Vai, Corinthians!
A eliminação do Corinthians da Taça Libertadores da América, no mês passado, reacendeu um debate antigo no jornalismo esportivo. O profissional da mídia deve ou não declarar sua paixão ao público?
Atualizado em 29/05/2013 às 17:05, por
Rodrigo Viana.
Taça Libertadores da América, no mês passado, reacendeu um debate antigo no jornalismo esportivo. O profissional da mídia deve ou não declarar sua paixão ao público? Não tenho condição de esgotar o assunto. Mas vou focá-lo numa grande angular.
O Corinthians é, no esporte, a maior fonte de arrecadação dos veículos de comunicação, especialmente a TV aberta. Basta dar uma “googlada” para verificar o montante de notinhas verdes que giram nesse mundo ludopédico-midiático.
São duas extremidades de uma mesma linha. O clube recebe uma boa quantia dos mídia para fabricar emoção. Ao mesmo tempo, mantém uma “nação” de 30 milhões de torcedores/ consumidores que devolvem este dinheiro à TV comprando pacotes de assinatura ou adquirindo produtos embalados eletronicamente nos intervalos dos jogos. Mas o preço desse negócio, às vezes, sai caro demais.
Ocorreu no mês passado. O Corinthians não perdeu para o Boca Juniors. Perdeu a possibilidade milionária de viajar ao Marrocos no fim do ano, onde vai ser disputada a final do Mundial de Clubes.
O grito explícito, desnudo, “sem-vergonha” da grande maioria dos apresentadores de rádio e TV contra o “ladrão” que “roubou” o “timão” ecoa mais profundo que a simples paixão do torcedor extrapolada na pele do jornalista. Gritaram porque perderão matérias e, em última análise, empregos. O juiz roubou a comida do filho do repórter que fica atrás do gol. Deu pra entender?
Disse, no início, que era impossível esgotar a questão. Mas quero retomar um discurso que entôo quase como um mantra nas aulas que ministro ou nas palestras que sou convidado a dar: as outras editorias nos olham com desdém porque não dizemos a verdade ao nosso público, nem deixamos claro essa relação de mercado. Fingimos ser o marido traído quando somos a mulher adúltera.
A solução? Seriedade. Há três anos criei o “FutCiencia”, nome-metáfora de um grupo de estudos na não menos importante www.universidadedofutebol.com.br. Lá, já depositei mais de uma dezena de artigos científicos que discorrem sobre o tema.
Por graça divina, não sou o único Quixote da batalha. Esta mesma IMPRENSA, em parceria com a Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação –, vem realizando oficinas de jornalismo esportivo pelo menos uma vez ao ano. A Intercom também mantém um grupo que diagnostica as relações entre a Comunicação e o Esporte. Seria desonesto omitir o trabalho da professora Kátia Rúbio, que teve a audácia de levar para a TV (ESPN Brasil) o “Segredos do Esporte”.
É inoportuno, rasteiro e míope, portanto, dizer que a imprensa é corintiana ou que o juiz é ladrão. Faz-se necessário, antes de tudo, entender as regras do jogo.
é repórter, professor de pós-graduação em jornalismo esportivo e mestre em Semiótica e Literatura

O Corinthians é, no esporte, a maior fonte de arrecadação dos veículos de comunicação, especialmente a TV aberta. Basta dar uma “googlada” para verificar o montante de notinhas verdes que giram nesse mundo ludopédico-midiático.
São duas extremidades de uma mesma linha. O clube recebe uma boa quantia dos mídia para fabricar emoção. Ao mesmo tempo, mantém uma “nação” de 30 milhões de torcedores/ consumidores que devolvem este dinheiro à TV comprando pacotes de assinatura ou adquirindo produtos embalados eletronicamente nos intervalos dos jogos. Mas o preço desse negócio, às vezes, sai caro demais.
Ocorreu no mês passado. O Corinthians não perdeu para o Boca Juniors. Perdeu a possibilidade milionária de viajar ao Marrocos no fim do ano, onde vai ser disputada a final do Mundial de Clubes.
O grito explícito, desnudo, “sem-vergonha” da grande maioria dos apresentadores de rádio e TV contra o “ladrão” que “roubou” o “timão” ecoa mais profundo que a simples paixão do torcedor extrapolada na pele do jornalista. Gritaram porque perderão matérias e, em última análise, empregos. O juiz roubou a comida do filho do repórter que fica atrás do gol. Deu pra entender?
Disse, no início, que era impossível esgotar a questão. Mas quero retomar um discurso que entôo quase como um mantra nas aulas que ministro ou nas palestras que sou convidado a dar: as outras editorias nos olham com desdém porque não dizemos a verdade ao nosso público, nem deixamos claro essa relação de mercado. Fingimos ser o marido traído quando somos a mulher adúltera.
A solução? Seriedade. Há três anos criei o “FutCiencia”, nome-metáfora de um grupo de estudos na não menos importante www.universidadedofutebol.com.br. Lá, já depositei mais de uma dezena de artigos científicos que discorrem sobre o tema.
Por graça divina, não sou o único Quixote da batalha. Esta mesma IMPRENSA, em parceria com a Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação –, vem realizando oficinas de jornalismo esportivo pelo menos uma vez ao ano. A Intercom também mantém um grupo que diagnostica as relações entre a Comunicação e o Esporte. Seria desonesto omitir o trabalho da professora Kátia Rúbio, que teve a audácia de levar para a TV (ESPN Brasil) o “Segredos do Esporte”.
É inoportuno, rasteiro e míope, portanto, dizer que a imprensa é corintiana ou que o juiz é ladrão. Faz-se necessário, antes de tudo, entender as regras do jogo.
é repórter, professor de pós-graduação em jornalismo esportivo e mestre em Semiótica e Literatura






