Valéria Brandini explica conceitos e aplicações da etnografia digital

Começou na manhã deste sábado (27/8) a segunda edição da Maratona IMPRENSA de Comunicação (MIC), um evento com 12 horas de duração, que reúne um time de profissionais para trocar e debater experiências.

Atualizado em 27/08/2016 às 12:08, por Alana Rodrigues.

(27/8) a segunda edição da , um evento com 12 horas de duração, que reúne um time de profissionais para trocar e debater experiências.
Crédito:Gisele Sotto Antropóloga corporativa e pesquisadora sênior em Cultura do Consumidor, Valéria Brandini ministrou a primeira oficina da Maratona
A primeira oficina foi ministrada pela antropóloga corporativa e pesquisadora sênior em Cultura do Consumidor Valéria Brandini, que abordou a etnografia digital, metodologia de pesquisa que tem como objetivo entender o comportamento do consumidor na Web. "Mapeia formas de ser, viver e consumir", diz.
Segundo ela, cada grupo é etnocentrado, ou seja, enxerga sua realidade e código de valores como corretos."Todos nós temos etnocentrismo de alguma coisa", diz. "A etnografia consiste em fazer uma descrição densa das características de um grupo dentro da perspectiva dele. O primeiro momento é de imersão, vivência, e o segundo é de distanciamento, objetivo, de análise", detalha.
Ao aplicar o tema na comunicação, Valéria exemplifica que a investigação jornalística sempre terá parcialidade, uma vez que o profissional emite opiniões conforme o repertório que acumula. Já o fotógrafo, utiliza a semiótica e a percepção para registrar a imagem de acordo com o significado que observa. "A imagem sempre vai dizer de acordo com o observador. O bom fotógrafo é o que consegue transmitir o que está vendo", diz. A antropóloga destaca que um bom etnógrafo é aquele que consegue transmitir no texto todos os significados sensíveis do que está a sua volta. O recurso, segundo ela, foi usado na Segunda Guerra Mundial para entender o pós-guerra dos soldados.
Valéria também tratou do consumismo na sociedade. "As pessoas consomem cultura, ideias. O seu leitor consome informação. O consumo nasce com os primórdios da humanidade. As pessoas consomem do Facebook as relações", afirma.
A pesquisadora responde o porquê as marcas precisam mudar sua relação com o consumidor. Ela observa que o consumidor também se posiciona como uma marca e um produto. "As pessoas conversam com as marcas de igual pra igual".
Segundo a antropóloga, a internet mudou a relação entre as pessoas e entre os consumidores e marcas, inclusive produtos jornalísticos. "As marcas enquanto instituição social se comunicam com o consumidor enquanto valor, e não mais com características humanas", destaca.
Acompanhe durante o dia toda a cobertura do MIC. Confira a lista de convidados: - Ana Brambilla - Jornalista e autora da série "Para entender as mídias sociais" - André Maleronka - editor-chefe dos canais da VICE - Lourival Sant'Anna - Comentarista na CBN e colunista e blogueiro no Estadão
- Valéria Brandini - Antropóloga corporativa e pesquisadora sênior em Cultura do Consumidor