“Tudo foi muito além do esperado”, dizem criadores da campanha com Chiquinho Scarpa
Responsáveis pela campanha publicitária que surpreendeu o público e a mídia nesta semana, o publicitário Christian Fontana e o diretor de arte Marcelo Rizerio, ambos da Leo Burnett Taillor Made, falaram à IMPRENSA de onde surgiu a ideia de criar a jogada de marketing que envolvia o Conde Chiquinho Scarpa e seu valioso Bentley.
Atualizado em 20/09/2013 às 18:09, por
Igor dos Santos.
Desde a última segunda-feira (16/9), Scarpa anunciou através das redes sociais que faria igual aos faraós e enterraria um de seus bens valiosos, um automóvel Bentley, no fim da semana. No entanto, nesta sexta-feira (20/9), quando a mídia foi em sua mansão para cobrir o enterro, Scarpa revelou que sua real intenção não era enterrar seu carro de luxo, mas anunciar o início da Campanha Nacional de Doação de Órgãos, da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos).
Crédito:Divulgação Segredo da "pegadinha" foi guardado a sete chaves entre equipe Fontana diz que a ideia de fazer uma campanha tão chamativa surgiu, pois se fosse uma ação normal, a iniciativa “não ia aparecer e ninguém ia comentar”. O publicitário diz que, durante o processo de criação, ele e Rizerio lembraram da tradição dos faraós, de serem enterrados com seus bens valiosos, e decidiram imaginar como algo assim seria visto nos dias de hoje pela opinião pública.
A dupla afirma que o conde milionário foi “a primeira e única” pessoa em que pensaram. “Ele [Scarpa] recebeu a agência de forma muito acessível. Quando a gente expos a ideia, ele adorou. Ele realmente se engajou nessa causa”, diz Fontana.
“Ele teve que ser muito corajoso. A gente deixou claro que ele ia ser muito criticado, mas ele afirmou que não tinha problema e que acredita na nossa ideia”, acrescentou o publicitário. Fontana afirma que a agência “sempre acreditou na ideia”, mas revela que foi surpreendido pelo tamanho que a ação tomou. “Tudo foi muito além do esperado”, diz.
Rizerios diz que a estratégia foi arriscada, pois se a farsa vazasse antes “poderia estragar tudo”. “Teve um frio na barriga, um medo de que isso [vazamento do propósito da ação] acontecesse. A gente dependeu de um sigilo muito grande de algumas poucas pessoas”, diz.
“Seria uma campanha muito menos arriscada se ela durasse dois dias, por exemplo. Mas se ela durasse dois dias, poderia não ter essa repercussão tão grande”, acrescenta Fontana.
“Eu não enterrei meu carro, mas todo mundo achou um absurdo quando eu disse que ia fazer isso. Absurdo é enterrar seus órgãos, que podem salvar muitas vidas. Nada é mais valioso. Seja um doador, avise sua família”, disse Scarpa em sua conta no Facebook.





