Uma Nação envergonhada: os sentimentos dos brasileiros diante à crise política / Por Paloma Reis - UAM (SP)
Uma Nação envergonhada: os sentimentos dos brasileiros diante à crise política / Por Paloma Reis - UAM (SP)
Atualizado em 06/09/2005 às 11:09, por
Paloma Reis e estudante de jornalismo da Universidade Anhembi Morumbi (São Paulo/SP).
Por A sociedade brasileira já não agüenta mais tanta falta de respeito e ética dos governantes. A população que há pouco tempo tinha tanta fé e esperança em mudanças no quadro político e social, hoje encontra-se desiludida e decepcionada.
Vergonha, decepção, desilusão, indignação e estarrecimento. Estes são os sentimentos aflorados na pele dos brasileiros diante à crise instaurada na política nacional.
Milhares de pessoas se vêem traídas por um governo que inspirava e prometia mudanças no regimento do país. Quando a população foi às urnas em outubro de 2002, além do cumprimento do direito e dever de cidadão, as pessoas depositaram esperanças por um país com melhores condições sociais e com menos desigualdades. Porém, o que se percebe na realidade é uma total falta de respeito com a nação brasileira.
Aquele que se dizia o partido mais ético e democrático do Brasil, o Partido dos Trabalhadores (PT), hoje está nas capas dos jornais e revistas em meio a denúncias e escândalos. Não se pode generalizar dizendo que todos os membros estejam envolvidos, mas nunca se imaginou que o PT seria o protagonista de tamanha corrupção.
A maioria da sociedade tinha fé. A história social e política do partido foi fundamental no processo de democratização do país. A luta pelas classes mais pobres, o engajamento na construção de um país igual para todos e a busca incessante por melhores empregos são pontos nos quais o PT e principalmente, o Presidente Lula tinham como meta quando chegassem ao governo. Por isso, sindicalistas de esquerda e a classe trabalhadora depositavam tanta esperança. Porém, parece que alguns membros do partido esqueceram a sua própria biografia e preferiram as faces do poder.
A corrupção parece fazer parte da história política brasileira. Os atos ilícitos que estão vindo à tona já existiam há muito tempo. De acordo com as investigações já houve fatos semelhantes durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) com o senador Eduardo Azeredo (MG). A oposição acha que discutir este assunto agora é fugir do foco das investigações, ou seja, desviar as atenções do PT. Para a sociedade, tudo tem que ser investigado seja de qual partido for. O que não se admite mais é essa total falta de compromisso e responsabilidade moral com a nação brasileira.
Mas, a opinião pública encontra-se dividida quando o assunto é o envolvimento do Presidente da República nas denúncias de desvio de dinheiro e pagamentos de votos a parlamentares.
Manifestações já estão sendo feitas em frente ao Congresso Nacional. Todas com o objetivo de demonstrar a sua indignação e revolta com a corrupção. Alguns movimentos extremistas acreditam no total conhecimento do Presidente em relação aos crimes políticos e pedem o seu afastamento. "É impossível dizer que ele não sabia. Para dizer que ele não sabia é dizer que ele é ignorante e ele não é. A melhor opção seria um plebiscito para consultar a população se o presidente deveria ou não ser afastado", disse a senadora Heloisa Helena (PSOL-AL).
Outros reivindicam a saída de políticos que estão envolvidos nas denúncias, mas oferecem total apoio a Lula. "Não acreditamos que Lula esteja envolvido. Ele é o símbolo do trabalhador brasileiro, da honestidade ", disse João Felício, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Lula parece tem ao seu lado companheiros metalúrgicos e sindicalistas. Nos últimos discursos à classe operária, ele foi muito aplaudido e reverenciado. Ainda obtém uma boa credibilidade diante a população apesar da queda nas pesquisas de opinião sobre a sua idoneidade.
Nunca os brasileiros estiveram tão preocupados no desmembramento de um problema político. Todas as classes estão acompanhando profundamente as investigações por meio da mídia, principalmente por meio da televisão, que está abrindo muito espaço para entrevistas, debates e mesas-redondas. Para a jornalista Fernanda Sal, a sociedade tem que cobrar uma explicação dos governantes. "Acredito que a população deva ficar mais atenta às ações dos representantes políticos. Agora é hora de cobrarmos ética, honra, compromisso com a verdade, além do compromisso assumido com todo o povo. Quando a população se conscientizar da necessidade de participar da política nacional, crises como essa não mais existirão, ao menos não nessa proporção" diz.
Mas, o espírito de impunidade ainda plana na sociedade. Muitas pessoas acreditam que o cheiro de pizza e possíveis "acordões" estão cada vez mais próximos. A eleitora e jornalista Angela Capozzoli, tem receio de um acordo entre as cúpulas dos partidos, entretanto, tem certeza que a punição será aplicada a alguns parlamentares. "Dezessete deputados já estão em processo de cassação de seus mandatos, porém, o Lula não pode sair do governo agora, isto poderá gerar uma crise de governabilidade ainda maior, precisamos sim de uma reforma política", revela a jornalista. Já a doméstica, Teresinha da Rocha, acredita na justiça. "É preciso ter esperança que haverá uma penalidade, temos que dar um basta em tudo isso, sou a favor das passeatas. O povo nas ruas", diz.
Apesar das diferentes opiniões sobre o que acontecerá com os políticos que cometeram crimes, a sociedade já não agüenta mais tanta sujeira e falta de ética. Estão todos envergonhados e desiludidos com os governantes. Para um ponto positivo ao menos essa crise serviu, estamos acompanhando de perto o desenrolar de toda essa história, todas as classes sociais sabem o que está acontecendo no país. Esperamos que a partir de agora, com a fiscalização do povo, os governantes sintam a vergonha que estamos sentindo e comecem a fazer bem feitorias para um Brasil que hoje se depara sem pai e sem mãe.
Vergonha, decepção, desilusão, indignação e estarrecimento. Estes são os sentimentos aflorados na pele dos brasileiros diante à crise instaurada na política nacional.
Milhares de pessoas se vêem traídas por um governo que inspirava e prometia mudanças no regimento do país. Quando a população foi às urnas em outubro de 2002, além do cumprimento do direito e dever de cidadão, as pessoas depositaram esperanças por um país com melhores condições sociais e com menos desigualdades. Porém, o que se percebe na realidade é uma total falta de respeito com a nação brasileira.
Aquele que se dizia o partido mais ético e democrático do Brasil, o Partido dos Trabalhadores (PT), hoje está nas capas dos jornais e revistas em meio a denúncias e escândalos. Não se pode generalizar dizendo que todos os membros estejam envolvidos, mas nunca se imaginou que o PT seria o protagonista de tamanha corrupção.
A maioria da sociedade tinha fé. A história social e política do partido foi fundamental no processo de democratização do país. A luta pelas classes mais pobres, o engajamento na construção de um país igual para todos e a busca incessante por melhores empregos são pontos nos quais o PT e principalmente, o Presidente Lula tinham como meta quando chegassem ao governo. Por isso, sindicalistas de esquerda e a classe trabalhadora depositavam tanta esperança. Porém, parece que alguns membros do partido esqueceram a sua própria biografia e preferiram as faces do poder.
A corrupção parece fazer parte da história política brasileira. Os atos ilícitos que estão vindo à tona já existiam há muito tempo. De acordo com as investigações já houve fatos semelhantes durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) com o senador Eduardo Azeredo (MG). A oposição acha que discutir este assunto agora é fugir do foco das investigações, ou seja, desviar as atenções do PT. Para a sociedade, tudo tem que ser investigado seja de qual partido for. O que não se admite mais é essa total falta de compromisso e responsabilidade moral com a nação brasileira.
Mas, a opinião pública encontra-se dividida quando o assunto é o envolvimento do Presidente da República nas denúncias de desvio de dinheiro e pagamentos de votos a parlamentares.
Manifestações já estão sendo feitas em frente ao Congresso Nacional. Todas com o objetivo de demonstrar a sua indignação e revolta com a corrupção. Alguns movimentos extremistas acreditam no total conhecimento do Presidente em relação aos crimes políticos e pedem o seu afastamento. "É impossível dizer que ele não sabia. Para dizer que ele não sabia é dizer que ele é ignorante e ele não é. A melhor opção seria um plebiscito para consultar a população se o presidente deveria ou não ser afastado", disse a senadora Heloisa Helena (PSOL-AL).
Outros reivindicam a saída de políticos que estão envolvidos nas denúncias, mas oferecem total apoio a Lula. "Não acreditamos que Lula esteja envolvido. Ele é o símbolo do trabalhador brasileiro, da honestidade ", disse João Felício, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Lula parece tem ao seu lado companheiros metalúrgicos e sindicalistas. Nos últimos discursos à classe operária, ele foi muito aplaudido e reverenciado. Ainda obtém uma boa credibilidade diante a população apesar da queda nas pesquisas de opinião sobre a sua idoneidade.
Nunca os brasileiros estiveram tão preocupados no desmembramento de um problema político. Todas as classes estão acompanhando profundamente as investigações por meio da mídia, principalmente por meio da televisão, que está abrindo muito espaço para entrevistas, debates e mesas-redondas. Para a jornalista Fernanda Sal, a sociedade tem que cobrar uma explicação dos governantes. "Acredito que a população deva ficar mais atenta às ações dos representantes políticos. Agora é hora de cobrarmos ética, honra, compromisso com a verdade, além do compromisso assumido com todo o povo. Quando a população se conscientizar da necessidade de participar da política nacional, crises como essa não mais existirão, ao menos não nessa proporção" diz.
Mas, o espírito de impunidade ainda plana na sociedade. Muitas pessoas acreditam que o cheiro de pizza e possíveis "acordões" estão cada vez mais próximos. A eleitora e jornalista Angela Capozzoli, tem receio de um acordo entre as cúpulas dos partidos, entretanto, tem certeza que a punição será aplicada a alguns parlamentares. "Dezessete deputados já estão em processo de cassação de seus mandatos, porém, o Lula não pode sair do governo agora, isto poderá gerar uma crise de governabilidade ainda maior, precisamos sim de uma reforma política", revela a jornalista. Já a doméstica, Teresinha da Rocha, acredita na justiça. "É preciso ter esperança que haverá uma penalidade, temos que dar um basta em tudo isso, sou a favor das passeatas. O povo nas ruas", diz.
Apesar das diferentes opiniões sobre o que acontecerá com os políticos que cometeram crimes, a sociedade já não agüenta mais tanta sujeira e falta de ética. Estão todos envergonhados e desiludidos com os governantes. Para um ponto positivo ao menos essa crise serviu, estamos acompanhando de perto o desenrolar de toda essa história, todas as classes sociais sabem o que está acontecendo no país. Esperamos que a partir de agora, com a fiscalização do povo, os governantes sintam a vergonha que estamos sentindo e comecem a fazer bem feitorias para um Brasil que hoje se depara sem pai e sem mãe.






