"Usamos a criatividade para vender a imagem do Brasil ao Haiti", diz o Cel. Gerson Pinheiro Gomes

"Usamos a criatividade para vender a imagem do Brasil ao Haiti", diz o Cel. Gerson Pinheiro Gomes

Atualizado em 26/10/2009 às 13:10, por Luiz Gustavo Pacete.

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Cel. Gerson Pinheiro Gomes
No último dia 13/10, o Brasil informou que mantém as tropas brasileiras no Haiti por mais um ano. A atuação do exército brasileiro no país ocorre desde 2004 e, teoricamente, tem o objetivo de estabelecer um ambiente estável e seguro, lema que os militares são treinados a dizer à imprensa. Atualmente, são mais de 1,2 mil soldados da tropa nacional atuando junto com militares da Ásia, África, Europa e América, que formam a Missão das Nações Unidas de Estabilização do Haiti (Minustah). Um contingente de 7.059 militares. Atuação que deu ao país uma bem sucedida posição no cenário internacional, mas que levanta o questionamento se a estratégia é militar ou política, já que o Itamaraty visa uma vaga definitiva no Conselho de Segurança da ONU.

A estrutura montada no Haiti país pelo exército brasileiro possui um sistema de Comunicação Social com o objetivo de receber e acompanhar a imprensa brasileira e internacional, além de desenvolver o trabalho de relações públicas, recebendo comissões de políticos internacionais. "Atuamos para atender tanto jornalistas que já estão familiarizados com o Haiti, como aqueles que visitam pela primeira vez, entre nossas funções estão o gerenciamento de crise e o esforço de contribuir para a visão internacional das relações exteriores.", afirmou, em entrevista coletiva, o Coronel Gerson Pinheiro Gomes que esteve no país entre novembro de 2008 e janeiro de 2009.

O Communication and Public Information Office (CPIO), célula de comunicação do exército no país, tem entre suas atribuições, além do recebimento e acompanhamento dos repórteres, a produção de conteúdo para veículos da corporação e emissoras locais, como a rádio Minustah FM 94,9 e a emissora de TV Jwei, além de conteúdo para sites da ONU e a revista Verde Oliva. "Muitos soldados acabam fazendo o papel de jornalistas. Temos soldados jornalistas, mas são poucos, muitos acabam tendo que produzir matérias, realizar entrevistas e registrar fatos, pois a demanda é muito grande". Além disso, Gerson afirma que muitos soldados recebem aulas de francês para atuarem como porta-vozes sendo ouvidos pelos veículos locais.

Existe um esforço do exército em promover a imagem do Brasil para a própria comunidade haitiana, algo que deve ser feito com estratégia e criatividade. "A ONU não permite que a TV do Haiti veicule cenas que remetam às tropas, a fim de conscientizar as pessoas que existe um ambiente estável no país, por isso, a estratégia que utilizamos para atrair matérias é a realização de eventos como treinamentos comunitários, limpezas de ruas, projetos de capoeira e música, que acabam dando visibilidade à atuação do Brasil.", ressalta.

Outra atribuição do CPIO é o gerenciamento de crises. "Em determinada situação, um corpo apareceu em uma praça e houve tumulto para conter o distúrbio os soldados tiveram que atirar para cima, as pessoas começaram a acusar o soldado de ter sido responsável pela morte. Tivemos de executar um plano de gerenciamento de crise até que o inquérito confirmasse que a pessoa não foi morta pelas tropas". Para 2010, estão previstas eleições presidenciais e Gerson afirma que podem ocorrer distúrbios, ele até ironiza que o trabalho do setor de comunicação é impedir que a imprensa tenha o que publicar, evitando maiores tumultos.