TV Cultura não renova contrato do jornalista Luis Nassif por "indisponibilidade de agenda"

TV Cultura não renova contrato do jornalista Luis Nassif por "indisponibilidade de agenda"

Atualizado em 14/01/2009 às 13:01, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

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O jornalista Luis Nassif anunciou no Conversa Afiada, na última terça-feira (13), que seu contrato com a TV Cultura - onde ele era comentarista econômico do "Jornal da Cultura" - não foi renovado. Iniciado em 1º de março de 2008, ele tinha vigência até 28 de fevereiro de 2009

No final de um post cadastrado às 12h42 sobre a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, há um comentário de Nassif sobre seu desligamento da emissora. No texto, Nassif comenta que foi avisado da decisão pelo diretor de programação Gabriel Priolli.

Divulgação
Luis Nassif
Ele ainda critica o fato do jornalista Paulo Markun, presidente da Fundação Padre Anchieta - mantenedora da TV Cultura - não tê-lo avisado pessoalmente. "Paulo Markun transferiu a incumbência para o Priolli", escreveu Nassif.

A Fundação Padre Anchieta informou ao Portal IMPRENSA, através de sua gerência de comunicação, que o contrato de Nassif com a TV Cultura previa sua participação como comentarista político no "Jornal da Cultura" em dias não-especificados, por solicitação da direção do jornal, quando o noticiário exige.

No entanto, a emissora alega que "têm sido freqüentes, ao longo do período de vigência do contrato, as situações em que a direção do 'Jornal da Cultura' solicita a presença do jornalista e ele não está disponível, em razão de viagens ou outros compromissos profissionais. Isso obriga o jornal a adequar-se às conveniências de seu colaborador e não o contrário, como seria de esperar".

A Fundação Padre Anchieta informou que já vinha reformulando paulatinamente o "Jornal da Cultura", ampliando o volume de notícias e reduzindo o tempo para comentários - fato que não tem nenhuma ligação com o jornalista Luis Nassif. "Em decorrência [dessas mudanças], vem eliminando os comentaristas fixos, de qualquer área de especialização, recorrendo a eles apenas eventualmente, quando indispensáveis", declarou a fundação.

A TV Cultura nega que a não-renovação do contrato do jornalista tenha relação com as posições expressas por ele em seus comentários: "jamais, ao longo da atual gestão presidida por Paulo Markun, a Fundação Padre Anchieta exerceu qualquer tipo de censura sobre Luis Nassif ou outros colaboradores, não sendo também da prática da instituição contratar ou dispensar pessoas por critérios ideológicos".

Segundo a fundação, "a autonomia gerencial e editorial da instituição é assegurada em lei e sua direção empenha-se em preservá-la".

Nassif contestou a declaração da emissora de que não estaria presente quando solicitado. À reportagem do Portal IMPRENSA, ele afirmou que seu contrato era para fazer um programa sobre economia e comentários semanais no jornal da Cultura.

"O pequeno valor recebido pelos comentários era compensado pelo programa. Quando ele saiu do ar, combinei com o Paulo Markun que continuaria recebendo um valor menor, mas iria esporadicamente à TV, com a possibilidade de ter outros compromissos. No entanto, nos últimos tempos as chamadas ficaram cada vez mais esparsas. Já tinha sinais de que me colocariam na geladeira", declarou.

"Fiz questão de divulgar o rompimento do contrato porque esse tipo de decisão não pode passar impunemente", concluiu o jornalista.

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