Twitter oferece consultoria para redações ganharem mais relevância na web
“Estamos num nível de competição pelo consumo de notícia no qual as pessoas não querem mais só a informação, elas querem uma experiência”. Oalerta que reflete a realidade do mercado de comunicação não vem de um representante da grande imprensa, mas sim de uma rede social, que há alguns anos vem acompanhando essa tendência nos Estados Unidos, e agora, no Brasil.
Atualizado em 16/04/2014 às 13:04, por
Danúbia Paraizo.
À frente da diretoria de jornalismo e política do Twitter, Leonardo Stamillo explica que cada vez mais o leitor busca novas formas de relacionamento com os veículos e saem na frente os que se movimentarem melhor nesse sentido. Com o objetivo de orientar as redações sobre as inúmeras possibilidades de apresentar suas notícias na rede de microblogs, a plataforma criou há três meses no Brasil diretorias de conteúdo específicas para dar consultoria para a imprensa.
Crédito:Divulgação Leonardo Stamillo é gerente de jornalismo e política do Twitter São departamentos focados em três pilares: política, televisão e entretenimento e esportes. A ideia é que, por meio de parcerias de mídia, portais, jornais impressos e emissoras de rádio apresentem seu conteúdo de forma mais relevante na plataforma, atraindo, de quebra, usuários mais engajados e fieis. “Acabamos de fazer um para lembrar os 50 anos do Golpe. Tivemos várias ações que não eram apenas reportagens excepcionais do veículo, mas elas trouxeram uma maneira diferente do leitor se envolver com aquele contexto e, a partir desse envolvimento, ter um vínculo maior com o veículo”, destaca Stamillo.
Em entrevista exclusiva à IMPRENSA, o executivo fala sobre a importância dos veículos utilizarem as redes sociais como parceiras, do papel do Twitter nesse cenário e como os meios de comunicação podem ser mais relevantes na web.
IMPRENSA - Nos Estados Unidos, a relação do Twitter com os meios de comunicação é mais próxima. Sua chegada cumpre essa mesma função de fazer a ponte com a imprensa brasileira? Leonardo Stamillo - Nos Estados Unidos, o Twitter tem um mercado mais maduro porque a empresa nasceu lá, então, o relacionamento com os veículos é mais antigo. No Brasil, o escritório tem apenas um ano, enquanto as diretorias relacionadas à conteúdo têm apenas três meses. Além de mim, que cuido da diretoria de jornalismo e política, temos um diretor de televisão e entretenimento e um outro diretor de esportes.
Como é feita essa aproximação com os veículos? Não temos um modus operandi padrão. Temos primeiro um contato direto com as redações para apresentar a plataforma e as melhores formas de usá-la. O Twitter não é só uma ferramenta de disseminação de conteúdo. Ele é a rede social que mais se encaixa no modo de fazer jornalismo. Ele é uma ferramenta de monitoramento da cidade, ajuda o jornalista a identificar fontes, é uma ferramenta de breaking news . Os jornalistas se alimentam de muitas informações através do Twitter. Ele é quase uma agência de notícias personalizada. Então, temos esse trabalho de educação do jornalista. De mostrar como ele pode se beneficiar dos 25 milhões de tuítes que são enviados todos os dias no Brasil.
Quais são as ações e ferramentas disponibilizadas pelo Twitter para a imprensa? A gente trabalha com duas possibilidades: o veículo não precisa ter um projeto específico no Twitter, ele pode ter um conceito ou uma cobertura que ele queira trabalhar na ferramenta e a gente discute isso junto. Ou o veículo pode já ter um plano bastante definido, apresentar ele para a gente e nós apenas fazemos algumas adequações para que ele tenha o melhor resultado possível.
Estamos em um nível de competição pelo consumo de notícia que as pessoas não querem mais só a informação. Elas querem uma experiência. Acabamos de fazer um projeto para o jornal O Globo para lembrar os 50 anos do Golpe. Tivemos várias ações que não eram apenas reportagens excepcionais do veículo, mas elas trouxeram uma maneira diferente para o leitor se envolver com aquele contexto. E a partir desse envolvimento, ter um vínculo maior com o veículo.
Quais são as vantagens para o Twitter dessas ações? Isso é bom para a gente porque vai fazer com que as pessoas continuem usando nossa plataforma. Não entendemos o Twitter sem o conteúdo dentro dele. Ele perderia a razão de ser se não tivesse um conteúdo de qualidade. É nosso trabalho zelar por isso. O Twitter é uma plataforma de comunicação, conversa entre as pessoas, mas também é uma forma predominantemente de conteúdo.
Com quanto tempo de antecedência essas ações devem ser pensadas e fechadas? Tudo depende do contexto, qual é o assunto que a gente vai trabalhar. Alguns temas são bem pontuais, como o aniversário do Golpe de 1964. Todo mundo sabia que iria acontecer, mas nenhum outro veículo pensou na adequação e aplicação desse conteúdo em uma rede social como fez jornal O Globo , por exemplo. Esse projeto colocamos em pé em três semanas.
Qual é o investimento financeiro que os veículos devem fazer para esses projetos especiais? Temos dois tipos de projeto: aquele que o Twitter faz diretamente nas redações, orientando como o conteúdo pode ser postado — esse modelo é gratuito — ou os projetos pagos. A consultoria para o jornal O Globo , por exemplo, foi gratuita. Discutimos como fazer a seção de perguntas e respostas com a Miriam Leitão, se dava para transformar o conteúdo postado sobre o Golpe de 1964 em uma linha do tempo. Isso não tem custo para os veículos. Quando o projeto tem custo? Quando ele envolve uma empresa parceira, como a gente fez com o Estadão .





