TV Brasil dobra gastos em relação à Radiobrás

TV Brasil dobra gastos em relação à Radiobrás

Atualizado em 07/02/2008 às 14:02, por Redação Portal IMPRENSA.

A TV Brasil, criada em dezembro de 2007 pelo governo federal, gastou R$ 14.505 com cartão corporativo em um período de 83 dias. Esse valor aponta para uma média diária de R$ 174,75 e é mais que o dobro da média registrada por sua antecessora, a Radiobrás.

No Portal da Transparência, os cartões que bancam os gastos da nova TV ainda aparecem em nome da Radiobrás. Isso porque, apesar de a Medida Provisória dizer que a antiga empresa fica incorporada à nova, isso ainda depende de uma assembléia e de uma auditoria, o que deve ocorrer ainda no primeiro semestre de 2008.

Entretanto, José Roberto Garcez, presidente da Radiobrás - que ainda não está formalmente extinta - declarou que o aumento nos gastos é decorrência do "aumento de atividades da emissora, sobretudo jornalísticas".

Ainda segundo Garcez, os saques com os cartões se destinam unicamente a financiar viagens para o trabalho jornalístico da emissora. Os cartões começaram a ser usados na empresa em março de 2006. Entretanto, naquele ano, foram registrados pagamentos utilizando o cartão corpotarivo, um deles no valor de R$ 36, que foi feito na PB Colchões, em uma loja de Brasília. Segundo um atendente, apenas colchões são comercializados na loja. Garcez disse que não sabia o motivo do gasto e que iria verificar.

Procurada pela Folha, Tereza Cruvinel, presidente da Empresa Brasil de Comunicação, nome oficial da TV pública, disse que a explicação para os gastos cabe apenas à Radiobrás. Segundo ela, a sua empresa não tem cartões corporativos.

No seu primeiro ano, a TV Brasil terá um orçamento de cerca de R$ 350 milhões. No entanto, o valor pode aumentar. O relator da MP, deputado Walter Pinheiro (PT-BA), cogita destinar à emissora parte dos recursos do Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações), que arrecada R$ 2 bilhões por ano.

Em 2007, todos os gastos, antes ou depois da nova emissora, foram feitos em dinheiro vivo, por meio de saques de oito servidores administrativos da Radiobrás. O destino do dinheiro não é aferível.

As informações são da Folha Online.