Utopias de Ano-Novo

Começa mais um ano, nessa jornada da humanidade rumo a destino incerto, e é tempo de arrumar gavetas e planejar atividades. Como não passei

Atualizado em 06/01/2014 às 13:01, por Gabriel Priolli.

Crédito:Leo Garbin o réveillon com nenhum cacique da mídia, apenas um ou outro silvícola remanescente da tribo em extinção, venho externar nestas mal traçadas as minhas esperanças do que pode ser um bom 2014 na nossa área.
Este não será um ano comum, sabemos todos. Não apenas teremos eleições gerais, como elas serão antecedidas da Copa do Mundo – a primeira realizada em solo canarinho desde 1950. São dois eventos de primeira magnitude, que mobilizarão intensamente o jornalismo.
Meu desejo é que saibamos oferecer uma excelente estrutura técnica para os coleguinhas da imprensa mundial que nos visitarão, com a missão de relatar a Copa a seus povos. E que façamos a melhor cobertura possível para o nosso próprio povo, condenado pela elitização do futebol a acompanhar o evento pela mesma tevê que será vista pelos japoneses ou australianos.
Como a campanha eleitoral também estará começando quando o juiz der o apito inicial da competição, é possível que aconteçam novas manifestações antitudo, agora que o povo tomou gosto de fazer Facebook ao vivo nas ruas. Mas convém deixar que os atos se organizem espontaneamente, para então cobri-los. Convém que a imprensa se abstenha de instigá-los, para criar problemas ao governo e dar uma forcinha à oposição. Já não ficaria bem internamente, imagine no exterior.
Aliás, a mídia como um todo, a tradicional e a da blogosfera, bem que poderia cultivar as antigas virtudes da apuração consistente, da isenção de ânimos e da ponderação nos julgamentos. Bem que poderia ter efetivo espírito público e colocar-se acima da exaltação partidária, normal numa eleição, para informar e debater com o máximo de objetividade e pluralidade.
Sei que isso é um sonho quase impossível, mas não custa sonhá-lo também para o dia a dia extraeleitoral. Que bom seria ter de volta a diversidade ideológica nas redações e nas páginas, o debate franco e desarmado de todos os problemas nacionais, a preocupação de ouvir o outro lado em todos os temas controversos, o respeito ao contraditório e ao direito do outro divergir...
Melhor ainda seria banir o tom hidrófobo desse jornalismo de apelidos, caricaturas e insultos, essa coisa rasa de “petralhas”, “tucanalhas” e conexos, essa exaltação que leva o debate direto à jugular do oponente, antes de passar por qualquer veia do cérebro. Está mais que na hora de mandar os rotweillers de coleira azul ou vermelha de volta para as suas casinhas.
Meu desejo, finalmente, é de que a mídia encontre, enfim, um modelo de negócio viável neste fim dos jornais, das revistas e da tevê como os conhecemos, volte a ter saúde financeira e gerencial, e pare de expelir coleguinhas das redações. Não há bom jornalismo possível sem jornalistas motivados e qualificados. Muito menos sem jornalistas empregados.