"Veja" mente e muda sentido de manifestação estudantil em Porto Alegre - Por Sonia Corrêa, de Porto Alegre
"Veja" mente e muda sentido de manifestação estudantil em Porto Alegre - Por Sonia Corrêa, de Porto Alegre
"A história em verde-e-amarelo" publicada na edição da revista Veja que está nas bancas (nº 1917, páginas 58 e 59), mais uma vez demonstra a leviandade e desonestidade com que esse veículo faz jornalismo, hospedando os interesses do velho tucanato, expulso pelo povo brasileiro do Palácio do Planalto em 2002.
Porto Alegre assistiu na última quinta-feira (4) uma verdadeira aula de cidadania promovida por centenas de estudantes secundaristas, convocada pela UNE, Ubes e a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS). Sob o slogan "Com Lula, na Luta Contra a Corrupção", os jovens pintaram o rosto de verde-e-amarelo e numa passeata muito alegre e colorida, sob o som da Escola de Samba Imperatriz Dona Leopoldina, circularam pelas ruas da cidade exigindo punição para todos os corruptos, mudanças na política econômica, a aprovação da reforma universitária e também denunciando as manobras golpistas que objetivam desestabilizar o governo Lula.
Legenda subverte a verdade
A atividade teve grande repercussão nos veículos de imprensa, do Jornal do Almoço (RBSTV - afiliada da Rede Globo), passando pela Zero Hora (também do grupo RBS) que publicou a manchete "Caras pintadas preservam presidente", seguido pelo jornal Correio do Povo, TV Educativa do RS e jornal Folha de S. Paulo . Mesmo que estivessem contrariados, publicaram a verdade sobre o caráter da manifestação.
Para a surpresa dos organizadores da passeata de 4 de agosto em Porto Alegre, a revista Veja publica a foto de uma estudante do 2º ano da Escola Técnica Parobé, Hannah Beineke, acompanhada de legenda subvertendo o sentido da manifestação. "Na semana passada, neocaras-pintadas de verde-e-amarelo começaram a se manifestar contra o governo Lula", diz a legenda.
O que diz a moça da foto
Indignada com a atitude da Veja , Hannah confessou que a manifestação do dia 4 foi a primeira em que tomou parte. E que participou porque, ao assistir tantas denúncias de corrupção, que no seu entendimento partem de um histórico "corrupto confesso", referindo-se ao deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), sentiu que precisava fazer a sua parte.
Politizada, Hannah disse que cresceu sonhando com a eleição de Lula e agora percebe que há uma orquestrada tentativa de derrubar o governo a qualquer custo. Mas para ela a alternativa ao governo Lula é o atraso e a volta daqueles que fizeram a história do Brasil de sucessivos governos corruptos, sem qualquer compromisso com o povo brasileiro. "Por isso, defendo a punição aos corruptos e defendo o governo Lula. Não podemos ver as coisas acontecendo e nos acomodar achando que tudo sempre foi assim e sempre será. Cada um tem que fazer sua parte para mudar. O momento é de uma grande reforma política, mas com democracia", concluiu Hannah.
Sexta-feira, outra manifestação
Sobre a publicação da sua foto em Veja , Hannah informou que conversou com sua família para analisarem as medidas que irão tomar, já que sua imagem está vinculada a uma mentira. Disse ainda que a atitude de Veja despertou-lhe ainda mais o interesse pela militância estudantil e que pretende incorporar-se à campanhas que denunciem as mentiras da revista. Defende, ainda, que o veículo seja punido.
Hannah Beineke, e sua colega Thays Castro, que a acompanhou na passeata, pretendem participar de outra manifestação, na próxima sexta-feira, contra Roberto Jefferson, que estará em Porto Alegre.
A "explicação" da revista
Confrontada com a inverdade, Veja informou por e-mail que iria apurar se houve "erro da agência" que enviou a foto. A redação da revista diz que "Quanto a querer derrubar o governo, esta tem sido a queixa dos sucessivos governos, desde 1968, quando Veja surgiu, e serviu de desculpa para a implantação da censura na redação. Veja não quer que o presidente Lula caia. Quer que ele cumpra seu mandato como um verdadeiro presidente, descendo do palanque e encarando de frente os problemas gerados, não fora, mas dentro de seu próprio governo e de sua base de apoio no Congresso. O que Veja fez foi mostrar que, da forma como vem reagindo o presidente, está cada vez mais parecido com Collor. É um alerta, que ele deveria ouvir", opina a mensagem.
O que a redação de Veja não diz é que trabalha no sentido de passar para os brasileiros uma imagem do presidente Lula idêntica à de Collor. E, não apenas isso, mas tenta manipular o movimento social. E que, no caso, levou a manipulação ao ponto de usar a imagem de Hannah Beineke exatamente no sentido oposto ao da manifestação expressa da jovem cidadã portoalegrense.






