Veículos suspendem cobertura no Alvorada em resposta a ataques e falta de segurança

Pelo menos sete veículos de comunicação (Band, Folha de S.Paulo, G1, Metrópoles, TV Globo, O Globo e Valor Econômico) confirmaram a decisão de suspender a cobertura jornalística no Palácio do Alvorada.

Atualizado em 26/05/2020 às 10:05, por Redação Portal IMPRENSA.


O Estadão não se manifestou, mas foi noticiado que o jornal não enviou repórteres ao local nesta terça (26).
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) emitiu nota parabenizando a decisão. Ela se deve à crescente violência das agressões verbais e físicas de bolsonaristas contra jornalistas, que atingiram seu ápice nesta segunda. Crédito:Reprodução Folha
Sem ações do governo para garantir a segurança dos profissionais de imprensa, um grupo de apoiadores do presidente se aglomerou e começou a xingar os jornalistas de "lixo, escória, ratazanas" e outros impropérios.

Pouco antes dessas agressões, Bolsonaro, ao passar perto dos repórteres, criticou a imprensa. "No dia que vocês tiverem compromisso com a verdade, eu falo com vocês de novo", disse.
Conforme relato da Folha, "os xingamentos aos jornalistas que esperam a saída de Bolsonaro na porta do Alvorada se tornaram comuns, mas, desta vez, a agressividade foi maior".
Berrando, os militantes quase invadiram o espaço reservado à imprensa, que é separado apenas por um grade baixa. Os seguranças não intervieram em nenhum momento. Em fúria, os bolsonaristas pulavam e gritavam como membros de torcida organizada.
O grupo incluía integrantes do acampamento “300 do Brasil”, que defende táticas e ações paramilitares de apoio ao presidente.
Sem máscara, um deles quase agrediu um repórter, vociferando a um palmo de seu rosto. O jornalista enfrentou o radical pacificamente e gravou toda a cena, mantendo seu celular em punho.