Três jornalistas são agredidos pela PM durante protesto em SP; entidades condenam

Na noite da última quarta-feira (18/5), dois fotógrafos e um repórter cinematográfico foram atacados pela Polícia Militar (PM) enq

Atualizado em 20/05/2016 às 09:05, por Redação Portal IMPRENSA.

Na noite da última quarta-feira (18/5), dois fotógrafos e um repórter cinematográfico foram pela Polícia Militar (PM) enquanto cobriam o protesto de estudantes na região central de São Paulo (SP). A instituição alegou que precisou usar força contra grupo que atirou rojões. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) condenaram as agressões.

Crédito:Reprodução Entidades condenaram agressão da PM contra profissionais de imprensa

De acordo com a Abraji, todos foram atingidos enquanto registravam imagens da ação policial contra os manifestantes. Gabriela Biló, do Estadão , conta que tentava fotografar o momento em que, cercado por um cordão de PMs, um estudante era preso. "Corri para fotografar e, quando me aproximei o cordão se dispersou para afastar os manifestantes. A polícia bateu em todo mundo que estava em volta. Fiquei encurralada em uma esquina. Foi quando um policial gritou `vaza, vaza`, e tentou agarrar minha câmera. Continuei fotografando e ele disse `conheço você` e espirrou o spray diretamente no meu rosto".

Outra vítima foi repórter cinematográfico da TV Globo, Marcelo Campos, que recebeu um golpe de cassetete quando filmava a ação dos policiais, que batiam em estudantes que tentavam fugir correndo; já André Lucas Almeida, da agência Futura Press, também foi agredido. "Os policiais começaram a agredir todo mundo a esmo, incluindo a imprensa. Jogaram spray de pimenta no meu rosto e eu corri. O mesmo PM que lançou o spray correu atrás de mim e bateu com o cassetete na mochila, trincando a tela do meu notebook. Muitos estudantes foram espancados".

Abraji ressalta que, desde junho de 2013, pelo menos 93 profissionais de imprensa sofreram ataques da PM paulista durante a cobertura de protestos. Entre os atos de violência mais comuns estão os golpes de cassetete, jatos de spray de pimenta, ferimentos provocados por estilhaço de bomba, intoxicação por gás lacrimogêneo, detenções irregulares e até mesmo atropelamento intencional.

Em nota, ambas as entidades condenaram as agressões, considerando-as ataques à liberdade de expressão. Para a Abert, é inaceitável que jornalistas continuem sendo vítimas de violência por parte de policiais militares ao cobrirem manifestações. Enquanto a Abraji diz não acreditar que todos os os jornalistas estivessem no lugar errado e na hora errada, mas sim em ação deliberada da polícia contra quem acompanha sua ação nas ruas e pode, eventualmente, registrar abusos.

Defendendo-se, a Polícia Militar de São Paulo disse que foi preciso usar a força quando um grupo de mascarados passou a arremessar pedras e rojões, mas que vai apurar o caso em relação aos jornalistas.


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