"Última ditadura da Europa" condena jornalista da DW a dez dias de prisão

A poucos dias da eleição presidencial que será realizada neste domingo (9) sob fortes suspeitas de fraude, um tribunal da Bielorússia condenou nesta sexta (7) o jornalista Alexander Burakov, correspondente da DW, a dez dias de prisão.

Atualizado em 07/08/2020 às 16:08, por Redação Portal IMPRENSA.



Detido na quarta (5) em sua cidade natal Mahilou, que fica a 200 km da capital Minsk, o jornalista escreve há anos para a redação russa da DW.
Crédito:Reprodução DW Jornalista Aleksander Burakov escreve para a redação russa da DW
Da Alemanha, o diretor-geral da DW, Peter Limbourg, protestou contra a prisão enviando uma correspondência à embaixada da Bielorússia em Berlim.

Segundo Limbourg, os motivos alegados para a detenção e condenação constituem um "evidente pretexto para impedir o jornalismo crítico e independente a poucos dias da eleição presidencial".
Ainda não se sabe ao certo o que levou à condenação, mas acredita-se que Bukarov foi preso por transporte ilegal de álcool em seu veículo. Ele também teria sido acusado de dirigir um carro roubado, apesar de o veículo estar em seu nome há anos.
Diferentes organizações representativas de jornalistas, como a Repórteres sem Fronteiras (RSF), vêm denunciando ataques à liberdade de imprensa na Bielorússia.

Ao menos 40 jornalistas teriam sido detidos somente nos últimos dias. Atualmente o país ocupa a 153ª posição no ranking de liberdade de imprensa da RSF.
Conhecida como última ditadura da Europa, a Bielorússia é governada pelo presidente Alexander Lukashenko, de 65 anos, desde 1994. Neste domingo, ele enfrentará a candidata Svetlana Tichanowskaja, de 37 anos.

Sem experiência política, ela é esposa do blogueiro Serguei Tikhanovski, que queria concorrer à presidência, mas está preso desde maio.