Vencedores estaduais do Prêmio Sebrae de Jornalismo falam de suas pautas e o fator sorte
Quem é repórter sabe que apesar de toda a dedicação e determinação para encontrar bons personagens, uma dose de sorte é sempre bem-vinda e faz diferença.
Atualizado em 09/06/2015 às 13:06, por
Jéssica Oliveira.
Morador do bairro dos Estados, na capital paraibana, nas idas à feira ele encontrou mais do que itens fresquinhos para sua casa.
Crédito:Arquivo pessoal Jornalista desde 2006, Hebert Araújo está na CBN há três anos
Aos poucos, ele foi descobrindo pequenos pedaços de uma grande história e juntou tudo na reportagem , que venceu a etapa estadual do na categoria "Rádio".
A matéria mostra como agricultores familiares de seis cidades da Zona da Mata paraibana melhoraram de vida depois que passaram a cultivar alimentos orgânicos. Araújo conta a trajetória deles e de produtores que, com a ajuda do Sebrae ,deram adeus aos agrotóxicos, formaram uma associação e levaram novas opções para os consumidores.
“A cada nova informação víamos que valia a pena contar essa história. Às vezes, a gente observa o entorno, com tanta coisa dizendo ‘não’, mas quando vê esse tipo de caso percebe que, com conhecimento e cooperação, se superam as dificuldades”, diz.
Além da pauta, o jornalista encontrou na feira personagens que renderam ótimas entrevistas e frases, incluindo uma médica que fazia compras e falou como consumidora e profissional da saúde, e o feirante Manuel Guilhermino, primeiro a abandonar os agrotóxicos na região. “Quase que me batem porque eu colocava na cabeça do pessoal ‘Vamo trabalhar sem veneno?’, ‘Você tá louco?? A gente já passa fome com veneno. Sem veneno, aí é que é pior”, disse.
Além de preservar o sotaque e o jeito de falar de cada personagem, a edição da matéria foi pensada para aproximar público e conteúdo. “O som ao redor e dos feirantes ficou, porque como repórter preciso fazer com que meu ouvinte se sinta na pauta, caminhando pela feira”. Crédito:Arquivo pessoal The Book foi criada em 2013 com foco em histórias inspiradoras
Já Adevania Silveira, editora da revista The Book , conheceu seu personagem da matéria por meio de um empresário de Goiânia (GO). Colecionador de artes, ele falou de Evandro Soares, um ex-serralheiro que virou um artista premiado.
“Quisemos contar a história dele. Ele era um serralheiro, foi consertar um portão, recebeu do dono um jornal para não sujar o chão, viu um concurso, se inscreveu e ganhou. Ele já tinha uma curiosidade em relação a arte e fazia algumas esculturas com o resto de material da serralheira, mas foi depois desse jornal que tudo mudou”, explica Adevania. Com a matéria, a jornalista e o fotógrafo Edgard Soares venceram a etapa estadual do prêmio em Goiás na categoria "Imagem jornalística".
Essa é a segunda conquista da publicação trimestral que tem como conceito contar histórias inspiradoras. Em 2014, o periódico venceu na mesma categoria com a matéria “Ah, se ela falasse francês!”, sobre o centenário doce de marmelo, a marmelada Santa Luzia, produzida artesanalmente em Luziânia.
“Procuramos trabalhar muito com imagens, com um conceito diferente na matéria. Temos buscado esse diferencial desde o começo da The Book. O Edgard é especialista em fotos de gastronomia, chamei ele porque queria alguém que não tivesse um vício de retrato, de fotojornalismo, mas que entendesse muito de luz”, explica.
Crédito:Arquivo pessoal Yano sempre quis mostrar a cultura do açaí no AM
Repórter com experiência em televisão desde 1997, o jornalista Yano Sérgio Delgado Gomes sempre quis mostrar a cultura do açaí no Amazonas. Com passagens pela afiliada da Globo em Roraima e no Pará, ele conseguiu sua chance na Bandeirantes em 2014, ao lado do cinegrafista Alberto Júnior.
"Sabia que existia um polo do açaí no Amazonas, mas que nunca tinha decolado. Aí de repente soube que existia um esforço em colocar técnicos, dar uma assessoria melhor, e que estava dando certo nos municípios de Anori e Codajás. As pessoas me falavam de um movimento muito forte, de gente até saindo da capital para investir nesse negócio. Me interessei e fui investigar", lembra.
As descobertas da equipe resultaram na reportagem , vencedora da etapa estadual no AM. Gomes e a equipe visitaram propriedades, produtores e conheceram vários personagens que deram cara à pauta.
"Um senhor trocou o gado pelo açaí e viu os filhos voltarem da capital para ajudar. Em dois anos tiveram ganhos enormes. Teve também um empresário em Manaus que soube do movimento da cultura do açaí, largou o negócio, comprou um pedaço de terra e começou a plantar. Todo mundo achou que ele era louco", explica.
Gomes lembra que tinha noção do que poderia encontrar nas viagens e apuração in loco, mas ao chegar nos locais, foi surpreendido porque a pauta rendeu muito mais. Para ele, a reportagem é especial porque não mostra apenas casos de sucesso, mas conta exemplos de quem ainda está batalhando no caminho de empreender.
"É gratificante ter esse trabalho reconhecido. Fomentar o empreendedorismo no Brasil é uma ferramenta valiosa para o desenvolvimento social, e no Amazonas isso tem um impacto muito forte. Tem muita gente escondida por aí que precisa de exemplos, de um fio de esperança. Pautar o empreendedorismo deveria ser obrigação em todas as redações. É empurrar o Brasil para frente".
Prêmio Sebrae de Jornalismo (PSJ)
O prêmio é uma realização do Sebrae em parceria com a Revista IMPRENSA. A cerimônia de entrega da etapa nacional será realizada dia 10 de junho na sede do Sebrae Nacional, em Brasília (DF). O primeiro lugar em cada uma das cinco categorias do prêmio - Jornalismo Impresso, Rádio, TV, Web e Imagem Jornalística (foto e reportagem cinematográfica) – receberá R$ 15 mil. Os vencedores estaduais se destacaram entre 1.302 trabalhos inscritos em todas as regiões do País.
Crédito:Arquivo pessoal Jornalista desde 2006, Hebert Araújo está na CBN há três anos
Aos poucos, ele foi descobrindo pequenos pedaços de uma grande história e juntou tudo na reportagem , que venceu a etapa estadual do na categoria "Rádio".
A matéria mostra como agricultores familiares de seis cidades da Zona da Mata paraibana melhoraram de vida depois que passaram a cultivar alimentos orgânicos. Araújo conta a trajetória deles e de produtores que, com a ajuda do Sebrae ,deram adeus aos agrotóxicos, formaram uma associação e levaram novas opções para os consumidores.
“A cada nova informação víamos que valia a pena contar essa história. Às vezes, a gente observa o entorno, com tanta coisa dizendo ‘não’, mas quando vê esse tipo de caso percebe que, com conhecimento e cooperação, se superam as dificuldades”, diz.
Além da pauta, o jornalista encontrou na feira personagens que renderam ótimas entrevistas e frases, incluindo uma médica que fazia compras e falou como consumidora e profissional da saúde, e o feirante Manuel Guilhermino, primeiro a abandonar os agrotóxicos na região. “Quase que me batem porque eu colocava na cabeça do pessoal ‘Vamo trabalhar sem veneno?’, ‘Você tá louco?? A gente já passa fome com veneno. Sem veneno, aí é que é pior”, disse.
Além de preservar o sotaque e o jeito de falar de cada personagem, a edição da matéria foi pensada para aproximar público e conteúdo. “O som ao redor e dos feirantes ficou, porque como repórter preciso fazer com que meu ouvinte se sinta na pauta, caminhando pela feira”. Crédito:Arquivo pessoal The Book foi criada em 2013 com foco em histórias inspiradoras
Já Adevania Silveira, editora da revista The Book , conheceu seu personagem da matéria por meio de um empresário de Goiânia (GO). Colecionador de artes, ele falou de Evandro Soares, um ex-serralheiro que virou um artista premiado.
“Quisemos contar a história dele. Ele era um serralheiro, foi consertar um portão, recebeu do dono um jornal para não sujar o chão, viu um concurso, se inscreveu e ganhou. Ele já tinha uma curiosidade em relação a arte e fazia algumas esculturas com o resto de material da serralheira, mas foi depois desse jornal que tudo mudou”, explica Adevania. Com a matéria, a jornalista e o fotógrafo Edgard Soares venceram a etapa estadual do prêmio em Goiás na categoria "Imagem jornalística".
Essa é a segunda conquista da publicação trimestral que tem como conceito contar histórias inspiradoras. Em 2014, o periódico venceu na mesma categoria com a matéria “Ah, se ela falasse francês!”, sobre o centenário doce de marmelo, a marmelada Santa Luzia, produzida artesanalmente em Luziânia.
“Procuramos trabalhar muito com imagens, com um conceito diferente na matéria. Temos buscado esse diferencial desde o começo da The Book. O Edgard é especialista em fotos de gastronomia, chamei ele porque queria alguém que não tivesse um vício de retrato, de fotojornalismo, mas que entendesse muito de luz”, explica.
Crédito:Arquivo pessoal Yano sempre quis mostrar a cultura do açaí no AM
Repórter com experiência em televisão desde 1997, o jornalista Yano Sérgio Delgado Gomes sempre quis mostrar a cultura do açaí no Amazonas. Com passagens pela afiliada da Globo em Roraima e no Pará, ele conseguiu sua chance na Bandeirantes em 2014, ao lado do cinegrafista Alberto Júnior.
"Sabia que existia um polo do açaí no Amazonas, mas que nunca tinha decolado. Aí de repente soube que existia um esforço em colocar técnicos, dar uma assessoria melhor, e que estava dando certo nos municípios de Anori e Codajás. As pessoas me falavam de um movimento muito forte, de gente até saindo da capital para investir nesse negócio. Me interessei e fui investigar", lembra.
As descobertas da equipe resultaram na reportagem , vencedora da etapa estadual no AM. Gomes e a equipe visitaram propriedades, produtores e conheceram vários personagens que deram cara à pauta.
"Um senhor trocou o gado pelo açaí e viu os filhos voltarem da capital para ajudar. Em dois anos tiveram ganhos enormes. Teve também um empresário em Manaus que soube do movimento da cultura do açaí, largou o negócio, comprou um pedaço de terra e começou a plantar. Todo mundo achou que ele era louco", explica.
Gomes lembra que tinha noção do que poderia encontrar nas viagens e apuração in loco, mas ao chegar nos locais, foi surpreendido porque a pauta rendeu muito mais. Para ele, a reportagem é especial porque não mostra apenas casos de sucesso, mas conta exemplos de quem ainda está batalhando no caminho de empreender.
"É gratificante ter esse trabalho reconhecido. Fomentar o empreendedorismo no Brasil é uma ferramenta valiosa para o desenvolvimento social, e no Amazonas isso tem um impacto muito forte. Tem muita gente escondida por aí que precisa de exemplos, de um fio de esperança. Pautar o empreendedorismo deveria ser obrigação em todas as redações. É empurrar o Brasil para frente".
Prêmio Sebrae de Jornalismo (PSJ)
O prêmio é uma realização do Sebrae em parceria com a Revista IMPRENSA. A cerimônia de entrega da etapa nacional será realizada dia 10 de junho na sede do Sebrae Nacional, em Brasília (DF). O primeiro lugar em cada uma das cinco categorias do prêmio - Jornalismo Impresso, Rádio, TV, Web e Imagem Jornalística (foto e reportagem cinematográfica) – receberá R$ 15 mil. Os vencedores estaduais se destacaram entre 1.302 trabalhos inscritos em todas as regiões do País.





