TV Brasil é criticada por modelo de gestão e ênfase no jornalismo político
TV Brasil é criticada por modelo de gestão e ênfase no jornalismo político
Em matéria publicada nesta sexta-feira (28), pela agência BBC, o sociolólogo Demétrio Magnoli e o radialista Diogo Moyses criticam a ênfase no jornalismo político e o modelo de gestão, sem autonomia assegurada por lei, adotados pela TV Brasil.
Para o sociólogo, a programação da emissora mostra que, ao contrário do discurso governamental de que ela vai unir a programação regional das TVs públicas e estatais, o governo vai usar a emissora para fazer jornalismo político.
"Na prática, o que o governo está dizendo, não com as palavras, mas com a programação que montou, é que o jornalismo independente do governo não serve, por isso o governo precisa fazer jornalismo político", afirma.
Para o radialista Diogo Moyses, um dos coordenadores da ONG Intervozes, o problema da TV Brasil é o modelo de gestão, que, na avaliação dele, não garante a independência da empresa. "Tanto a diretoria executiva como o Conselho Curador são indicados pelo presidente, o que, do nosso ponto de vista, compromete a autonomia e a independência da empresa", afirma Moyses.
No que diz respeito aos aspectos do jornalismo, Magnoli critica o fato de os dirigentes da TV serem profissionais oriundos do jornalismo político, e de a programação nova da TV Brasil incluir dois telejornais. "O governo está usando dinheiro público para fazer algo que não devia, que é jornalismo político", afirmou Magnoli. "E como não vai funcionar, o governo vai jogar fora todo esse dinheiro."
A presidente da EBC, Tereza Cruvinel, defende que a TV Brasil vai discutir as questões nacionais, assuntos que não encontram espaço nas emissoras comerciais. Magnoli, no entanto, discorda e diz que a imprensa já faz este papel. "A imprensa brasileira tem uma pluralidade incomum na América Latina", diz o sociólogo, para quem, se existe algo para ser criticado no jornalismo brasileiro, não é o excesso de crítica ao governo, mas a falta de crítica.
Com relação ao modelo de gestão adotado pela emissora, a ONG Intervozes defende também a independência das verbas orçamentárias do governo. Ainda assim, para Moyses, mesmo com a vinculação ao orçamento, teria sido possível garantir a autonomia de decisões se essa estivesse explicitada no texto.
"Nós não acreditamos, de maneira nenhuma, que este governo tenha a intenção de instrumentalizar a EBC, até porque isso não foi feito com a Radiobrás nos últimos cinco anos", afirma Moyses, ao discordar de alguns críticos da TV Brasil.
O problema, segundo ele, é que a Medida Provisória que criou a empresa não garante a independência formalmente, e futuros governos podem não ter os compromissos políticos assumidos pelo governo atual.
Outra crítica feita pela Intervozes [e a falta de transparência na escolha dos conselheiros - os 15 nomes apresentados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram escolhidos pelo economista Luiz Gonzaga Belluzzo, a pedido do presidente. Também integram o Conselho Curador quatro ministros e um representantes dos funcionários.






