Tribunal declara legal detenção de companheiro de Greenwald em Londres

O Tribunal Superior de Londres declarou ser legal a detenção de David Miranda, companheiro do jornalista Glenn Greenwald. O brasileiro foi considerado suspeito de terrorismo, em agosto do ano passado, e detido no aeroporto de Heathrow, em Londres.

Atualizado em 19/02/2014 às 14:02, por Redação Portal IMPRENSA.

Na ocasião, ele estava viajando da Alemanha ao Brasil com materiais jornalísticos da correspondente Laura Poitras.
Crédito:Reprodução Miranda diz que vai apelar da decisão, pois tribunal o comparou a terrorista
Segundo a EFE, com bens confiscados e após nove horas de interrogatório, o companheiro do jornalista, que revelou os documentos vazados por Edward Snowden no “ The Guardian ”, diz que recorrerá da decisão proferida pela justiça, pois "os valores de liberdade de expressão que estão em jogo são importantes demais para fazer outra coisa que não seja lutar até o final".
Em comunicado no site “Intercept”, o brasileiro manifesta sua posição com a divulgação da sentença. “Claro que não estou feliz com que um tribunal tenha dito formalmente que eu era um legítimo suspeito de terrorismo, mas os dias do império britânico há tempo terminaram e essa sentença não terá nenhum efeito fora das fronteiras desse país”.
Sem estar surpreso, Miranda acredita que a decisão do Tribunal, que considera a detenção "proporcional, dadas as circunstâncias”, confirma a falta de liberdade dos jornalistas na Inglaterra. "Estou convencido de que prejudicaram seu país muito mais do que a mim com essa sentença, pois ressalta o que o mundo já sabe: que o Reino Unido despreza as liberdades de imprensa mais básicas”. Sobre a decisão, a ministra britânica do Interior, Theresa May, declarou hoje que "apoia completamente o ato totalmente proporcional realizado pela polícia neste caso para proteger a segurança nacional".
O companheiro Gleen Greenwald ressalta que comparar jornalistas com terroristas "é a mesma teoria que o regime militar do Egito utiliza para processar jornalistas da Al Jazeera. Miranda adiantou que recorrerá da sentença no Tribunal Europeu de DireitosHumanos, transferindo o caso à Corte de Apelação.