TV Globo critica Tarso Genro por confundir "furo" com "aviso"
TV Globo critica Tarso Genro por confundir "furo" com "aviso"
No início da tarde desta quinta-feira (10), a Central Globo de Comunicação divulgou nota, assinada por Ali Kamel, diretor-executivo de Jornalismo da Central Globo de Jornalismo, em que comenta a repercussão da cobertura feita pela emissora das prisões de Celso Pitta, Daniel Dantas e Naji Nahas.
No comunicado, Kamel responde informação publicada em matéria do jornalista Ricardo Feltrin, editor-chefe da Folha Online, de que o repórter global César Tralli - responsável pelas matérias da Operação Satiagraha - teria um parente de primeiro grau na cúpula da Polícia Federal (PF). "É absolutamente falsa a afirmação do repórter segundo a qual o jornalista César Tralli tem um parente de primeiro grau na cúpula da Polícia Federal. Nem de primeiro, nem de grau algum. Nem na cúpula da Polícia Federal, nem em nenhum dos seus diversos departamentos. Cabe agora à Folha Online provar a seus leitores que não mentiu ou se desculpar pela informação mentirosa".
O comunicado também defende a atuação da emissora, afirmando que ela não "obteve" acesso a nada, mas que deu um "furo", resultado de "meses de trabalho, e graças à credibilidade de que dispõe na sociedade e em múltiplas fontes de informação nas três esferas do Poder Público".
A Globo afirma, ainda, que não recebeu qualquer autorização para filmar a ação da PF. "A Constituição Brasileira, no artigo quinto, inciso XIV, estabelece claramente que 'é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional'. Portanto, a TV Globo jamais pediria autorização à autoridade policial para filmar uma ação que estivesse sendo presenciada por ela. A Folha, e qualquer jornal sério, faria o mesmo".
Inquérito administrativo
Na tarde da última quarta-feira (09), o ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou que havia determinado que a Polícia Federal abrisse inquérito administrativo para apurar quem teria vazado informações sobre as prisões à TV Globo, resultado de diversos contatos feitos pelas emissoras concorrentes, que acharam "injusto" o fato de só a emissora da família Marinho ter tido imagens da ação.
Sobre a investigação, que inclui um depoimento de César Tralli - segundo o que adiantou a Folha Online - Ali Kamel garante que "a TV Globo jamais revelará os diversos passos que a levaram a dar o furo de reportagem sobre a operação da Polícia Federal". E aproveita para reverenciar Tralli. "O repórter César Tralli, um dos mais respeitados do jornalismo brasileiro, dispensa defesas; os furos que dá, ambição de todo jornalista, são fruto de seu talento, de sua credibilidade e de trabalho árduo".
Kamel finaliza a nota criticando o pedido de desculpas feito por Tarso Genro às demais emissoras, que não teriam sido avisadas da operação da PF. "TV Globo entende que ele foi injusto com todos. Com a TV Globo, por confundir um furo, conseguido graças a um minucioso trabalho de reportagem, com um aviso. Com as demais emissoras, por acreditar que elas só sejam capazes de dar furos se, antes, forem 'avisadas'".
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