Troquei o e-mail por uma carta
Troquei o e-mail por uma carta
Hoje escrevi uma carta, assim de próprio punho. Peguei uma caneta, um papel e escrevi. Pensei há quantos anos não escrevia assim. Óbvio que uso papel e caneta todos os dias na apuração, em entrevistas, mas parar para escrever, com calma, caprichando na letra, fazia tempo, muito tempo que não fazia. Quando peguei o envelope então... nossa!!! Confesso que meus olhos lacrimejaram quando preenchi o nome, endereço, cep... sem teclar, escrevendo. Caminhar até uma agência dos Correios (ainda não o fiz) acredito que será uma outro momento saudoso.
O fato de escrever uma carta, de desenhar letra a letra, de esquecer o computador para dedicar tempo em "pessoalizar" uma mensagem, me fez parar para pensar no quão frias as relações se tornaram nesse mundo tecnológico em que vivemos. Os aniversários lembramos pelo Orkut e pela própria página felicitamos os amigos. O messenger nos dá a falsa sensação de proximidade, quando nada substitui a conversa olho no olho, o aperto de mão, o abraço.
Qual foi a última vez em que você viu aquele amigo (a) com quem você tecla pelo messenger todos os dias? Não estou falando daquele que mora em outro país ou em uma cidade distante, mas daquele que está a uma distância possível. Pensando nisso, senti uma certa solidão.
Levando esse pensamento para o lado profissional, percebo que a tecnologia cada vez mais presente em nossas vidas, que digitaliza pessoas, fontes, amigos e notícias, faz dos jornalistas menos dedicados na hora de apurar informações. Os buscadores (Google e afins) acabam pouco a pouco (ou muito a muito) substituindo o telefone. O e-mail substitui o telefone. Às vezes, uma matéria é mal apurada porque os contatos são feitos por e-mail e não respondidos. Ou uma informação é publicada errada porque faltou ao jornalista passar a mão no telefone e fazer uma simples ligação que confirmaria ou não uma história.
Gosto e defendo a tecnologia. Acredito que ela seja extremamente importante para o trabalho jornalístico. Entendo as dificuldades pelas quais passam muitas empresas de mídia que trabalham com cada vez mais informação e cada vez menos pessoal. No entanto, tal tecnologia não deve ser utilizada para informatizar o profissional de comunicação, para fazer dele um apurador mecânico, um cozinheiro de matérias e um disseminador de possíveis "barrigas".
Enfim, escrevam cartas. Esse momento singelo pode render boas epifanias.






