UOL defende matéria sobre compra de imóveis após críticas de Bolsonaro

Publicada em 30 de agosto pelos colunistas do UOL Thiago Herdy e Juliana Dal Piva, a reportagem investigativa "Metade do patrimônio do

Atualizado em 09/09/2022 às 11:09, por Redação Portal IMPRENSA.

Publicada em 30 de agosto pelos colunistas do UOL Thiago Herdy e Juliana Dal Piva, a reportagem investigativa "Metade do patrimônio do clã Bolsonaro foi comprada com dinheiro vivo" segue movimentando a corrida presidencial.

Enquanto a campanha de Lula explorou o tema no horário eleitoral de rádio e TV, Bolsonaro e sua equipe vêm empenhando-se para desmentir a matéria e evitar que ela repercuta em seu desempenho eleitoral.

Utilizaram para isso basicamente um argumento lexical, segundo o qual nos documentos de compra e venda dos imóveis não está escrito "dinheiro em espécie" e sim "moeda corrente" - termo que a maioria dos cartórios usaria nas escrituras. Crédito: Reprodução UOL Vídeo do UOL rebate material de campanha sobre matéria que investigou compra de imóveis por Bolsonaro e familiares Com base em tal tese, uma peça publicitária da campanha de Bolsonaro classificou a manchete do UOL como mentirosa. O próprio Bolsonaro, em entrevista à rádio Jovem Pan, na última terça-feira (6), disse que o UOL confundiu deliberadamente o uso da expressão "moeda corrente nacional" com "dinheiro vivo". Segundo o presidente, em qualquer escritura está escrito moeda corrente.
Reação

Para se defender, os colunistas do UOL publicaram nesta sexta-feira (9) a reportagem "Clã Bolsonaro: as evidências de dinheiro vivo em cada um dos 51 imóveis". Ademais, o portal produziu um vídeo intitulado "Propaganda de Bolsonaro erra ao citar conteúdo de matéria do UOL sobre imóveis e dinheiro vivo".

O vídeo informa que a reportagem de Thiago e Juliana investigou a compra de 107 imóveis por Jair Bolsonaro, seus três filhos mais velhos, a mãe do presidente, cinco irmãos e duas ex-mulheres. Também afirma que a reportagem não baseia-se no termo "moeda corrente". E sim em entrevistas com vendedores de imóveis que admitiram ter recebido em dinheiro vivo, na análise de mais de mil páginas de documentos de compra e venda de imóveis e na consulta a processos judiciais.
O vídeo do UOL também afirma que em documentos de compra e venda de imóveis é comum a menção a outras expressões além de "moeda corrente, incluindo "pagamento em moeda contada e dada como certa" ou "pagamento em espécie".

O material informa ainda que a reportagem exigiu 7 meses de investigação e viagens a 12 municípios brasileiros para entrevistas e checagem de informações. Por fim, o UOL afirma que procurou o Palácio do Planalto antes da divulgação da reportagem, mas não teve retorno.