Uma aventura em busca de cliente
Uma aventura em busca de cliente
Telefone toca. Um prospect, como se diz por aqui. Em época de incertezas, é um bom sinal. Geralmente as pessoas chegam por indicação de alguém, difícil abrir portas sem o aval de um amigo, de um cliente ou ex-cliente. Quer agendar reunião e saber de que forma trabalha uma assessoria de imprensa. Muito bom. O problema começa ao perguntar o local da reunião: a 80 quilômetros da agência. Bem, lá vamos nós.
Sair de São Paulo consome o pouco de paciência que nos resta no trânsito e pegar a Anhanguera não é lá muito agradável. Pior ainda é enfrentar a outra estrada, esta de mão dupla e cheia de caminhões. No trajeto começa o arrependimento e os questionamentos sobre a validade de ir tão longe em busca de um cliente.
Uma hora depois entro num mundo inesperado. Galinhas e gansos na rua, alguns capengantes fuscas ainda em circulação e uma placa anunciando cavalos e cocheiras. Entre os condomínios de luxo e o empobrecido comércio local, alguns muros demonstram que a indústria começa a chegar por ali. Ainda mais confusa, não entendo direito onde estou me metendo.
A sala de reunião tem uma vista paradisíaca e o silêncio do lugar é tão profundo que incomoda. O proprietário da empresa, com sede em outro Estado, reclama sobre dificuldade de mão-de-obra local: pessoas em marcha lenta sem entender que a capital avança desenfreadamente para o interior. Por motivos óbvios, não citarei aqui o milagre nem o santo, mas destaco que a sensação na volta foi completamente diferente daquela da ida.
A empresa impressiona pelo porte, é arrojada e disposta a investir em ações de relacionamento com o público de seu interesse. Valeu a lição de que o bom cliente está em lugares inusitados e inesperados. Que a gente tem de se livrar dos preconceitos e enxergar oportunidades comerciais onde os outros talvez não vejam.
Mas, para falar a verdade, também tive vontade de engatar marcha lenta e me hospedar numa pousada por ali. Acho que preciso de férias!






