Um ano desigual, por Gabriel Priolli
Crédito:Leo Garbin Um ano atrás, na primeira coluna de 2014, eu apresentava meu rosário de esperanças para o jornalismo, no novo passeio da Terra em torno do Sol que iniciávamos naqueles dias.
Atualizado em 19/01/2015 às 14:01, por
Gabriel Priolli.
na primeira coluna de 2014, eu apresentava meu rosário de esperanças para o jornalismo, no novo passeio da Terra em torno do Sol que iniciávamos naqueles dias. Sou reticente com tradições, mas, sei lá, essa de acreditar que o champagne do réveillon pode lavar problemas da nossa vida e limpar o terreno para mudanças está arraigada em mim e tento insistir nela. Mesmo sabendo que as expectativas, quase sempre, se esvaem tão rápido quanto as borbulhas na taça.
Há um ano eu sonhava alto. Sonhava que “...a mídia como um todo, a tradicional e a da blogosfera, bem que poderia cultivar as antigas virtudes da apuração consistente, da isenção de ânimos e da ponderação nos julgamentos” e clamava que ela se colocasse “acima da exaltação partidária”, trabalhando no processo eleitoral “para informar e debater com o máximo de objetividade e pluralidade”. Primeira ilusão perdida, de várias outras.
Mas esperança pouca é bobagem. Esperança é gratuita, então é bom tê-la em grandes doses porque se consome rápido. Rezava eu, no mesmo terço de utopias de um ano atrás: “Que bom seria ter de volta a diversidade ideológica nas redações e nas páginas, o debate franco e desarmado de todos os problemas nacionais, a preocupação de ouvir o outro lado em todos os temas controversos, o respeito ao contraditório e ao direito do outro divergir”. Mais ilusões atropeladas pela realidade.
Eu também sonhava em “banir o tom hidrófobo desse jornalismo de apelidos, caricaturas e insultos”, e torcia por um modelo de negócios viável para a mídia, que assegurasse o emprego dos coleguinhas. Mas os petralhas e os tucanalhas continuaram em pleno uso nos textos, voando tão livremente neles quanto o passaralho nas redações.
É o caso de renovar as mesmas esperanças para 2015? Sim, não hesito. Se são elas as últimas que morrem, não há porque resistir. Até porque temos uma remotíssima chance de que se inicie neste ano um debate responsável sobre uma nova regulamentação da mídia, tema indispensável ao avanço da democracia no país. Quando (ou se) esse debate começar, ninguém se iluda: todas as práticas da mídia serão colocadas em xeque. Por mais que se deseje uma reforma meramente econômica e que manobrem para limitá-la ao máximo.
Que 2015, então, seja o ano de um grande reencontro da mídia brasileira consigo mesma e com o país. O ano da reunificação dos jornalistas, divididos, dispersos e conflagrados. O ano da reconquista do público perdido, por insatisfação com o partidarismo dos veículos e sua qualidade editorial declinante. O ano que me permita fazer um texto diferente deste, em janeiro de 2016, se o destino quiser que eu chegue até lá.

Há um ano eu sonhava alto. Sonhava que “...a mídia como um todo, a tradicional e a da blogosfera, bem que poderia cultivar as antigas virtudes da apuração consistente, da isenção de ânimos e da ponderação nos julgamentos” e clamava que ela se colocasse “acima da exaltação partidária”, trabalhando no processo eleitoral “para informar e debater com o máximo de objetividade e pluralidade”. Primeira ilusão perdida, de várias outras.
Mas esperança pouca é bobagem. Esperança é gratuita, então é bom tê-la em grandes doses porque se consome rápido. Rezava eu, no mesmo terço de utopias de um ano atrás: “Que bom seria ter de volta a diversidade ideológica nas redações e nas páginas, o debate franco e desarmado de todos os problemas nacionais, a preocupação de ouvir o outro lado em todos os temas controversos, o respeito ao contraditório e ao direito do outro divergir”. Mais ilusões atropeladas pela realidade.
Eu também sonhava em “banir o tom hidrófobo desse jornalismo de apelidos, caricaturas e insultos”, e torcia por um modelo de negócios viável para a mídia, que assegurasse o emprego dos coleguinhas. Mas os petralhas e os tucanalhas continuaram em pleno uso nos textos, voando tão livremente neles quanto o passaralho nas redações.
É o caso de renovar as mesmas esperanças para 2015? Sim, não hesito. Se são elas as últimas que morrem, não há porque resistir. Até porque temos uma remotíssima chance de que se inicie neste ano um debate responsável sobre uma nova regulamentação da mídia, tema indispensável ao avanço da democracia no país. Quando (ou se) esse debate começar, ninguém se iluda: todas as práticas da mídia serão colocadas em xeque. Por mais que se deseje uma reforma meramente econômica e que manobrem para limitá-la ao máximo.
Que 2015, então, seja o ano de um grande reencontro da mídia brasileira consigo mesma e com o país. O ano da reunificação dos jornalistas, divididos, dispersos e conflagrados. O ano da reconquista do público perdido, por insatisfação com o partidarismo dos veículos e sua qualidade editorial declinante. O ano que me permita fazer um texto diferente deste, em janeiro de 2016, se o destino quiser que eu chegue até lá.






