Um mês após promulgação, Lei Antirracismo boliviana enquadra jornalistas e veículos

Um mês após promulgação, Lei Antirracismo boliviana enquadra jornalistas e veículos

Atualizado em 08/11/2010 às 13:11, por Redação Portal IMPRENSA.

Promulgada em oito de outubro, a chamada Lei Antirracismo boliviana, que pretende, entre outras coisas, aplacar a discriminação racial na mídia, já enquadrou suas possíveis primeiras vítimas entre jornalistas e veículos de comunicação. A nova legislação passa a valer em 1º de janeiro do ano que vem.
No sul do país, uma deputada do Movimento ao Socialismo (MAS), partido do presidente Evo Morales, anunciou que irá processar o jornalista José Luis Apacani, apresentador do programa "El Variadito", por "atentar contra a dignidade dos camponeses e indígenas há vários anos", informam os jornais Los Tiempos e El Día .
De acordo com o Los Tiempos , a deputada teria se ofendido recentemente pela ligação de um telespectador que teria dito que as autoridades locais têm "cara de lhamas". Em sua defesa, o jornalista argumentou que interrompeu a entrevista, mas a emissora achou melhor suspender o programa, informa o site Página Siete.
Já no município de Oruro, no sudoeste do país, autoridades anunciaram que irão mover ação penal contra o jorna l La Patria por chamar vereadores (concejales) de "concejiles" (conselhos municipais).
Ampla e genérica, a Lei Antirracismo serve de engodo para qualquer suspeita de atitude discriminatória, como o caso de um deputado que irá processar um colega de parlamento pelo uso do termo "velhos carecas"; e de um cidadão que afirmou intenção de processar Evo Morales por um suposto caso de discriminação em disputas territoriais. As informações são do Knight Center for Journalism in the Americas.


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