“Triconomics” pretende falar de economia com humor leve e sereno aos ouvintes da CBN

Programa exibido semanalmente pela rádio CBN conta com a participação de três analistas em economia, que traduzem o “economês” ao cotidiano.

Atualizado em 29/10/2014 às 16:10, por Christh Lopes*.

Saímos de uma eleição em que a economia foi, após mais de uma década, tema central e decisivo na intenção de voto dos brasileiros. Independentemente da razão, o assunto volta com força total ao cotidiano do cidadão, que precisa ter uma fonte de informações de como as movimentações no mercado podem influenciar no seu dia a dia. Para suprir a demanda de conteúdo, o jornalista Luiz Gustavo Medina,idealizou o “Triconomics”, novo programa da rádio CBN.
Crédito:Divulgação Programa da CBN traduz linguagem da economia para o público
Com o apoio da diretora executiva de jornalismo Mariza Tavares, o radialista conseguiu levar adiante um projeto vislumbrado apenas como uma semente. A ideia era tratar em profundidade, mas com bom humor e uma pitada de irreverência, o cenário econômico brasileiro. A única fonte do mercado, conforme conta, é o Valor. Canais que também faziam uma cobertura mais especializada, como a GloboNews, seguiram a tendência de informar somente o hard news do setor financeiro.
A pluralidade e a concorrência, princípios básicos para algo sólido num sistema pleno, ficaram de lado. “Acho que coincidiu um pouco com uma época muito ruim de mercado financeiro, com as crises financeiras. O mercado esfriou e a cobertura (jornalística) caiu. O que acabou gerando um ciclo vicioso de pouca informação e pouco interesse. Penso que isso uma hora iria virar”, declara.
Às terças e quintas, ao meio dia, Medina se reunirá com os amigos Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, e Carlos Eduardo Gonçalves, professor-titular da FEA-USP. O trio de analistas se apresentam como fontes, uma vez que comentaram fatos e explicam as narrativas pouco atrativas do ponto de vista linguístico. A ideia é trazer para a vida comum do ouvinte as experiências de uma aplicação da atividade econômica, assim, traduzindo o chamado “economês”.
“As pessoas não têm noção do que pode acontecer com o país no ano que vem. Nós podemos acordar um dia com o dólar cotado a R$ 4,00. Um microempresário, por exemplo, vai querer saber porque isso acontece, o que ocorreu e o que deve fazer. Pergunto: onde ele vai se informar? Você não tem aonde ver isso”, conta.
Assim, o “Triconomics” pretende ser um espaço de discussão de visões diferentes sobre os rumos da economia, transmitindo informações ao mesmo tempo em que são apresentadas opiniões sobre os fatos.

Para o radialista, o debate sobre o papel do Estado não foi aprofundado porque o problema diagnosticado pelos agentes econômicos não foi sentido de fato pelos brasileiros. Só que o momento, em sua visão, exige não somente mudanças, mas decisões para viabilizar um futuro.
Schwartsman concorda com o colega. O economista afirma que o programa liga os refletores diante de algo ainda obscuro para o brasileiro. “Temos a proposta de que a economia vai além da inflação e que pode ser usada para explicar os fatos cotidianos, como e porque que as pessoas estão dispostas a pagar por uma pipoca no cinema ou algo nesse sentido. É mostrar, na verdade, que a análise pode ser utilizada num conjunto de aplicações que não é óbvia à primeira vista”, afirma.
Presença do humor no “Triconomics”
Um clima de descontração e de franco diálogo. A irreverência do programa não tem um DNA cômico, mas reflete uma conversa entre amigos que discutem em uma mesa de negócios as consequências de uma medida governamental, por exemplo. “O Alex é um cara que tem o humor mais negro, já eu, me considero um cara bobo de origem, ligeiramente. O Dudu é um cara engraçado por natureza, meio esquisito e engraçado”, disserta Luiz Gustavo Medina.
Essa união de faces positivas dos personagens é um dos diferenciais da iniciativa. A atração inicia, logo de cara, com o “Call de Abertura”, expressão utilizada pelos bancos em suas reuniões, e trata dos principais fatos econômicos. “Vamos analisar a notícia do dia como é feita nas instituições financeiras. É como o economista-chefe que chega todos os dias de manhã, chama a equipe e fala: ‘Acabou de sair o Copom, subiu os juros por isso, isso e isso, e pode acontecer aquilo. Ele dá aquela geral sobre um ou dois assuntos mais quentes”, diz.
Em seguida vem o “Bestiário”, que reúne as declarações mais polêmicas ou mesmo inadequadas, que ganham espaço na mídia durante os últimos dias. “Neste quadro, queremos tentar explicar para os ouvintes a economia pegando ‘bobagens’ que foram ditas no país por empresários, ministros ou pessoas ligadas ao mercado financeiro que toda hora escrevem coisas sem sentido sobre o tema. No piloto, comentamos a fala do secretário de política econômica Márcio Rolland”.
Com a alta da taxa de inflação no país, ele comentou em entrevista que, se a carne está muito cara, o brasileiro deveria optar pelo ovo. “Colocamos a sonora do mencionado e explicamos o absurdo de o secretário de política econômica do país sugerir isso para as pessoas. Isso remete ao tempo do Sarney, quando a gente teria que pegar boi no pasto”.
“Isso as pessoas já fazem por intuição própria. Qualquer dona de casa faz isso. Tomate está caro, compra batata. Mas o cara não pode fazer isso. E a gente espera que eles estejam fazendo algo mais efetivo e não apelando para que você não compre carne, para que não compre frango, para que não tome água”, acrescenta. Serão frases como essa que serão tratadas pelos “Triconomics”.
Quadros e estreia
Quem não puder ligar o rádio no horário do "Triconomics" poderá acessar todas as edições no site da emissora. Acompanhe abaixo a 1ª edição da atração ou no .

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves