Veículos começam a apostar na oferta de conteúdo jornalístico para celulares

Smartphones e outros aparelhos móveis deram a oportunidade para o surgimento de um jornalismo contemporâneo com novas características. Esse conteúdo surge com aplicativos que exploram os recursos próprios desses aparelhos, como acelerômetro, tato, interatividade e efeitos como elementos em 3D, 360 graus e navegação na horizontal e vertical.

Atualizado em 23/12/2013 às 15:12, por Maurício Kanno.


Crédito:Reprodução Smartphones são a nova e móvel forma de consumir noticiário Smartphones são a nova e móvel forma de consumir noticiário
Essa é a análise de Fernando Firmino, que defendeu tese de doutorado em 2013 sobre o assunto na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e é professor de jornalismo na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Na Bahia, ele também integra o Laboratório em Jornalismo Convergente.
Crédito:Divulgação Fernando Firmino, doutor pela UFBA O pesquisador chama de “produtos autóctones” os conteúdos que possuem uma natureza original e específica para esses aparelhos móveis na construção das narrativas, se diferenciando dos formatos do impresso em PDF e do formato web.
Segundo ele, no Brasil, o primeiro aplicativo nesse gênero foi o Globo a Mais, depois o Estadão Noite e o Nordeste Plus (Ceará). Em outros países, os pioneiros são La Reppublica Sera (Itália), La Presse+ (Canadá) e Le Soir (Bélgica). O profissional considera esse tipo de iniciativa uma tendência no meio.

Entretanto, segundo o pesquisador, ainda há espaço para um melhor aproveitamento das características próprias dos aparelhos móveis. Ainda é tímida a diversificação de formatos de versões impressas para as autóctones.


Há, de todo modo, diferentes aplicativos para leitura de noticiário em celulares. Os pesquisadores consultados indicam: Storify, agregador de notícias que constrói narrativas de diferentes fontes em formato revista; o Pulse News, que também agrega noticiário de acordo com fontes desejadas; o News360, que oferece notícias a partir da localização do usuário e seus interesses, se conectado a redes sociais; e o Zinio Magazine Reader, banca de revistas com mais de quatro mil publicações para baixar e ler no smartphone.


Crédito:Reprodução Aplicativo "Globo a Mais", indicado por pesquisador como pioneiro "autóctone" para celulares
Crédito:Divulgação Juliana Colussi, mestra em Madri

Tempo

Para a brasileira Juliana Colussi, que acaba de defender tese sobre blogs jornalísticos na Universidad Complutense de Madrid e incluiu um estudo sobre o jornalismo móvel no seu trabalho, a linguagem deve ser retrabalhada ainda mais ao se pensar em dispositivos móveis.

“Quem acessa notícias através do celular ou de um tablet não dispõe de muito tempo, nem das condições ideais para ler um bloco de texto longo ou ver um vídeo de cinco minutos (principalmente porque a conexão de dados ainda não comporta)”. Ela sugere que “o ideal seria produzir textos mais curtos, como notas informativas e galerias de imagens e vídeos, que estivessem adaptados às especificidades de um smartphone e à realidade da conexão à internet.”


Transporte e telas Ainda assim, na opinião de Juliana, o celular ainda tem sido utilizado mais para o consumo de informação do que para a produção de conteúdo jornalístico. “Os leitores aproveitam o tempo no intervalo de uma aula ou no transporte público”, lembra.

Ela considera a dificuldade de se consumir conteúdo em telas diminutas, mas a pesquisadora lembra que também há no mercado smartphones com telas maiores, como o Samsung Galaxy S4 e o Nexus 4, com área de visualização de aproximadamente 5 polegadas.

Há também usuários que preferem usar tablets para a função da leitura prolongada. No entanto, há que se considerar o preço desses aparelhos maiores, que ainda são caros para o poder aquisitivo da maioria da população brasileira, ainda mais quando comparados ao preço em países como na Europa e Estados Unidos, diz a pesquisadora.

Conexões e instantâneo O professor e jornalista Fernando Corrêa do Carmo, que defendeu em 2008 dissertação de mestrado sobre o noticiário para celulares, defende atenção à instantaneidade. “É o fato de o usuário viver a notícia no momento em que é publicada. Um exemplo foram as manifestações de junho: o indivíduo que foi para as ruas se orientava sobre a localização das manifestações pelo celular enquanto caminhava em direção a elas”.

Quanto às conexões, por enquanto, ao menos no Brasil, ele entende que as tecnologias 3G e 4G deixam muito a desejar e atrasam o desenvolvimento do jornalismo wireless. Juliana acredita que, pelo menos, elas estão cada vez melhores; em Madri, há conexão até durante o percurso de trem.