ou a "deles"? "Nenhuma das duas era totalmente bela", tudo bem, ninguém é o dono da "verdade", mas é necessário que aprendam a ouvir as duas "metades", a minha (jornalista) e a "deles". Talvez a minha (jornalista) incomode mais que a "deles", essa ninguém quer ouvir e ainda a tacham como mentira, e a "metade" deles é a que mais aparece.
Que seja permitido que as duas "metades" da "verdade", tanto as minhas (jornalista) quanto as "deles", sejam apresentadas às pessoas e que cada uma dessas pessoas decida "... conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia".






