Tudo sobre o Prêmio Vladimir Herzog

Tudo sobre o Prêmio Vladimir Herzog

Atualizado em 15/10/2004 às 13:10, por Redação Portal Imprensa.

Se o Brasil não é um país exatamente famoso por sua memória, o mesmo não se pode dizer de alguns personagens singulares de sua história. Vladimir Herzog personaliza uma destas exceções: jornalista, tornou-se ícone da luta contra a ditadura quando morreu aos 38 anos, vítima de penosas torturas nos porões do Dops, em 25 de outubro de 1975.

Passados quase 30 anos, o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo celebra não apenas a figura de Vlado, como Herzog era carinhosamente chamado pelos amigos, mas também a 26a. edição de um Prêmio que sobrevive graças à credibilidade que tem junto à classe e pela memória de seu patrono. "Queremos redimensionar o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direito Humanos e aproximá-lo não apenas da imprensa, mas também de todo o universo acadêmico e do público em geral", afirma José Augusto, diretor do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e membro da Comissão Organizadora do Prêmio.

"Notamos que, além do Prêmio, a própria história de Vladimir tinha que ser resgatada e colocada em pauta. Muitos jovens profissionais de imprensa não têm intimidade com a figura do Herzog", reitera Fred Ghedini, presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Além da cerimônia de premiação, a 26a. edição do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, que acontecerá no dia 25 de outubro, no Parlamento Latino-americano, em São Paulo, a organização insituiu este ano a semana Vladimir Herzog de Cidadania e Direitos Humanos, que envolverá estudantes e acadêmicos de seis universidades paulistas. Durante uma semana, entidades representativas, ONGs e faculdades de jornalismo debaterão o assunto com o objetivo de ampliar a percepção sobre o tema e fortalecer a luta por justiça social.

O Prêmio foi idealizado e implantado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo; Vicariato da Comunicação da Cúria Metropolitana; Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - Seção São Paulo; Comitê Brasileiro pela Anistia; Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e conta com o apoio da família do jornalista.

Vlado

Nascido em Osijsk , na Iugoslávia, Vladimir Herzog foi intimado em 25 de outubro a comparecer no DOI-CODI de São Paulo, acusado de possíveis ligações com o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Vlado, na época diretor de jornalismo da TV Cultura, morreu no mesmo dia em que se apresentou às autoridades, vítima de torturas típicas do regime militar. A versão "oficial" conta que Herzog teria se enforcado com o cinto do macacão de presidiário que vestia desde sua entrada no DOI-CODI.

A morte de Herzog visivelmente detonou um processo irreversível de m obilização popular contra o regime ditatorial, que iria levar ao enfraquecimento do sistema. "Recordando sua morte, eu me lembro de três momentos. Primeiro a busca, saber onde ele estava. Foram telefonemas para todas as autoridades, desde o governador até o general Golbery, mas ele já estava morto, não havia nada a fazer. Depois, foi a preparação para o ato ecumênico, todos unidos para dizer: "a revolução estava matando". Enfim o terceiro momento, quando um operário da zona leste de São Paulo foi preso e desapareceu, Manoel Fiel Filho, que se tornou um ícone da resistência operária contra a violência", relembra D. Paulo Evaristo Arns, cardeal-arcebispo de São Paulo.

A morte de Vlado deu origem a uma verdadeira batalha jurídica, pois os advogados da familia optaram, devido ao delicado momento político pela qual passava o país, em responsabilizar as autoridades pela omissão em garantir a vida de um cidadão que estava sob sua guarda.

A estratégia se mostrou correta, e em um julgamento bastante tenso, a União foi considerada culpada pela morte do jornalista.

A trajetória de Vlado foi imortalizada no teatro pelas mãos de um dos atores mais politicamente atuantes do Brasil: "Quis resgatar a importância do Vlado para aquele momento histórico brasileiro, sem perder de vista a referência da violência a que ele foi submetido, um momento de afronta aos direitos humanos e à pessoa de um profissional da comunicação, extremamente ligado também ao teatro, à cultura. A morte de Herzog é uma página indelével da história da caminhada brasileira em direção à cidadania e aos direitos humanos", afirma o ator, dramaturgo e diretor Gianfrancesco Guarnieri, autor da peça "Ponto de Partida", que relata o drama vivido pelo jornalista.

Fonte: Sindicato dos Jornalista do Estado de São Paulo