Revistas impressas e de nicho tem público garantido em Sete Lagoas (MG)

A editora Point atua há mais de 30 anos em Sete Lagoas, município com mais de 200 mil habitantes na região metropolitana de Belo Horizonte, com economia baseada principalmente no setor industrial

Atualizado em 09/01/2026 às 12:01, por Alexandra Itacarambi.

Fotografia de duas pilhas de revistas sobre uma mesa de madeira, com uma toalha estampada ao fundo. À esquerda, a revista “Meu Doutor Minha Doutora” mostra na capa um homem adulto, de pele clara, cabelo curto castanho e barba curta, vestindo camisa azul e blazer escuro, sentado e olhando para a câmera. À direita, a revista “Travessura” traz na capa uma mulher adulta, de pele clara e cabelos longos castanhos, vestindo blusa clara e calça verde, com os braços cruzados, sorrindo levemente para a câmera.

Capa das revistas Meu Doutor, Minha Doutora e Travessura


Em 1993, nasceu em Sete Lagoas (MG) a revista Point, um veículo com uma identidade arrojada para época, voltado para o público jovem da região. Luiz Carlos Romualdo da Silva Filho, um sete-lagoano de coração, nascido em Belo Horizonte, começou como desenhista de quadrinhos. Criou o personagem “Vamp”, que fazia parte das tirinhas nos jornais de Sete Lagoas no final dos anos 80. Com formação em administração de empresas e uma trajetória no ramo da comunicação desde os 17 anos, Luiz Carlos se tornou o criador e editor da revista Point, que rapidamente conquistou seu espaço e se tornou um marco na vida de muitos jovens da região.

Casado com Adriana Braga Ribeiro com dois filhos, o casal resolve dobrar a aposta em outro título nichado. Em 2007, surgiu a Revista Travessura, voltada a parentalidade, acompanhando não só o momento do casal, como do público cativo da Point.

Contudo, a pandemia foi a gota que faltava para encerrar o ciclo de quase 30 anos da revista jovem, e abrir espaço para conteúdos voltados a saúde, com a nova publicação impressa, Meu Doutor, Minha Doutora.

As duas publicações gratuitas têm uma tiragem mensal de 4 mil cada e uma média de 9 mil visualizações na plataforma digital. Além da estratégia de distribuição pelas redes sociais, o pdf da revista é amplamente compartilhado pelo whatsApp, do qual não é possível mensurar seu alcance. 

A seguir, em entrevista concedida por email e whatsApp ao Portal IMPRENSA, Luiz Carlos Romualdo da Silva Filho conta sobre a trajetória profissional de seu projeto editorial e confessa que atualmente só desenha mesmo para os filhos.

Entrevista

Seu projeto editorial está ligado a alguma instituição, fundação ou organização privada? Qual a função e quais são os benefícios deste modelo?

Luiz Carlos - As revistas Travessura e Meu Doutor, Minha Doutora integram o portfólio da Point Promoções e Eventos Ltda., empresa responsável pela gestão editorial, comercial e institucional dos projetos. A empresa surgiu a partir da Revista Point, lançada em 1993 como encarte do jornal local Sete Dias. Voltada ao público jovem de Sete Lagoas e região, a revista teve grande repercussão entre adolescentes, com publicações mensais e forte atuação também na produção de festas, eventos e shows direcionados a esse público. O projeto permaneceu ativo por quase 30 anos, tornando-se uma referência geracional, e teve sua circulação encerrada durante a pandemia da Covid-19, quando optamos por descontinuar sua distribuição. Esse histórico consolidou a experiência do grupo em comunicação segmentada, produção cultural e relacionamento com diferentes públicos. 
 

O modelo empresarial permite autonomia editorial, sustentabilidade financeira e flexibilidade para desenvolver projetos multiplataforma, como revistas, eventos presenciais e iniciativas educativas, mantendo independência, identidade própria e forte conexão com a comunidade local.

O que é o projeto atualmente? Como você o descreve para quem não o conhece?
Hoje, o projeto é um ecossistema de comunicação regional focado em saúde, comportamento, educação e desenvolvimento humano. Mais do que revistas impressas, somos uma plataforma de informação, que conecta profissionais, leitores e instituições por meio de jornalismo responsável, linguagem acessível, projetos presenciais e forte presença digital.

Quais são os pilares editoriais básicos?
Informação de qualidade, baseada em fontes confiáveis. Humanização, colocando as pessoas no centro das histórias. Educação e prevenção, como ferramentas de transformação social. Valorização dos profissionais locais. Acesso democrático à informação.

Qual é o modelo de negócio atual?
O modelo é baseado em publicidade institucional, parcerias comerciais, projetos editoriais especiais e eventos presenciais, como o Travessura Convida (palestras gratuitas com temas diversos na área de educação e saúde). As revistas têm distribuição gratuita, o que amplia o alcance e fortalece a relação com leitores e anunciantes, garantindo sustentabilidade sem comprometer a linha editorial.

Quais são os princípios e ferramentas que norteiam o trabalho jornalístico do projeto?
O trabalho jornalístico é guiado por ética, responsabilidade social, checagem de informações e compromisso com a clareza. Utilizamos entrevistas aprofundadas, abordagem de temas relevantes, colaboração com especialistas e linguagem acessível, aliadas a um cuidado estético e editorial que valoriza a experiência do leitor.

Qual é a particularidade desta iniciativa?
Forte vínculo com a comunidade local, especialização em nichos estratégicos, integração entre conteúdo editorial e eventos presenciais, distribuição gratuita com alto valor percebido, longevidade e constância editorial.

Como você descreve o público da sua região?
É um público atento, participativo e cada vez mais interessado em informação de qualidade. Predominam famílias, profissionais liberais e da área da saúde e educação, pertencentes às classes A e B, que valorizam conteúdo confiável, linguagem clara e iniciativas com propósito.

Qual é o impacto que o projeto tem na região?
O impacto se reflete na formação de leitores mais conscientes, na valorização de profissionais locais, na ampliação do debate sobre saúde, educação e bem-estar e na criação de espaços de diálogo presencial. O projeto contribui diretamente para a disseminação de conhecimento e para o fortalecimento do senso de comunidade.

Quais são os exemplos de inovação do seu projeto?
Entre os principais exemplos estão: O Travessura Convida, com palestras gratuitas e grande adesão. A integração entre mídia impressa, digital e eventos. A abordagem humanizada da medicina e da infância. O design editorial moderno aliado a conteúdo diversificado e atual.

Quais são os desafios atuais?
Os principais desafios envolvem a sustentabilidade do jornalismo regional, a adaptação constante às mudanças no consumo de informação, a ampliação do alcance digital sem perder identidade e a manutenção da qualidade editorial em um cenário de excesso de conteúdo e desinformação. Sem contar os altos custos de impressão.

Se fosse dar algum conselho para jornalistas que estão iniciando um projeto na sua região, o que você diria?
Que conheçam profundamente sua comunidade, tenham clareza de propósito, sejam consistentes e pacientes. Jornalismo local exige escuta, proximidade, ética e visão de longo prazo. Informação de qualidade constrói relevância com o tempo, e propósito é tão importante quanto modelo de negócio. ◼
 

Ficha:
Nome da iniciativa jornalística (Grupo): Point Promoções e Eventos Ltda.
Nome do(s) veículo(s): Revista Travessura e Revista Meu Doutor, Minha Doutora
Região/ Local: Sete Lagoas/MG
Data de origem: Travessura (2007), Meu Doutor, Minha Doutora (2020)
Nome dos fundadores: Luiz Carlos Romualdo da Silva Filho e Adriana Braga Ribeiro
Diretores responsáveis: Luiz Carlos Romualdo da Silva Filho e Adriana Braga Ribeiro
Editorias: Saúde, comportamento, educação
Público principal: Adultos, classe A e B
Instagram: @meudoutor.minhadoutora @revistatravessuraoficial @revistapoint
Site: não temos