"Uma onda de podridão no Senado e o único punido foi um jornal", diz Di Franco

"Uma onda de podridão no Senado e o único punido foi um jornal", diz Di Franco

Atualizado em 06/08/2009 às 16:08, por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA.

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Na tarde desta quinta-feira (6), o portal Estadão Online, por meio da , promoveu um debate com os jornalistas Eugênio Bucci e Carlos Alberto Di Franco, que foi mediado pelo também jornalista Roberto Godoy, cujo objetivo era discutir a censura judicial à imprensa.

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Carlos Alberto Di Franco
O ponto de partida do debate foi a decisão do desembargador Dácio Vieira que proíbe o jornal O Estado de S. Paulo de publicar informações sobre a "Operação Boi Barrica", que investiga Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Sobre a liminar do desembargador, Bucci afirmou ser "uma agressão a todos os cidadãos". Ele chamou atenção para o que pode acontecer à liberdade de imprensa no país caso a medida não seja revogada. "Se uma decisão começa a restringir previamente o pode ser divulgado, nós podemos caminhar em direção a um sistema que pode se interpor entre a livre circulação da informação e o leitor".

Em tom de previsão, o professor de Ética, Carlos Alberto Di Franco, declarou que a repercussão do caso contra o diário será maior que os políticos e a própria opinião pública podem estimar. "A resposta à censura ao Estadão e à podridão sobre o Senado e o Congresso vai ser dada em 2010".

Na opinião de Bucci, o "remédio" para liberdade de imprensa é - em contraponto às medidas repressivas - ampliar seu espectro de ação, permitindo assim que a livre circulação de informações seja capaz de debater até mesmo os erros cometidos pelo jornalismo. "Não é porque a imprensa erra que a gente precisa de tutela do Estado", observou Bucci. "A liberdade de imprensa é inegociável", acrescentou.

Questionado por uma internauta sobre o "coronelismo" característico na política nacional, Bucci lembrou que essa não "é uma exclusividade do nordeste brasileiro, isso existe em todo o o país". Em seguida, Di Franco sublinhou que alguns desses "coronéis" não atuam de forma declarada no cenário, mas são peças cruciais no movimento político. "Vemos políticos que não perderam o protagonismo nos bastidores, mas perderam o poder de se eleger".

Para Di Franco, o fenômeno do "coronelismo" atesta que "os políticos brasileiros vivem em uma bolha". Exemplificou sua afirmação com o caso do deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) que declarou "se lixar para a opinião pública".

Aproveitando a observação de Di Franco, Bucci ironizou a indiferença da classe política brasileira citando a "cultura da casca grossa", que consiste em "aguentar críticas sem se abalar". "Existe uma competição para ver quem consegue ser mais indiferente aos jornais e a opinião pública", disse.

Ao final da discussão, Carlos Alberto Di Franco mostrou-se surpreso com os "personagens" que foram incriminados no embate entre a imprensa e a política nacional. "Nós estamos assistindo uma onda de podridão no Senado e o único punido foi um jornal. Nenhum senador foi punido. Esse é o resultado final da tutela do Estado".

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