“Tudo o que o homem escrever caminha para o digital”, diz Zeca Carmago sobre novo e-book
O jornalista Zeca Camargo é autor de seis livros. Quase todos tratam dos momentos vivenciados ao longo da sua profissão. Recentemente, durante uma viagem à Islândia para celebrar seus 50 anos de vida, teve um insight .
Atualizado em 17/10/2013 às 16:10, por
Danubia Paraizo.
Ao refletir sobre suas experiências e aprendizados começou a rascunhar alguns pensamentos. Não deu outra. Na volta ao Brasil, desenvolveu melhor as anotações e resolveu publicá-las. O resultado pode ser conferido no livro digital “50, eu?”, lançado pela editora e-Galáxia.
Crédito:TV Globo/ João Cotta Zeca Camargo durante a cobertura do Rock in Rio Tendo como ponto de partida as mudanças de seu corpo ao longo dos anos, Camargo usa do bom humor para retratar dilemas de quem chega à marca do meio século de vida. “O único ‘filtro’ que usei para escrever "50, eu?" foi o espelho. Encarei sem medo meu reflexo e comecei a me perguntar o que significa ter 50 anos, o que é chegar aqui com esse corpo”, à IMPRENSA.
Considerado um dos livros mais vendidos da Apple Store, o jornalista confidenciou que, a princípio, tinha urgência na publicação da obra, em decorrência de seu aniversário, celebrado em abril, por isso a escolha pela plataforma digital. Num segundo momento, bastante atento ao crescente espaço para os e-books no Brasil, pensou: “por que não?”. “Tudo o que o homem quiser escrever de agora em diante vai caminhar para o formato digital. É irreversível. O mercado de livros já aponta para isso - bons editores estão orientando seus autores neste sentido”.
IMPRENSA: “50, Eu?” é o seu sexto livro e único com tom mais autobiográfico. Quais cuidados você teve para selecionar o que entraria?
Zeca Camargo - O único "filtro" que usei para escrever "50, eu?" foi o espelho. Encarei sem medo meu reflexo e comecei a me perguntar o que significa ter 50 anos, o que é chegar aqui com esse corpo. E eu não teria conseguido fazer isso se não fosse com uma boa dose de humor e auto-ironia. Nesse sentido, ele é um trabalho bem diferente dos livros anteriores sim, que partiram de uma reportagem, de trabalhos anteriores. Este foi um exercício de reflexão, bastante íntimo e honesto.
Quando e por que decidiu escrevê-lo?
Uma das maneiras que escolhi para comemorar meu aniversário foi fazer uma viagem sozinho pelo interior da Islândia, por dez dias. Lá, com os dias longos e muito tempo livre, comecei a escrever algumas coisas sobre chegar a essa idade - e fui gostando do que lia. Senti que ali existia o potencial de um texto maior, que falasse com mais gente - não necessariamente quem também está nesta faixa etária - mas pessoas que um dia já pensaram sobre o que vai acontecer quando elas chegarem lá... Nosso corpo é um excelente ponto de partida para qualquer introspecção - e aí fui me olhando, me divertindo e escrevendo.
Os e-books passam por um momento de popularidade no Brasil. Isso tende a ser observado também na imprensa? O futuro dela será no digital?
Tudo que o homem quiser escrever de agora em diante vai caminhar para o formato digital. É irreversível. O mercado de livros já aponta para isso - bons editores estão orientando seus autores neste sentido. E no que diz respeito à imprensa escrita, ela também não vai "escapar". Mas, da mesma maneira que com os livros, já temos bons editores de jornal e de revista que estão fazendo uma boa transição entre esses dois universos. E, novamente, quem sair na frente...
O "Fantástico" completou recentemente 40 anos. Quais foram os momentos mais marcantes de sua carreira no programa?
É quase impossível selecionar apenas alguns momentos de uma relação de quase 18 anos. Assim, à queima-roupa, não tem como não lembrar da primeira "Fantástica Volta ao Mundo", em que o telespectador escolhia os destinos para onde viajávamos; ou da "Turma 1901", quando colocamos uma câmera durante um ano numa escola pública do ensino no Rio de Janeiro; sem falar nas entrevistas incríveis que um amante de música como eu só pode ser grato pelo resto de sua vida de ter tido a oportunidade de fazer - de Madonna a Paul McCartney. Mas outro dia mesmo, numa despedida da equipe, uma colega se lembrou de uma reportagem que fiz com uma atriz cega, que estava se formando numa escola de teatro - e imediatamente me emocionei também. São muitos momentos bons, em mais de 700 matérias.
Como recebeu o desafio de sair do "Fantástico" para assumir o "Vídeo Show"? Vai ter carta branca para sugerir algumas mudanças?
Já estou, junto com o diretor Ricardo Waddington, preparando um novo formato. É um desafio especial.
Durante alguns anos, você foi diretor de jornalismo e apresentador da MTV. Como recebeu a notícia do fim da emissora em TV aberta? Na sua opinião, quais foram os motivos para o seu fim?
A MTV, nos moldes como eu ajudei a criar no Brasil, não fazia mais sentido - pelo menos não no contexto em que as pessoas consomem música hoje. Mesmo lá fora, o canal teve que ser criativo para sobreviver. Aqui, a boa saída foi investir no humor. Isso deu muitos bons frutos. Marcelo Adnet e Tatá Werneck são apenas dois entre tantos bons exemplos. Mas talvez a expectativa de quem via MTV, que sempre foi grande, era ainda maior, e a melhor solução foi, quem sabe, sair ainda por cima, em tempo de deixar saudade. Recebi a notícia com uma certa surpresa, mas também com a tranquilidade de quem viu uma trajetória cheia de coisas boas. E que venham novas usinas de talento como a MTV.
Crédito:TV Globo/ João Cotta Zeca Camargo durante a cobertura do Rock in Rio Tendo como ponto de partida as mudanças de seu corpo ao longo dos anos, Camargo usa do bom humor para retratar dilemas de quem chega à marca do meio século de vida. “O único ‘filtro’ que usei para escrever "50, eu?" foi o espelho. Encarei sem medo meu reflexo e comecei a me perguntar o que significa ter 50 anos, o que é chegar aqui com esse corpo”, à IMPRENSA.
Considerado um dos livros mais vendidos da Apple Store, o jornalista confidenciou que, a princípio, tinha urgência na publicação da obra, em decorrência de seu aniversário, celebrado em abril, por isso a escolha pela plataforma digital. Num segundo momento, bastante atento ao crescente espaço para os e-books no Brasil, pensou: “por que não?”. “Tudo o que o homem quiser escrever de agora em diante vai caminhar para o formato digital. É irreversível. O mercado de livros já aponta para isso - bons editores estão orientando seus autores neste sentido”.
A seguir, Zeca Camargo conta detalhes de como foi o processo de produção de seu primeiro livro autobiográfico, as mudanças no mercado editorial e as matérias marcantes ao longo de quase duas décadas à frente do "Fantástico", da TV Globo. O jornalista falou ainda sobre os desafios de ancorar o "Vídeo Show" e o final da MTV, em TV aberta, já que foi apresentador e diretor de jornalismo da emissora.
IMPRENSA: “50, Eu?” é o seu sexto livro e único com tom mais autobiográfico. Quais cuidados você teve para selecionar o que entraria?
Zeca Camargo - O único "filtro" que usei para escrever "50, eu?" foi o espelho. Encarei sem medo meu reflexo e comecei a me perguntar o que significa ter 50 anos, o que é chegar aqui com esse corpo. E eu não teria conseguido fazer isso se não fosse com uma boa dose de humor e auto-ironia. Nesse sentido, ele é um trabalho bem diferente dos livros anteriores sim, que partiram de uma reportagem, de trabalhos anteriores. Este foi um exercício de reflexão, bastante íntimo e honesto.
Quando e por que decidiu escrevê-lo?
Uma das maneiras que escolhi para comemorar meu aniversário foi fazer uma viagem sozinho pelo interior da Islândia, por dez dias. Lá, com os dias longos e muito tempo livre, comecei a escrever algumas coisas sobre chegar a essa idade - e fui gostando do que lia. Senti que ali existia o potencial de um texto maior, que falasse com mais gente - não necessariamente quem também está nesta faixa etária - mas pessoas que um dia já pensaram sobre o que vai acontecer quando elas chegarem lá... Nosso corpo é um excelente ponto de partida para qualquer introspecção - e aí fui me olhando, me divertindo e escrevendo.
Os e-books passam por um momento de popularidade no Brasil. Isso tende a ser observado também na imprensa? O futuro dela será no digital?
Tudo que o homem quiser escrever de agora em diante vai caminhar para o formato digital. É irreversível. O mercado de livros já aponta para isso - bons editores estão orientando seus autores neste sentido. E no que diz respeito à imprensa escrita, ela também não vai "escapar". Mas, da mesma maneira que com os livros, já temos bons editores de jornal e de revista que estão fazendo uma boa transição entre esses dois universos. E, novamente, quem sair na frente...
O "Fantástico" completou recentemente 40 anos. Quais foram os momentos mais marcantes de sua carreira no programa?
É quase impossível selecionar apenas alguns momentos de uma relação de quase 18 anos. Assim, à queima-roupa, não tem como não lembrar da primeira "Fantástica Volta ao Mundo", em que o telespectador escolhia os destinos para onde viajávamos; ou da "Turma 1901", quando colocamos uma câmera durante um ano numa escola pública do ensino no Rio de Janeiro; sem falar nas entrevistas incríveis que um amante de música como eu só pode ser grato pelo resto de sua vida de ter tido a oportunidade de fazer - de Madonna a Paul McCartney. Mas outro dia mesmo, numa despedida da equipe, uma colega se lembrou de uma reportagem que fiz com uma atriz cega, que estava se formando numa escola de teatro - e imediatamente me emocionei também. São muitos momentos bons, em mais de 700 matérias.
Como recebeu o desafio de sair do "Fantástico" para assumir o "Vídeo Show"? Vai ter carta branca para sugerir algumas mudanças?
Já estou, junto com o diretor Ricardo Waddington, preparando um novo formato. É um desafio especial.
Durante alguns anos, você foi diretor de jornalismo e apresentador da MTV. Como recebeu a notícia do fim da emissora em TV aberta? Na sua opinião, quais foram os motivos para o seu fim?
A MTV, nos moldes como eu ajudei a criar no Brasil, não fazia mais sentido - pelo menos não no contexto em que as pessoas consomem música hoje. Mesmo lá fora, o canal teve que ser criativo para sobreviver. Aqui, a boa saída foi investir no humor. Isso deu muitos bons frutos. Marcelo Adnet e Tatá Werneck são apenas dois entre tantos bons exemplos. Mas talvez a expectativa de quem via MTV, que sempre foi grande, era ainda maior, e a melhor solução foi, quem sabe, sair ainda por cima, em tempo de deixar saudade. Recebi a notícia com uma certa surpresa, mas também com a tranquilidade de quem viu uma trajetória cheia de coisas boas. E que venham novas usinas de talento como a MTV.





