Um novo modo de pensar a televisão / Por Iraê Pereira Mota - Favip (PE)

Um novo modo de pensar a televisão / Por Iraê Pereira Mota - Favip (PE)

Atualizado em 27/06/2005 às 11:06, por Iraê Pereira Mota e  estudante de jornalismo da Faculdade do Vale do Ipojuca (Favip).

Por Pensar no papel da televisão e seu verdadeiro significado é algo muito mais amplo do que possa parecer. Assim como as veias culturais da sociedade (a literatura, a música, o teatro e as artes plásticas) a televisão também possui uma ética e estética próprias. Infelizmente, pouco tempo depois de seu surgimento e a sua apropriação pela indústria cultural, as reflexões sobre esse meio foram estigmatizadas como banais. Hoje o reflexo disso é a ausência de grandes e profundos estudos sobre a televisão.

Um dos objetivos da televisão é perpetuar a cultura contemporânea e servir como meio para que a civilização externe seus anseios e crenças. É possível dizer que a televisão é resultado de como ela é utilizada. Há quem a veja simplesmente como uma fábrica de descartáveis, mas ainda existem outros que a vêem como um meio benéfico em sua substância. Essas duas correntes estão presentes nos princípios de Adorno e McLuhan, respectivamente.

É necessário levar em conta que a televisão não só produz programas supérfluos, ela possui também papel fundamental na cultura de nosso tempo. A expressão quality television (televisão de qualidade), muito difundida atualmente, deve ser encarada como uma linha de pensamento que quer sempre trazer inovações, críticas, sugestões e reinventar a televisão como um todo. Embora que esse termo seja um pouco ambíguo, porque no momento em que damos um adjetivo à televisão, significa que ela por si só não possui qualidade.

Enfim, analisar a televisão e vê-la como um canal de propagação de idéias devem ser algo muito mais minucioso. Quando alguém decidir criticar ou elogiar esse meio, deve observar que a televisão possui linguagem, tecnologia, símbolos e percepção inerentes. A televisão é um seguimento essencial dentro de uma sociedade e não é certo ser vista apenas como uma máquina manipuladora e vazia de cultura.

*Resenha de um dos capítulos do livro "A televisão levada a sério", de Arlindo Machado