Ventos de Cannes
Ventos de Cannes
De Cannes sopram ventos bons e ventos ruins. Os bons: países de pouca tradição publicitária e com pouco histórico no Festival apresentaram cases memoráveis em várias categorias; seis ouros brasileiros (cinco a mais que no ano passado, apesar da queda no cômputo total), em um cenário de retração em todos os níveis do Festival; e, como sempre, o revigoramento que a troca de ideias e experiências permite àqueles que participam do encontro. Agora, os ruins: frente ao desafio da imposição digital sobre as mídias tradicionais, pouco se discutiu o futuro dos modelos clássicos de veiculação e planejamento de mídia. E, insistente, uma pergunta ficou sem respostas: se o futuro pertence às redes digitais - cujo signo mais contemporâneo, o Twitter, pousou em nossa capa - e aos projetos independentes de internet, quem vai financiar o conteúdo profissional em entretenimento e jornalismo da mídia offline?
Outro vento - ainda brisa, aliás - relaciona-se ao confronto entre os bureaus de mídia e as agências full service, que ainda se manifesta (em especial na categoria Media Lions, objeto da nossa edição) mas já dá sinais de enfraquecimento. Cannes indicou uma tendência de que os bureaus passem também a atender várias demandas dos clientes, não apenas a comercialização, e sinalizou que o modelo adotado no Brasil seria mais inteligente, honesto e completo. Sim, nós já sabíamos.






