Veículos iniciam preparação para a cobertura da Olimpíada no Rio de Janeiro

Se, na memória dos torcedores, a Copa do Mundo no Brasil ficou marcada pelos gols da Alemanha, para a imprensa, o destaque foi o sucesso na

Atualizado em 24/06/2015 às 15:06, por Vanessa Gonçalves e Alana Rodrigues.

Vanessa Gonçalves e Alana Rodrigues cobertura de um dos maiores eventos esportivos do mundo. Agora, um ano após o Mundial de futebol, veículos e jornalistas iniciam o aquecimento especial para os Jogos Olímpicos Rio 2016.
Crédito:Marcello Casal Jr / Agência Brasil Os fantasmas dos possíveis problemas estruturais, que assombraram às vésperas da Copa, foram exterminados. “Praticamente tudo funcionou. Não houve problemas graves, inclusive nos surpreendeu”, afirma João Palomino, vice presidente de jornalismo e de produção da ESPN Brasil. Para ele, essa experiência proporcionou aos veículos a certeza de que, no Rio de Janeiro, a imprensa poderá trabalhar sem sustos.
Fabio Medeiros, diretor de conteúdo do Esporte Interativo, compartilha essa impressão. “A cobertura dos Jogos Olímpicos tende a ter uma facilidade maior, por ser quase toda na mesma cidade. A Copa do Mundo tinha uma logística complicada. Por serem muitas sedes, o desafio de deslocamento para cobrir tudo o que estava acontecendo em todos os lugares era maior.”
Como lição da Copa em solo verde-amarelo, emissoras de TV, rádios, portais, jornais e revistas apostarão em um olhar mais amplo sobre a competição, especialmente sobre o que acontece fora das arenas esportivas. A fórmula, que deu certo, será replicada na Cidade Maravilhosa.

“Antes da Copa no Brasil, os atletas e as competições eram os principais destaques da cobertura esportiva. A partir do Mundial, começamos a prestar mais atenção na questão da estrutura oferecida, como a mobilidade urbana e o número de vagas em hotéis, além dos protestos nas cidades sede”, explica Luiz Prósperi, editor de “Esportes” do jornal O Estado de S. Paulo.

A produção de um conteúdo que atenda a todos os públicos e não apenas aos amantes de cada esporte é um dos desafios da imprensa esportiva brasileira. “Na Copa, houve um grande empenho em falar não só com o leitor que acompanha futebol, mas também com o leigo, usando recursos didáticos em textos, infografias e vídeos. Nos Jogos Olímpicos, a preocupação será ainda maior, já que serão 42 diferentes esportes. Alguns deles, como pentatlo ou badminton, conhecemos pouco ou quase nada. Nossa função fundamental será explicar aos leitores os fundamentos desses ilustres desconhecidos”, afirma Naief Haddad, editor de “Esportes” da Folha de S.Paulo.
A cobertura dos Jogos Pan-Americano 2015, que serão realizados em Toronto, no Canadá, vai servir como teste para a maioria dos veículos. “Este evento faz parte do planejamento para a Olimpíada no Rio de Janeiro, pois estaremos acompanhando os atletas que lutam pela classificação. Tudo está interligado e faz parte do processo de construção da nossa cobertura esportiva”, diz Douglas Tavolaro, vice-presidente de jornalismo da Record.

Tavolaro garante que a emissora dedicará grande atenção à cobertura da Olimpíada do Rio. “Teremos uma estrutura maior do que a da edição de Londres. O fato de o evento estar sediado em uma cidade brasileira, certamente, tornará a cobertura ainda mais rica”, diz.
Convocação

Faltando pouco mais de um ano para o início do evento, as editorias de esporte dos principais veículos do País já planejam detalhes da cobertura e começam a convocar jornalistas especializados nas modalidades olímpicas, como revela Marceu Vieira, editor do caderno esportivo de O Globo. “Formamos um time olímpico, que já trabalha em pautas específicas e no acompanhamento de atletas. E também estamos definindo toda a infraestrutura necessária, como a reserva de espaço no centro de mídia.”
A Rede Globo começará a cobertura da Olimpíada ainda em 2015. Segundo o canal, serão produzidas mais de duas mil reportagens até o início do evento em Séries e quadros especiais nos telejornais e nos rogramas esportivos. O grande diferencial será a Central Olímpica, um estúdio montado dentro do Parque Olímpico. O local será a “casa” da emissora durante os Jogos. Para o evento, a Globo promete ficar 160 horas no ar durante os 17 dias de competição. Ao todo serão 110 horas de transmissões ao vivo com câmeras exclusivas nos principais esportes.
A cobertura mobilizará cerca de 2 mil profissionais, entre eles o chamado “Time de Ouro”, formado por comentaristas como Guga, Hortência, Maurren Maggi, Gustavo Borges, Tande, Daiane dos Santos, entre outros. A ESPN Brasil planeja manter todos os profissionais destacados para a cobertura dos Jogos Olímpicos, mas isso vai depender do calendário do futebol nacional, que poderá dividir em parte
“A CBF ainda não definiu se o Campeonato Brasileiro vai parar. Se não parar, parte da equipe vai continuar na cobertura do futebol, mas a maioria será destacada à Olimpíada”, garante Palomino. A emissora também terá um time de ex-atletas para comentar as principais competições.
Confira a reportagem completa na edição 312 da Revista IMPRENSA