TV Cultura deve ter audiência que justifique valor investido, diz conselheiro
TV Cultura deve ter audiência que justifique valor investido, diz conselheiro
A última reunião realizada pelo Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura, no último dia 16/02, parece ter motivado uma série de reflexões em um dos Conselheiros. José Henrique Reis Lobo, secretário de relações institucionais do governo Serra, presidente do diretório municipal do PSDB e membro eletivo do Conselho passou a questionar o valor repassado à emissora (R$ 200 milhões ao ano), sem que ela desse resultados efetivos de audiência.
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| José H. Reis Lobo |
Reis Lobo ressalta que, apesar da importância do Conselho para a TV Cultura, é necessário reavaliar sua competência para gerir uma emissora, bem como sua composição."O Conselho, da maneira como está organizado, teve a sua importância e a sua contribuição num dado momento da instituição, mas hoje é necessário fazer-se uma grande reflexão sobre as suas competências e a sua constituição".
Para ele, o mau desempenho comercial e de audiência dos programas se dá em razão da distância entre os membros do Conselho e a sociedade brasileira. Lobo deixa claro que não questiona a competência intelectual do Conselho, mas sua capacidade técnica na produção de conteúdos para o formato televisivo. "O Conselho da Cultura é composto de gente séria, competente, que entende de muitos assuntos, mas não de televisão", disse ele.
Ele questionou também o fato de alguns membros do Conselho não debatarem a questão da audiência sob o argumento da necessidade de atenção às novas plataformas de mídia. "Há no Conselho quem sustente que discutir agora audiência da TV não tem grande significado porque hoje o fundamental é o que eles chamam de 'novas mídias'. Pois bem, se isso for verdade, então para que a televisão?", indagou.
Reis Lobo pondera que existir uma TV só se justifica se houver que a assista. "Há necessidade de uma ampla reforma conceitual e estrutural para nos adequarmos à realidade de uma emissora de televisão, que só se justifica se houver quem a assista, porque não há nada de maior non sense do que falar para um auditório vazio, fazer teatro para ninguém ver, realizar debates para nenhuma platéia ou editar jornal para um público que não existe", disse.
Ao final da carta, o conselheiro declara que a composição do Conselho está ultrapassada e que o cidadão não se vê representado dentro dele. Ele diz que a opinião do Conselho reflete a de uma elite intelectual distante dos interesses dos telespectadores. "Penso que a formatação do Conselho está superada. O cidadão médio não está nele representado. A opinião sobre a programação tende a refletir a opinião da elite intelectual que compõe o Conselho".
Reis Lobo pediu que direção da TV Cultura envie ao Conselho o custo de produção de cada programa, assim como seu respectivo índice de audiência, para que se avalie sua viabilidade comercial e, desse modo, compare a programação da emissora com a de outras.
O Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta é composto por 47 membros, sendo três vitalícios, 20 natos (representantes da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, de secretarias estaduais, universidades e outras instituições), 23 eletivos e um representante dos empregados. Só podem ser elegíveis personalidades indicadas no mínimo por oito conselheiros e, para serem eleitos, elas devem contar com a maioria dos votos (24), informa o site da Instituição.
Procurada pela redação do Portal IMPRENSA, até o fechamento desta matéria a TV Cultura ainda não havia se posicionado a respeito das opiniões do Conselheiro.
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