Velhos fantasmas

Velhos fantasmas

Atualizado em 04/11/2010 às 21:11, por Luiz Gustavo Pacete,  da Equipe de Estagiários. Por Pamela Forti e  da Reportagem.

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O mês de setembro parece ter ressuscitado alguns fantasmas que assolaram o jornalismo entre as décadas de 1960 e 1970. No salão nobre do Clube Militar do Rio de Janeiro foi realizado um evento em favor da democracia e liberdade de expressão, algo impensável há 46 anos, quando o exército torturava jornalistas. No mesmo mês, no auditório que leva o nome do jornalista Vladimir Herzog - torturado e morto durante o regime militar -, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) sediou outra manifestação feita por diversas entidades pró-governo, contra o que chamaram de "Partido Imprensa Golpista (PIG)". A poucos quilômetros, em frente à faculdade de direito do largo de São Francisco, um grupo de juristas, sociólogos, empresários, professores e estudantes, liderados pelo ex-petista Hélio Bicudo, se reuniu para protestar contra as afirmações de Lula e os supostos abusos do governo em relação à imprensa. Em Tocantins, um canal de televisão colocou no ar uma receita de bolo em vez do noticiário programado, pois fora impedido de publicar denúncias contra o candidato à reeleição ao governo.

Francisco Fonseca, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e autor do livro "O Consenso Forjado: a Grande Imprensa e a Formação da Agenda Ultraliberal no Brasil", destaca que "tais manifestações, mais do que exagero, são factoides". Para o professor, o batido termo "liberdade de imprensa" é usado pelos veículos empresariais para justificar sua imunidade em relação a seus atos. Se por um lado os ânimos já estavam exaltados, qualquer movimentação era logo vista como partidarismo político, e não foi diferente entre a mídia e os candidatos.

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